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Fernando Medina-João Taborda da Gama
O presidente da Câmara de Lisboa e um professor universitário (especialista em direito fiscal) a viver na capital olham para os principais temas da atualidade. Às terças e quintas, às 9h15
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Fernando Medina e João Taborda da Gama -  Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo - 02/01/2020
Fernando Medina e João Taborda da Gama -  Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo - 02/01/2020

J. Taborda da Gama

“Novo responsável pela integração dos sem-abrigo tem de ser um samurai burocrático”

02 jan, 2020


Mais do que dinheiro, o comentador da Renascença quer que o gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo receba poderes para sentar à mesma mesa “autarquias, segurança social, hospitais, sistema prisional”.

O comentador da Renascença, João Taborda da Gama, considera que “mais do que recursos”, o gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo, Henrique Joaquim, deve receber poderes de uma espécie de “samurai burocrático”, ou seja, alguém que seja capaz de sentar à mesma mesa “autarquias, segurança social, hospitais, sistema prisional”.

Questionado se o objetivo definido pelo gestor da estratégia de erradicar a situação de sem-abrigo até 2023 era algo possível, o comentador da Renascença começou por dizer “não pode haver outra estratégia para os sem abrigo que não seja erradicar esta situação”, mas evocou a sua experiência de voluntariado para lembrar que, muitas vezes, o problema está nas pequenas burocracias do sistema.

“Há problemas que, se são difíceis para nós, imaginem para um sem abrigo: resolver problemas de papelada na Segurança Social, saber onde se deve dirigir, recuperar um documento que depois é o pressuposto para que tudo se consiga resolver. Às vezes são coisas muito simples mas que, numa pessoa que está numa situação de fragilidade emocional e psicológica, é um bloqueio para tudo o resto”, ressalva o comentador.

Também Fernando Medina saúda a criação do cargo, mas ressalva que a situação é bastante complexa. Por isso, o presidente da Câmara de Lisboa diz que é “uma obrigação” oferecer uma resposta a nível da “saúde mental, a nível das dependências e que cada um tenha essas respostas para poder andar ao seu ritmo”. No entanto, Medina ressalva que não conhece “nenhuma sociedade que em absoluto tenha erradicado esse fenómeno”.

O presidente da câmara de Lisboa diz que, até ao momento, o município tem sinalizadas 361 pessoas sem teto e que, até 2023, a autarquia terá 400 respostas “que depois terão uma sequência adicional do ponto de vista da habitação municipal”.

“Há problemas que, se são difíceis para nós, imaginem para um sem abrigo: resolver problemas de papelada na Segurança Social, saber onde se deve dirigir, recuperar um documento que depois é o pressuposto para que tudo se consiga resolver. Às vezes são coisas muito simples mas que, numa pessoa que está numa situação de fragilidade emocional e psicológica, é um bloqueio para tudo o resto”, ressalva o comentador.

Também Fernando Medina saúda a criação do cargo, mas ressalva que a situação é bastante complexa. Por isso, o presidente da Câmara de Lisboa diz que é “uma obrigação” oferecer uma resposta a nível da “saúde mental, a nível das dependências e que cada um tenha essas respostas para poder andar ao seu ritmo”. No entanto, Medina ressalva que não conhece “nenhuma sociedade que em absoluto tenha erradicado esse fenómeno”.

O presidente da câmara de Lisboa diz que, até ao momento, o município tem sinalizadas 361 pessoas sem teto e que, até 2023, a autarquia terá 400 respostas “que depois terão uma sequência adicional do ponto de vista da habitação municipal”.

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  • Manuel da Costa
    03 jan, 2020 Sydney 10:48
    A meu ver, para gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo, acima de tudo deve ter vocação missionária, fazendo bem sem olhar a quem. Um voluntário inteligente, com competência e honestidade, sem interesses ou ambições pessoais, embora com o suficiente para dignamente cumprir essa sua missão. Não seguir o nefasto exemplo parasitário dos políticos, que tudo procuram, até desonestamente, para manter o poder de se aproveitarem daqueles que os sustentam.