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Legislativas 2019

Conferência Episcopal Portuguesa preocupada com elevada abstenção

08 out, 2019 - 16:43 • Teresa Paula Costa

Segundo o porta-voz da CEP, padre Manuel Barbosa, os números da abstenção "podem significar uma exigência de maior dignificação da ação política".
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O Conselho Permanente da Conferência Episcopal manifestou-se preocupado, esta terça-feira, com a abstenção nas eleições legislativas do passado domingo.

Em conferência de imprensa em Fátima, o porta-voz Padre Manuel Barbosa manifestou “o respeito pela vontade popular”, mas, ao mesmo tempo, “alguma preocupação pela abstenção”. Segundo os bispos, a abstenção “pode significar muita coisa e os agentes políticos devem também analisar, e certamente o farão, mas pode também significar uma exigência de maior dignificação da ação política.”

Questionado sobre se os bispos estão preocupados com a entrada no Parlamento português de partidos da extrema-direita, o sacerdote ressalvou que a questão não foi analisada na reunião. Todavia, afirmando que “numa democracia, há que respeitar a pluralidade de opiniões”, o sacerdote ressalvou, porém, que “quando são contrários aos princípios da vida e das pessoas temos, naturalmente, de cuidar para que isso não aconteça.”

Nesta conferência de imprensa o Padre Manuel Barbosa revelou também que os bispos estão preocupados com “os possíveis efeitos negativos da conjuntura económica europeia, que podem pôr em causa o crescimento económico e o bem comum.” Dando como exemplo o brexit, o sacerdote lamentou que “não sabemos o que vai acontecer.”

“Não é dizer que vimos sinais negativos, é aquilo que está na agenda e que se prevê que possa influenciar este processo de crescimento económico e social”, acrescentou.

Perante os jornalistas, o porta-voz da Conferência Episcopal deixou ainda uma mensagem dos bispos aos eleitos neste domingo “para, na sua ação política, cuidarem da estabilidade, da paz social e da justiça, do incremento da solidariedade social na atenção aos mais pobres e às instituições de solidariedade social”, mas “também o respeito pela dignidade humana integral, pelos valores da vida e da família”, adiantou o sacerdote.

Bispos acompanham o Sínodo da Amazónia com oração

Nesta conferência, o Padre Manuel Barbosa anunciou ainda que os bispos acompanham com a oração, como o Papa pediu, os trabalhos do Sínodo da Amazónia. Admitindo que o assunto não esteve em cima da mesa desta reunião, o sacerdote considerou que se trata de “um processo” e disse acreditar que “daí possam vir sugestões para a própria Igreja, para a presença da Igreja e sobretudo para as próprias pessoas que ali habitam”.

Questionado pelos jornalistas sobre a inclusão, no documento de trabalho, de um ponto sobre a possível ordenação de homens casados, o sacerdote admitiu que “há um conjunto de matérias que desafiam a própria Igreja para uma pastoral efetiva naquela zona”. Quanto ao ponto em causa, o padre Manuel Barbosa salientou que as sugestões incluídas no documento de trabalho “são para a Amazónia e para as zonas mais remotas da Amazónia, reconhecendo o valor do celibato e abrindo a que se estude a possibilidade”. E frisou que “é preciso acompanhar aqueles que acreditam na oração, na preocupação de que as comunidades da Amazónia tenham a vida cristã.”

Votos de pesar por Freitas do Amaral

Na sua reunião os bispos manifestaram também um voto de pesar pelo falecimento de Freitas do Amaral. Para os bispos, o político “teve um papel relevante na consolidação da democracia em Portugal” e deu “tantos outros contributos à sociedade, à política, à cultura, à vida académica quer a nível nacional quer internacional.”

Outro voto de pesar foi expresso pela morte da economista Manuela Silva, “uma mulher de causas sociais, pelo testemunho e empenhamento que ela colocava em todas essas causas, quer quando exerceu cargos governamentais, quer sobretudo na Comissão Nacional Justiça e Paz”.

O Padre Manuel Barbosa disse tratar-se de “uma mulher que conhecia bem a Doutrina Social da Igreja e dela dava testemunho na defesa dos seus grandes princípios”.


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