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Crise no Equador

Protestos no Equador já fizeram cinco mortos. Oito polícias foram tomados reféns

10 out, 2019 - 18:02 • João Pedro Barros com agências

Medidas de austeridade desencadearam manifestações violentas, em que grupos indígenas têm assumido protagonismo. Produção de petróleo do país já foi afetada.
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A crise no Equador, originada pelas medidas de austeridade decretadas pelo Presidente Lenín Moreno e que levou a violentos confrontos nas ruas, continua a adensar-se.

Esta quinta-feira, avança a agência AFP, grupos indígenas – que têm liderado boa parte dos protestos – fizeram oito polícias reféns. Fontes oficiais confirmaram entretanto que os tumultos já provocaram cinco mortos.

O provedor de justiça do Equador já tinha confirmado a morte de um manifestante na quarta-feira, devido a um traumatismo craniano, e informado que iria confirmar denúncias de mais vítimas mortais por parte do grupo indígena Conaie.

Esta quinta-feira regista-se o oitavo dia dos protestos, que obrigaram o Presidente a mudar temporariamente a sede do Governo da capital Quito para Guayaquil, a mais de 400 quilómetros, e, na terça-feira, a instaurar um recolher obrigatório em torno dos edifícios governamentais. De acordo com as autoridades, mais de 700 pessoas foram detidas e há 400 feridos.

O grupo Conaie fala de "repressão desproporcionada e brutal". Esta quinta-feira, os manifestantes indígenas reagruparam-se no parque de Arbolito e, de acordo com a agência Reuters, os protestos baixaram de tom. Nas últimas décadas, os protestos liderados por indígenas já derrubaram três Presidentes no país.

Vários edifícios estão cobertos de graffiti com críticas ao Presidente Moreno e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Vários lojistas tentam limpar as ruas, onde há pedras soltas e destroços resultantes dos protestos.

Esta quarta-feira, a ministra do interior, Maria Paula Romo, pediu desculpas ao país após a polícia ter utilizado gás lacrimogéneo junto a duas universidades e a um centro cultural na capital Quito, onde se situavam zonas seguras para os manifestantes.

Produção de petróleo afetada

O ministro da Energia, Carlos Perez, avançou que a produção de petróleo no país já baixou em 520 mil barris face ao projetado, devido a ocupações de infraestruturas do setor. O Equador, que é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, produzia cerca de 500 mil barris por dia.

Protestos no Equador. Presidente abandona capital e impõe recolher obrigatório
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O preço dos combustíveis está precisamente na origem do caos no país, devido ao fim de um subsídio estatal. Os novos preços entraram em vigor há uma semana, começando por gerar distúrbios liderados por motoristas de táxi, de autocarros e camionistas, que bloquearam ruas em Quito e em Guayaquil, uma cidade portuária, na costa do Pacífico.

O gasóleo passou de 1,03 para 2,30 dólares (2,10 euros) por galão (cerca de 3,7 litros), enquanto a gasolina aumentou de 1,85 para 2,39 dólares por galão. O Governo sustenta que a medida é necessária para dinamizar a economia e travar o tráfico de gasóleo e gasolina.

Em conferência de imprensa, o Presidente Lenin Moreno argumentou que os subsídios em vigor nos últimos 40 anos são uma medida “perversa”, com um grande custo para o Estado e que provoca distorções na economia. "Não vejo razões para me demitir quando estou a tomar as decisões corretas”, afirmou esta terça-feira, numa entrevista transmitida no canal de televisão Teleamazonas.

O país atravessa uma crise económica e acordou em maio com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de mais de 4,2 mil milhões de dólares, que inclui um pacote de reformas como uma das contrapartidas. Moreno chegou ao poder como candidato apoiado pelo Aliança PAIS, de centro-esquerda, mas é acusado de ter guinado à direita e de levar agora a cabo políticas neoliberais.

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