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Marcelo pede que segundo Governo de Costa seja melhor do que o primeiro

26 out, 2019 - 11:42 • Eunice Lourenço , Paula Caeiro Varela

Presidente da República deu posse ao XXII Governo Constitucional e alertou para o aumento das expectativas. O segredo deste governo, disse, serão as escolhas.

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recorreu à parábola evangélica das Bodas de Caná para pedir a António Costa que o Governo ao qual deu posse este sábado seja melhor do que o primeiro presidido pelo atual primeiro-ministro.

“O segundo vinho é melhor do que o primeiro”, disse Marcelo, recordando a história do casamento em que falta o vinho. Nessa passagem, Jesus transforma a água em vinho e os convidados acabam por dizer que esse segundo vinho é melhor que o primeiro.

No discurso que fez no Palácio da Ajuda, depois de dar posse aos 70 membros do Governo, Marcelo Rebelo de Sousa alertou para o aumento das expectativas a que este Executivo terá de dar resposta e considerou que o seu segredo estará nas escolhas que sejam feitas, pois não haverá capacidade de dar resposta a todas as exigências internas e externas.

Marcelo disse diretamente a Marcelo Rebelo de Sousa saber que “não é fácil, nem será fácil a tarefa que lhe compete”, acrescentando que “as expetativas dos portugueses são muito superiores às de 2015, uma vez que está ultrapassada a “fase aguda” pela qual o país passou.

O Presidente elencou vários desses desafios: o envelhecimento acelerado da população, um mais rápido desendividamento público e privado, mais coesão social, dar resposta a tantos jovens que estão em “angústia perante becos sem saída”, dar melhores respostas sociais aos que mais precisam e garantir mais igualdade na sociedade portuguesa.

“Não há recursos para tantas expetativas e exigências e o segredo deste Governo residirá nas escolhas”, disse Marcelo, pedindo ao primeiro-ministro “humildade, isenção e proximidade aos portugueses”.

O Presidente também fez questão de se referir à “forma nova, mas só parcialmente nova” que António Costa escolheu para governar nesta legislatura, sem acordos escritos, ao contrário do que Cavaco Silva exigiu em 2015. Será nesse quadro parlamentar novo e com novidades que Costa terá de garantir a “viabilização e eficácia de orçamento e medidas estruturais”.

Da sua parte, Marcelo garantiu, a concluir, lealdade e vigilância, prometendo já que não vai “mudar de postura” face a resultados eleitorais autárquicos que venham a acontecer em 2021. Recorde-se que no outono desse ano haverá eleições autárquicas, o que é visto geralmente como um teste aos executivos.

Na primeira parte do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa fez um elogio ao primeiro governo de António Costa, afirmando que superou expetativas internas e externas. Lembrou que beneficiou de uma conjuntura internacional de exceção e da ação do executivo que o antecedeu, mas não deixou de lamentar que não tenha ido mais longe em “entendimentos de regime” no que diz respeito ao sistema político e ao combate à corrupção, no aumento da produtividade e competitividade e no acesso de todos a infraestruturas e sistemas sociais.

[Notícia atualizada às 11h57]

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  • Cidadao
    27 out, 2019 Lisboa 12:49
    Duvido que seja melhor. A começar no tamanho do elenco governativo, a continuar nas competências "misturadas" de vários ministérios e secretarias que vai dar num caso de "muitas medidas, para ficar tudo na mesma", no facto de ser um governo "de combate", não aos problemas mas a quem venha denunciar esses problemas - grande parte do governo saíu das bancadas PS da AR - e acabando no facto de já terem começado a roer a corda em medidas faladas como a alteração da Legislação Eleitoral com a criação de círculos uninomiais, e que pura e simplesmente desapareceu do programa do governo. Penso que vão ser alguns anos de governação à vista, sem medidas de fundo, à espera que tudo continue como até aqui, que os turistas continuem a vir, e que o petróleo e os juros não subam, seguidos de tentativas de vitimização/demissão chantagista do governo para tentar a Maioria Absoluta que lhe escapou por pouco agora.