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​Partiu o avião que vai buscar portugueses (e mais 300 outras pessoas) a Wuhan

30 jan, 2020 - 11:07 • Cristina Nascimento com Lusa

A380 saiu de Beja esta quinta-feira. Vai fazer uma primeira paragem em França, uma segunda paragem no Vietname e depois segue para a China.

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O avião que vai fazer o repatriamento de cidadãos europeus desde Wuhan, saiu às 10h00 do aeroporto de Beja em direção a uma das pistas da base aérea n.° 11, de onde descolou às 10h06.

Antes da partida, em entrevista aos jornalistas no aeroporto de Beja, o comandante Antonios Efthymiou, da companhia Hi Fly, garantia que está tudo preparado para dar início à missão de repatriamento de cidadãos europeus desde Wuhan, cidade chinesa onde surgiu o coronavírus, salientando que foram tomadas todas as precauções.

"Está tudo preparado para a missão. Estamos prontos para ir e trazer as pessoas, portugueses incluídos", disse.

Antonios Efthymiou explicou que o voo parte hoje para Paris, França, e na sexta-feira viaja para Hanói, no Vietname, e depois seguirá para a China.

"Depois disso, o avião ou volta para aqui [Beja] ou faz outra missão, depende", disse.

Na primeira paragem que fizer em França, embarcarão "cerca de três dezenas de operacionais - entre médicos, autoridades e técnicos de saúde" -, seguindo depois para o Vietname.

O comandante da Hi Fly indicou que deverão ser repatriadas 350 pessoas, incluindo cidadãos portugueses.

Fonte europeia disse à agência Lusa, na quarta-feira, que 17 cidadãos portugueses que estão na China - quase todos em Wuhan, na província de Hubei -, já pediram para deixar o país.

Questionado sobre se a tripulação teve algum treino específico por causa do vírus, o comandante esclareceu que têm estado em contacto com o departamento médico da companhia e tiveram uma preparação especial nas instalações da empresa em Lisboa.

"Todas as precauções foram impostas pelas autoridades de aviação asiáticas. (...) Estamos prontos para partir. É uma missão humanitária e temos orgulho em trazer as pessoas de volta. Podia ser a nossa família", sublinhou.

Quando questionado sobre se tem receio de fazer a missão, Antonios Efthymiou negou e disse "estar contente por fazer este voo e trazer as pessoas".

Curiosos assistiram à partida do avião

A saída do avião atraiu dezenas de curiosos às imediações do aeroporto de Beja para assistirem à partida do aparelho.

Entre os curiosos, estava Alexandre Gonçalves, de 34 anos, do Algarve, que estava de passagem e aproveitou para assistir à partida do avião.

"Vi numa notícia que o avião A380 ia partir hoje [do aeroporto de Beja] para resgatar portugueses que estão na China e achei interessante vir [assistir à partida]", contou à Lusa.

Alexandre disse que "ainda não tinha visto o aeroporto de Beja" e achou que a partida de hoje do A380 "era uma oportunidade interessante para o ver" e também considerou "interessante e importante" ser uma companhia portuguesa a participar numa missão de resgate de europeus da China.

Francisco Catalão, de 59 anos, a viver em Beja há 32 anos, também se deslocou hoje de propósito ao aeroporto porque teve "curiosidade" para assistir à partida do avião.

"É uma situação importante para todos e de interesse mundial", disse, frisando que "o aeroporto de Beja está a ter um papel importante e relevante para a realização desta missão".

O Airbus A380, o maior avião comercial do mundo, partiu do aeroporto de Beja, porque, atualmente, é o único aeroporto em Portugal capaz de o receber e é onde a companhia Hi Fly tem uma das suas bases para estacionamento e manutenção de linha dos seus aviões.

Segundo os dados oficiais mais recentes, quase 60% dos mais de 7.700 casos confirmados até agora em todo o país ocorreram na província de Hubei, onde foram registadas 162 das 170 mortes devido ao coronavírus (família de vírus que causa pneumonias), mas há já casos em todas as províncias e regiões autónomas do país.

Além do território continental da China, foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Austrália, Canadá, Alemanha, França (primeiro país europeu a detetar casos), Finlândia e Emirados Árabes Unidos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) convocou para esta quinta-feira o Comité de Emergência para determinar se este surto deve ser declarado uma emergência de saúde pública internacional.

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