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Bentley Continental GTC – À altura do preço elevado

02 dez, 2019 - 17:09 • José Carlos Silva

Mais caro que a moradia V4 do meu vizinho. Sem extras, pelo mesmo preço comprava 35 Dácia Sandero. Já com os extras solicitados geralmente pelos clientes do Bentley GTC, podia comprar 41. Mas “Who cares”? Um Bentley, é um Bentley.

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Não é todos os dias que nos disponibilizam um carro de sonho para testar durante um par de dias. E se este vier com um motor de 6 litros, um roncar magnífico dos seus 635 cavalos montados no motor W12, o céu fica muito mais perto.

Exterior

As enormes jantes não conseguem esconder as gigantescas maxilas que agarram os 4 discos, também eles de dimensões generosas. O Bentley Continental GTC (C de Convertible) Não passa despercebido em lado nenhum.

A capota retrátil que faz o trabalho em poucos segundos (até em andamento a baixa velocidade) encaixa na perfeição na carroçaria. Não há folgas, nem “passagens de ar” mesmo quando o andamento é animado.

É um carro baixo, mas não tanto que raspe nas lombas mais agressivas. A lateral apresenta as rodas traseiras algo salientes face ao conjunto, conferindo-lhe ao mesmo tempo um ar retro e dinâmico.

Na frente, a grelha prateada não deixa margem para dúvidas que se trata de um Bentley. E se dúvidas houvesse, as óticas separadas, dois faróis - um maior e outro mais pequeno de cada lado - reforçam a imagem de marca.

Interior

É aqui que Bentley revela o seu luxo. Os bancos em pele, perfurados, o volante em pele em diversos tons, perfurado e aquecido, o tablier e as quartelas das portas igualmente revestidas a pele e bordadas aos quadrados, tal como os ocasionais bancos traseiros, tudo transpira bom gosto e qualidade.

A capota é retratil, mas quem a vê por dentro não adivinha. Forrada com um tecido aveludado, é sólida. E quando chove a sério, garanto que se ouve mais o barulho das gotas a baterem no vidro, que na capota. Mas talvez fosse da velocidade…

Se a isto misturarmos aplicações em madeira aqui e ali, temos “a caixa” perfeita para quem tem a sorte de conduzir, e de se sentar ao lado.

Digo, a sorte de conduzir, porque é aqui que se desfruta em pleno deste carro. O ecrã central - de boas dimensões e completo ao pormenor - roda três vezes. Quando se liga a ignição, o painel de madeira que completa o tablier roda e no seu lugar surge o ecrã propriamente dito. Mas se não precisa dele nem para o GPS, nem para saber o estado do carro, as configurações, etc, pode sempre por fazê-lo girar mais uma vez. E aí surgem três indicadores analógicos: Termómetro com a temperatura exterior, bússola e cronómetro. E para quê um cronómetro? Porque sim, e também… porque sim.

Motor

Porque sim, porque este é um magnifico automóvel, que conjuga o luxo, a diversão de capota aberta, com o espírito estradista. Este é um “papa quilómetros”, sem queixas para quem como nós, numa tarde galgámos 700 quilómetros praticamente de uma assentada.

É verdade que consome… mas se a marca aponta para uma média a rondar os 12 litros e meio aos cem, a verdade é que o herdámos com uma média de 15. Contudo, foi possível fazer 10,7 litros aos cem em parte substancial do percurso.

Na outra parte, perdemos-lhe o rasto, porque descobrimos no recheado túnel central de botões de climatização, o Santo Graal dos puristas. Foi quando passámos do agradável modo Bentley, para o Personalizado, e deste para Confortável. E por fim para o modo Sport. E aqui, o coração falou muito mais alto.

Neste modo, o roncar do motor 6.0 TSI bastava para que a experiência ficasse por aqui. Que coisa bonita.

Melhor, foi acelerar do zero aos cem em 3.8 segundos. E tentar perceber se os tais 333 quilómetros por hora de velocidade máxima, eram ou não um daqueles mitos urbanos. Não tivemos estrada para isso, e ficamo-nos por aqui para não ofender ninguém, até porque os pontos da carta são um bem precioso.

O que podemos dizer é que este é um verdadeiro monstro que se espicaça com vontade, e que se controla com facilidade. O condutor não é surpreendido pela negativa, a direção é precisa, os pneus comportam-se muito bem em curva e suportam este tanque de cerca de duas toneladas e meia, e todas maldades que o condutor lhe queira infligir.

Um único ponto negativo: Foi preciso devolver o Bentley Continental GTC ao seu legítimo dono. Entretanto, pergunto eu: Um rim vale 350 mil euros? É que eu tenho dois e acho que posso dispensar um.

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