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Padre Américo a caminho da beatificação

12 dez, 2019 - 09:24 • Redação

Santa Sé acaba de reconhecer as "virtudes heroícas" do fundador da Obra de Rua. Bispo do Porto vê no reconhecimento da Santa Sé um desafio à sociedade.

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Está dado o primeiro passo para a beatificação do padre Américo Monteiro de Aguiar. A Santa Sé acaba de reconhecer as "virtudes heroícas" do fundador da Obra de Rua ou como também é conhecida: a Obra do Padre Américo, de Penafiel.

O padre Américo, que dedicou a sua vida aos mais carenciados, principalmente jovens, morreu em 1956.

Américo Monteiro de Aguiar nasceu em 23 de outubro de 1887, em Galegos (Penafiel). Trabalhou ainda numa loja de ferragens e como despachante, em Moçambique.

Em 1923, ingressa nos franciscanos, que depois abandona. Ordenado padre em 29 de julho de 1929, dedica-se aos miúdos da rua em Coimbra, até que, em 1940, cria a primeira Casa do Gaiato, em Miranda do Corvo.

A 14 de Julho de 1956, sofre um acidente e morre dois dias depois.

“Como cidadão atento aos dramas da infância excluída ou em exclusão num Portugal a converter-se de rural em urbano e metropolitano. Como educador empenhado na primazia da afirmação da criança. Como cristão e sacerdote devotado na concretização das bem-aventuranças, na vivência de uma igreja serva e pobre, na antecipação do que viria a ser o espírito do Concílio Vaticano II”, escreveu Marcelo Rebelo de Sousa em "O Padre Américo e a Obra da Rua", com coordenação de José da Cruz Santos, da Aletheia Editores.

Os passos para ser Santo

Para se ser considerado Santo na Igreja católica, é preciso passar por três etapas: primeiro, a confirmação das “virtudes heróicas”; depois a beatificação e finalmente a canonização, sendo que as duas últimas exigem a comprovação de um milagre. No caso do padre Américo, foi hoje dado o primeiro passo para vir a ser beato e depois Santo.

As “virtudes heróicas” são um conjunto de “requisitos de exemplaridade de vida” que têm de ser demonstrados, para que se possa dar início ao processo. Para isso, são analisados o comportamento e percurso de vida do candidato à Santidade, tendo de ficar claro, e para além de qualquer dúvida, que em vida a conduta do candidato se pautou pela prática, para além do comum, das “virtudes da fé” – “virtudes teologais” (Fé, Esperança e Caridade) e “Virtudes Cardeais” (Prudência, Força, Justiça e Temperança).

O primeiro passo é geralmente dado na diocese de origem do candidato. Há uma investigação para confirmar que tem “fama de santidade” e merece ser canonizado. O próprio bispo, ou um “postulador” (espécie de advogado de defesa), leva a proposta à Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, que dá (ou não) o aval para iniciar o verdadeiro processo das “virtudes heróicas”. No caso do padre Américo, essa autorização foi dada.

O postulador deve depois reunir todas as provas de “santidade” do candidato – depoimentos, cartas e escritos – para demonstrar que praticava de “forma heróica e continuada” as chamadas “virtudes da fé”. Confirmadas essas virtudes, para o processo prosseguir será necessário comprovar a existência de pelo menos um milagre – e por milagre entende-se a “cura de forma instantânea, perfeita, duradoura e inexplicável cientificamente”, como a de uma doença incurável ou muito difícil de se tratar.

Isto exige a análise e estudos clínicos por parte de uma vasta equipa de dezenas de médicos e especialistas. Ultrapassa essa fase acontece a “beatificação”, mas para se ser Santo – a “canonização” – terá de haver e ser comprovado um segundo milagre.

Padre Américo “espicaça a nossa consciência”

O reconhecimento da Santa Sé deve ser visto como um desafio à sociedade, considera o bispo do Porto.

“Quando o padre Américo começou a recolher as crianças da zona mais deprimida de Portugal – que, porventura, era a zona do Barredo, nas margens do rio Douro, aqui no Porto – estava a fazer exatamente aquilo que era mais necessário naquela altura. Hoje, as condições mudaram, mas ele lembra-nos e espicaça a nossa consciência que há muito a fazer no campo das outras fragilidades”, afirma D. Manuel Linda à Renascença.

No entender deste prelado, é importante que a sociedade esteja atenta aos mais vulneráveis.

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