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Em Nome da Lei - O recrutamento de terroristas - 07/12/2019
Em Nome da Lei - O recrutamento de terroristas - 07/12/2019

Em Nome da Lei

O Estado Islâmico não acabou, nem deixou de aliciar seguidores

07 dez, 2019 • Celso Paiva Sol


A radicalização continua a acontecer, nomeadamente através da internet. Portugal continua a ter uma realidade muito diferente de outros países europeus, mas não está imune.

O autoproclamado Estado Islâmico terá deixado de recrutar ocidentais para territórios que já não controla, mas nem por isso deixou de tentar aliciar e radicalizar jovens de todo o mundo. O maior risco continua a estar na Internet, mas agora também no regresso daqueles que chegaram a combater nas fileiras do Daesh.

No programa "Em nome da lei" da Renascença, emitido este sábado e dedicado ao perigo da radicalização, João Ventura, coordenador da Unidade de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária (PJ), explicou onde estão actualmente os principais focos de preocupação.

“Há cerca de 5.000 combatentes em campos sob jurisdição do YPG [Unidades de Protecção Popular, organização armada curda], para além das dezenas de milhar de mulheres e crianças que estão em três campos da região, e será impossível para essa organização, até por força da ofensiva das autoridades turcas, manter a situação por muito mais tempo. Obviamente que um dos riscos é que cada um destes indivíduos - sendo ou não acolhido pelo sistema prisional, sendo ou não objecto de uma reacção criminal, sendo acusado e condenado ao cumprimento de uma pena - tenha potencial para fazer o que chamamos a disseminação das sementes da radicalização, nomeadamente em meio prisional", explicou.

Mais do que as mesquitas e outros locais de reunião de muçulmanos, as prisões são actualmente os locais que mais preocupam as autoridades de toda a Europa.

“Podem contagiar as pessoas que já seguem o credo religioso muçulmano ou seduzirem eventuais convertidos. E tudo isto conflitua com os muitos milhares de condenados que estão em prisões europeias. Nesse aspecto estamos relativamente salvaguardados, porque nas prisões portugueses temos um único preso condenado por crimes de terrorismo, e que até é recente, é de junho deste ano”, esclareceu o coordenador da PJ, que diz no entanto que o risco zero "não existe".

Ou seja, Portugal continua a ter uma realidade muito diferente de outros países europeus, mas não está imune.

“Sem internet, nunca o Daesh teria atingido a mobilização e a expressão que conseguiu, no sentido em que mais de 40.000 extremistas de 110 países viajaram para o protocalifado. Há muita coisa que circula nas redes sociais. Porém, é importante aqui salientar, para deixar uma mensagem de tranquilidade, que Portugal é um pais absolutamente periférico relativamente a esta realidade, por enquanto", garante.

Radicalização pode ser contrariada

No programa falou-se também de um projecto de prevenção da radicalização que está em curso em Portugal. Paulo Gomes, responsável pela comunicação da campanha RESET, explicou o trabalho de contra-narrativa que está a ser feito na internet.

“As narrativas utilizadas são as mais diversas. Aquilo que se sabe e que conseguimos ver é que se parte sempre de uma primeira matéria mais ampla de cativação, depois há uma tentativa de uma aproximação direta e, nessa altura, de aliciamento. Aquilo que nós construímos, pelo menos nas mensagens maiores e mais associadas à falta de conhecimento, é tentar contrariá-las dizendo que as interpretações que são feitas das mensagens com vista ao recrutamento não são corretas”, detalhou.

A trabalhar com migrantes no terreno há 10 anos, João Cardoso, antropólogo da Câmara Municipal de Sintra, diz que é possível contrariar o discurso extremista.

“Em alguns dos jovens há essa vertente de não se identificarem com um território, um modo de vida. Têm dificuldade em estudar, em encontrar um emprego, uma ocupação. Isso existe, mas são precisamente estes projetos que tentam trabalhar esses jovens. Se é certo que podem dar ouvidos a um possível radicalismo, também é certo que dão ouvidos quando a coisa é bem feita e lhes mostram outros caminhos”, refere o antropólogo.

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