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PS critica silêncio do governo quanto à aquacultura

15 set, 2019 - 19:09

No entendimento de Paulo Cafôfo, existe uma pressão para a ocupação do espaço marítimo no Arco da Calheta, que pode pôr em causa o turismo e o ambiente.
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O cabeça de lista do PS às eleições legislativas na Madeira, Paulo Cafôfo, criticou este domingo o "silêncio absoluto do Governo" Regional em relação à aprovação de cinco novas áreas de aquacultura na zona da Calheta.

Paulo Cafôfo visitou na manhã deste domingo as jaulas de aquacultura localizadas no Arco da Calheta e criticou a forma como o atual Governo Regional, do PSD, tem gerido esta pasta.

Estão previstas na Calheta cinco zonas de interesse para aquacultura, o que, segundo o PS, põe em causa todo o setor do turismo -- devido às estruturas a instalar -, bem como a proteção ambiental.

"O mar é um recurso natural que pode e deve ser potenciado na ótica de diversificação da economia, mas não a qualquer custo", disse o candidato durante a visita.

No seu entendimento, existe uma pressão para a ocupação do espaço marítimo.

"Queremos desenvolver a economia do mar, mas não pode ser desta forma como assistimos aqui na Calheta. O mar pode ser o novo motor económico da região, mas tem de haver uma conciliação de vários fatores. Não podemos colocar em causa os interesses das pessoas, não podemos ter estruturas que afetem o ecossistema marinho, não podemos colidir com o turismo, a principal área de atividade da Madeira", sublinhou Paulo Cafôfo.

No entendimento do candidato, tem de existir uma conciliação entre os recursos naturais e o setor do turismo e, por outro lado, tem de haver algum retorno para as populações.

"Os municípios onde se pretende instalar este tipo de economia de aproveitamento do mar não vão ser beneficiados. Estamos a falar de concelhos como a Calheta, Ponta do Sol e Ribeira Brava", referiu.

Para a candidatura, não se pode "matar a galinha dos ovos de ouro que é o turismo": "Somos defensores da economia do mar, mas não pode ser desta forma nem a todo o custo", insistiu.

Na sua opinião, existem outras formas de aproveitar a aquacultura, através de outras técnicas. Quem governa, sublinhou, "deve salvaguardar o interesse público, que tem de estar acima de tudo, e as populações têm de ser ouvidas".

Paulo Cafôfo destacou que a forma como o "Governo Regional tem gerido a questão da aquacultura é reveladora da postura autoritária e de indiferença com que se dirige à população".

"Esta postura do 'quer queiram, quer não' é seguida pelo ainda presidente do Governo Regional em vários dossiês ligados ao ambiente. Vejam o caso da Laurissilva e da ideia de alcatroamento da Estrada das Ginjas, um Património da Humanidade, que não está a ser respeitado", acusou.

De acordo com o candidato, o Governo não quer levantar polémicas depois de ter aprovado as estruturas de aquacultura.

As eleições legislativas regionais da Madeira decorrem em 22 de setembro, com 16 partidos e uma coligação a disputar os 47 lugares no parlamento regional.

Nas regionais de 2015, os sociais-democratas seguraram a maioria absoluta - com que sempre governaram a Madeira - por um deputado, com 24 dos 47 parlamentares.

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