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Henrique Raposo
Opinião de Henrique Raposo
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Nem ateu nem fariseu

​O dragão, o anel e varinha

06 mar, 2020 • Opinião de Henrique Raposo


Sejam elas mais solares ou mais lunares, as sagas do fantástico como Harry Potter, Narnia, Senhor dos Anéis ou Guerra dos Tronos podem levar muitas crianças e adolescentes à leitura da Bíblia.

Podemos voltar à Guerra dos Tronos? Porque é que rebentou aquele bruaá negativo contra o desenlace trágico da série? A meu ver, o público em geral não suportou o pessimismo antropológico que está ali no final da saga. Queriam gatinhos e corações, tiveram a essência do pecado original.

Daenarys tem o destino clássico do idealista. De Napoleão aos comunistas, passando pelos libertadores africanos, o padrão é o mesmo: o homem passa facilmente de libertador a grande tirano; a partir do momento em que se convence que é o escolhido, o salvador cai na perdição. Esta é uma lição conservadora. E católica. A Bíblia avisa desde o início para termos cautela com os ídolos da política. E há outra lição igualmente católica no coração da série. Quem é que destrói o tal trono? Não é um homem, é um dragão. É Dracarys, o principal dragão de Daenarys, que destrói a corrupção intrínseca do poder absoluto. Nenhum homem consegue destruí-lo. Tal como o anel de Tolkien, o trono é destruído por forças não humanas. Como se vê, as semelhanças entre Guerra dos Tronos e Senhor dos Anéis não se ficam pelas magias e bonecada élfica.

Quer isto dizer que só há pessimismo? Não. No extremo oposto, podemos colocar outra saga de magia: Harry Potter. No final, Harry tem o discernimento necessário para destruir o objecto que simbolizava o poder absoluto, a varina de Dumbledore. Ele abdica do poder absoluto. É fácil dizer que Harry Potter tem este final porque é uma saga para crianças. Não me parece uma crítica justa. Essa abdicação do poder existe na realidade histórica. Aliás, as nossas repúblicas estão assentes nesta praxis que terá começado em George Washington. Se nos alerta para o pecado original e para corrupção moral que o poder traz à condição humana, também é verdade que a Bíblia nos convoca para exemplos de esperança e luz.

Ora, estou a falar de sagas de magia, porque fico sempre surpreendido com a repulsa que muitos cristãos reservam a estes livros e filmes, chegando mesmo a proibi-los em casa. Este boicote não faz sentido por duas razões. Primeira: proibir um livro/filme é a melhor maneira de levar uma criança a lê-lo/vê-lo. Segunda: sejam elas mais solares ou mais lunares, as sagas do fantástico como Harry Potter, Narnia, Senhor dos Anéis ou Guerra dos Tronos podem levar muitas crianças e adolescentes à leitura da Bíblia. De forma explícita ou implícita, o cristianismo está no coração de todas.

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