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​Toyota Land Cruiser – De “A” a “Z” passando por cima do resto do alfabeto

29 fev, 2020 - 20:11 • José Carlos Silva

​O carro certo para chegar ao fim do mundo ou ao fim dos tempos. Só é pena que do preço final de 122 mil euros, mais de 60 mil euros sigam para impostos.

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É frequente ouvir dizer que já não há carros para toda a vida. Seja porque se desactualizam com maior rapidez, seja porque os automóveis são cada vez menos mecânicos e mais electrónicos. Mas o Toyota Land Cruiser parece capaz de tudo, até de resistir a chavões.

Exterior

O carro que nos chegou ás mãos é pouco mais baixo que um furgão, tão largo como este, e ligeiramente mais pequeno.

Face ao antecessor, tem um exterior mais moderno e robusto com grelha frontal de grandes dimensões, com cinco lâminas verticais cromadas. A traseira foi igualmente redesenhada.

Anda a circular há meses, e não é propriamente uma novidade. Mas a sua “presença” é imponente, com uma altura ao solo e ângulos de ataque e de saída muito respeitáveis, e agradáveis para quem gosta de fazer todo-o-terreno.

Interior

A esta versão, que não é acessível a todas as bolsas, falta-lhe pouco. E se há coisa de que pode ser acusado pelos puristas, é que o Land Cruiser, oferece até demais para quem o quer utilizar praticamente em exclusivo fora de estrada.

A nós não incomoda o frigorifico escondido no apoio de braços central. Nem os bancos em pele. Nem a coluna da direcção que é ajustada de forma eléctrica e que recolhe para facilitar a entrada e a saída do condutor. Ou então a última fila de bancos escondida no plano da mala que aparece e desaparece como por milagre ao carregar num botão.

As palas para o sol, tem uma espécie de extensor, para ajudar a tapar por completo o sol junto ao espelho retrovisor. Conta ainda com um espelho para controlo dos passageiros dos bancos traseiros, dissimulado numa caixa junto ao tecto.

Espaço não falta ao Land Cruiser. Quer para o condutor quer para os restantes seis passageiros. Mas como não há bela sem senão, a bagageira fica realmente muito reduzida quando a capacidade total de ocupantes é utilizada. Será, porventura, um dos poucos aspectos negativos deste modelo.

O interior conta com um painel de instrumentos novo, que contempla um monitor multi-terreno com vista panorâmica, obtida por quatro câmaras. E com a possibilidade de se ter uma vista inferior do veículo, muito útil em todo o terreno. Útil como o inclinómetro digital.

Motor

O Toyota Land Cruiser vem equipado com um bloco de 2.8 litros a gasóleo com 177 cavalos. Com um binário de 450 Newton Metro, não tem dificuldades em retirar de apuros as duas toneladas e meia de automóvel.

Não sendo um primor em aerodinâmica, vai do zero aos cem em pouco mais de 12 segundos. E alcança os 175 quilómetros por hora de velocidade máxima.

Os consumos registados no teste dinâmico são mais elevados que o anunciado pela marca, sendo que em média, rondam os 10,5 l/100 e os 11l/100.

Dispõe de vários modos de condução (Normal, Eco e Sport), e que interferem não só na aceleração, mas também na direcção e suspensão.

A altura ao solo pode ser regulada, tal como é possível bloquear o diferencial automático consoante o piso a enfrentar. O mesmo para o diferencial traseiro Torsen.

Experiência

Cativa e muito fora de estrada. O útil degrau que facilita a entrada e saída do Toyota pode ser, contudo, prejudicial para quem pretende “brincar” com mais de 120 mil euros de automóvel excedendo os limites do ângulo ventral. No resto parece ser imparável, mesmo em pisos arenosos onde se espera que afunde. Em situações de grande dificuldade, pisos rochosos e muito acidentados, conta também com uma opção electrónica que faz o Land Cruiser, diria, trabalhar sozinho, garantindo a progressão.

Em pisos de terra batida, e estradões, o conforto parece difícil de bater, sem ruídos parasitas, sem as sacudidelas agressivas que se sentem sempre em quem já adquiriu hérnias nas costas.

Faz tão bem, ou melhor, o trabalho fora de estrada como em alcatrão. Na estrada controla bem o adornar da carroçaria, e não fosse um ligeiro alargar de curvas quando estas são mais apertadas e a velocidade menos adequada, dir-se-ia que não estávamos perante duas toneladas e meia de chapa e motor.

Enfim. Em quase 70 anos de Land Cruiser, este pode ser “aquele” todo o terreno para a vida. Basta ter 122 mil euros, um coração forte para ver que, cerca de 60 mil euros deste valor, segue para impostos, e sangue frio no caso de o levar para fora de estrada e exceder os limites como condutor trialeiro.

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