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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O investimento chinês em Portugal

21 jan, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Portugal não é um “amigo especial” da China, disse o ministro A. Santos Silva. Acrescentou o ministro que as empresas chinesas em Portugal, incluindo a Huawei, têm cumprido as leis nacionais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou ao correspondente do “Financial Times” (FT) em Lisboa, Peter Wise, que Portugal não é um “amigo especial” da China na Europa. A dúvida parece possível porque o investimento chinês no nosso país é relativamente grande e porque o governo português assinou em 2018 um memorando com a China sobre a iniciativa chinesa “Uma faixa, uma rota – a nova rota da seda”, que pretende ligar a China ao extremo ocidental da Europa e suscita alguma preocupação política.

Ora nesse extremo está o porto de Sines, onde será aberto um concurso público para a construção e exploração de um novo terminal. Acontece que, até agora, só duas empresas chinesas mostraram interesse por este projeto. O ministro Santos Silva disse esperar que surjam propostas de outras origens. Oxalá venham, até para permitir uma boa escolha.

Os investimentos chineses em Portugal começaram em 2012, com a compra de parte do capital da EDP. Um outro grupo chinês adquiriu o controlo da REN (rede elétrica nacional). A chinesa Fosun, que é hoje o maior investidor chinês em Portugal, está presente na saúde, na indústria farmacêutica, nos seguros, no imobiliário, nas telecomunicações, na banca, etc.

O investimento chinês foi na altura muito apreciado, porque, há quinze anos, Portugal tinha uma carência preocupante de capital – era o período da “troika”. Os receios quanto ao investimento chinês resultam da dificuldade em distinguir se as empresas investem em função de uma lógica empresarial ou se também existem motivações políticas. Ora a banca, a energia e os seguros, por exemplo, são áreas estratégicas…

Por outro lado, os chineses não têm vindo para Portugal criar empresas novas – compram empresas já existentes, em parte ou na totalidade. O que pode ser útil numa economia descapitalizada como a nossa, mas envolve naturalmente alguns riscos.

As empresas chinesas em Portugal têm cumprido as leis do país, assegurou Santos Silva ao FT. O mesmo acontece com a Huawei. E apelou a que chineses venham investir em Portugal em sectores como a indústria automóvel e a mobilidade elétrica. Desde que se tomem as necessárias cautelas, não há motivo racional para impedir o investimento chinês em Portugal.

Para já, veremos o que irá acontecer com o novo terminal de Sines.

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