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Príncipe Carlos elogia espírito ecuménico do ​cardeal Newman, o novo santo britânico

12 out, 2019 - 22:14 • Redação

Monarca anglicano vai estar este domingo, no Vaticano, na canonização do cardeal John Henry Newman, uma referência para muitos católicos de língua inglesa.
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O príncipe Carlos elogia o exemplo e o espírito ecuménico do cardeal John Henry Newman, que este domingo vai ser canonizado pelo Papa Francisco, no Vaticano.

Num artigo publicado no jornal "L'Osservatore Romano", o monarca anglicano, que vai estar presente na cerimónia, considera que “Newman não esteve apenas envolvido com a Igreja, mas com o mundo” que o rodeava.

O sacerdote anglicano, que se converteu ao catolicismo e viveu no século XIX, “iniciou um debate entre os católicos e os outros cristãos, abrindo o caminho para posteriores diálogos ecuménicos”, defende o príncipe de Gales.

O cardeal Newman mostrou ao mundo que “as diferenças não devem ser receadas” e provou-o através da sua Teologia e poesia, mas também pelo seu exemplo de vida, sublinha.

“Sob a sua liderança, os católicos”, minoritários em terra anglicana, “tornaram-se parte integrante de uma sociedade mais abrangente, que também por isso ficou mais enriquecida como uma comunidade de comunidades”, refere Carlos.

Num artigo intitulado “John Henry Newman: A harmonia da diferença”, o príncipe de Gales considera que, “quando o Papa canonizar o cardeal John Henry Newman, o primeiro britânico a ser declarado santo em 40 anos, haverá motivo para celebrar não apenas no Reino Unido, e não apenas para os católicos, mas para todos os que partilham os valores que o inspiraram”

O cardeal Newman “defendeu a vida do espírito contra as forças” que pretendiam degradar “a dignidade e destino humanos”.

Nos tempos de hoje, o exemplo do cardeal Newman “é mais necessário do que nunca”, porque era capaz de “argumentar sem acusar, discordar sem desrespeitar e olhar para as diferenças como locais de encontro e não de exclusão”.

Newman foi “um dos maiores teólogos do século XIX”, refletiu sobre a fé nas sociedades seculares e “reconciliou a fé com a razão”, primeiro, através da perspetiva anglicana e, depois da sua conversão, com um olhar católico, “impressionando até os seus adversários com a sua honestidade sem medo, o seu rigor inigualável e pensamento original”.

“Seja qual for a nossa crença, independentemente da nossa tradição, só podemos estar gratos a Newman pelas ofertas, enraizadas na sua fé católica, que ele partilhou com a sociedade”, refere o monarca britânico.

O exemplo do novo santo é também importante numa altura em que a Humanidade assiste “a demasiados e dolorosos ataques de forças da intolerância sobre comunidades ou indivíduos, incluindo muitos católicos, por causa da sua fé”.

“Ele é uma figura que manteve as suas convicções apesar das desvantagens de pertencer a uma religião cujos fiéis era-lhes negada a participação total na vida pública”, salienta.

“No processo de emancipação católica e restauração da hierarquia da Igreja Católica, ele foi o líder que o seu povo, a Igreja e o seu tempo precisaram”, sublinha.

O legado do cardeal Newman também passa pela imagem de “divina harmonia” que manifestou ao longo da sua vida.

É uma fonte de inspiração para um mundo em conflito, uma prova de que “todas as nossas divisões podem levar a uma maior compreensão e todos os caminhos podem encontrar uma casa comum”, conclui o príncipe Carlos.

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