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Problemas com o Garcia de Orta aumentam pressão para que Hospital do Seixal seja uma realidade

16 out, 2019 - 10:57 • João Cunha

As promessas foram-se repetindo. Já passaram vários governos, mas mais de 10 anos depois o novo Hospital do Seixal ainda não saiu do papel.

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Os encerramentos forçados das urgências pediátricas do Hospital Garcia de Orta, em Almada, vieram reforçar os argumentos da Câmara do Seixal que há 20 anos pede um novo hospital.

Em 2009, o Estado assinou um acordo estratégico com a autarquia para a construção de uma unidade neste concelho, mas o processo não chegou a avançar. Em 2012, o projeto foi posto na gaveta pelo então Governo PSD/CDS-PP.

Só em 2017, o Orçamento do Estado destinou uma verba para o lançamento do concurso público para este projeto. Tanto o secretário de Estado da Saúde como a presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo afirmaram publicamente que o equipamento estaria ao serviço da população até ao final de 2019.

Joaquim Santos, presidente da Câmara do Seixal, lamenta que apesar de a Assembleia da República ter determinado, em 2016, que era urgente construir o Hospital do Seixal, tenham passado quatro anos e nem sequer o projeto de execução tenha sido adjudicado.

"De facto, o concurso ainda está ainda a ser preparado. Não há ainda nenhuma adjudicação e o que lamentamos é que apesar de a Assembleia da República ter determinado em 2016 que era urgente construir o Hospital do Seixal, passaram quatro anos e nem sequer o projeto de execução foi adjudicado".

O autarca sublinha que "para além da comprovação empírica de todos os dias das necessidades de pessoas que ocorrem aos serviços hospitalares onde não têm a resposta adequada", há ainda a evidência científica dos números: o ratio nacional em termos de camas hospitalares por mil habitantes é de 3,4, e na Península de Setúbal, com quase um milhão de habitantes, é de 1,7.

À Renascença, José Lourenço, da Comissão de Utentes de Saúde do Seixal, considera "que as necessidades de urgência não seriam tão prementes ao nível do Hospital Garcia de Orta" com outra unidade na região.

O mesmo responsável lembra que ao então ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, entregou em mão um manifesto em que questionava o poder político sobre "a retirada de camas de cuidados paliativos, como estava previsto, porque é que as especialidades foram diminuídas em quase metade e porque é que os utentes do concelho de Sesimbra foram retirados do âmbito de influência deste novo hospital".

Ainda não obtiveram resposta, mas deixam uma garantia. "Estamos habituados a ser ludibriados, consecutivamente. Mas que o poder central tenha a certeza de uma coisa. Podem contar com a enorme capacidade de resistência e de resiliência por parte da população do Seixal".

A nova unidade deverá ser construída numa zona de pinhal à beira da A33.

O Garcia de Orta, que tem sido notícia pelo encerramento recorrente da urgência pediátrica, serve uma população estimada de 450 mil pessoas e, por isso, está sujeito a uma grande pressão.


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