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Henrique Raposo
Opinião de Henrique Raposo
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​O parto do pai

07 fev, 2020 • Opinião de Henrique Raposo


Ser pai não é um afecto, não é uma paixão, não é um direito, não é uma fofice ou fofura, ser pai é um terramoto que nos muda o nome

Senhor, o parto é uma ruptura atroz. No meio de gritos, sangue e vísceras, saltámos de uma dimensão para a outra, de um mundo submerso para um mundo erguido, do interior para o exterior, da mãe para o mundo. A Tua dádiva da vida é dolorosa, para a mãe, para o bebé, mas essa dor já é uma metáfora do que nos espera.

Ao longo da Bíblia, muitas figuras mudam de nome, Saulo-Paulo, Hadassa-Ester, Jacob-Israel. Esta mudança de nome sublinha uma mudança na natureza da pessoa; não é uma mudança de personalidade, é um crescimento da personalidade, um salto na espessura moral da pessoa que resulta da dor ou da culpa e da consequente catarse. É um passo na Tua direcção. Quando deixa de ser Saulo e passa a ser Paulo, este homem fatal tem um parto em vida. É um parto em consciência. Tenho-me lembrado desta metamorfose bíblica por estes dias. A minha filha mais nova faz cinco anos e, caramba!, eu ainda era uma criança há cinco anos. Era Saulo e agora tento ser Paulo, tento. Ser pai a sério, estar mesmo comprometido com a tarefa gigantesca que é criar seres humanos, implica aceitar este doloroso renascimento, implica mudar com os nossos filhos e pelos nossos filhos. Se quisermos manter o nosso velho nome, vamos falhar. Não podemos servir dois donos, ou servimos o solteirão do passado que nos assombra com as proezas de outrora, ou servimos os nossos filhos através de Ti (ou servimos-Te através dos nossos filhos, não sei qual ordem).

Ser pai não é um afecto, não é uma paixão, não é um direito, não é uma fofice ou fofura, ser pai é um terramoto que nos muda o nome. É um segundo parto. Um segundo e demorado parto, um renascimento em câmara lenta. Sou pai há oito anos e, confesso, sinto que estou longe do fim. Qual é esse fim? É quando chegar àquele ponto em que sirvo as minhas filhas num total esquecimento de mim próprio. Há que tentar, pelo menos. Não sei se chego a Paulo, Senhor, mas sei que já não sou Saulo.


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  • Manuela
    07 fev, 2020 10:23
    Isto assim é uma confusão que ninguém se entende! por isso o melhor é esquecer as palavras: pai e mãe e falarmos do macho e da fêmea, porque não são só os humanos que têm filhos! então vamos começar pelo galo e a galinha! quem decide se quer ter pintos, é o galo ou a galinha? é a galinha porque põe ovos! dos ovos saem os pintos, se a galinha durante um certo tempo (isso, não sei) aquece o ovo com muito carinho, porque no instinto dela, sabe que dali vai sair um filhote dela, senão não estava de castigo sobre o ovo, porque deve dar um mau jeito danado estar ali aninhada! ela vê que todos os dias lhe vão à capoeira roubar o ovo que lhe deu tanto trabalho a pôr! O Henrique raposo já alguma vez viu uma galinha a pôr um ovo? ela cacareja e dá dezenas de voltas até o ovo sair, deve ter dores! então com que direito lhe tiram aquilo que lhe vai dar alegria: o filhote? e quando ela consegue ter vários filhotes, já experimentou tocar-lhe nalgum? nunca tente, senão leva uma bicada que fica com a sua mão a escorrer sangue! o galo canta quando acorda, escolhe uma das galinhas da capoeira e do resto não se rala, se lhe roubarem os filhotes todos ele não liga, mas se lhe roubar uma das galinhas ele enfurece-se! e tem um bico bem afiadinho! (já não dá para escrever muito mais) vai só o exemplo da leoa e do leão! quem cuida dos filhotes é a fêmea, o leão caça, leva comida para ela e os filhotes e deita-se a dormir! só, enquanto os filhotes são recém-nascidos! depois é ela que cuida e ensina.