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PAN propõe défice de 0,5%, Costa prefere margem para “crise” que “pode um dia acontecer”

11 set, 2019 - 22:29 • João Pedro Barros

Em debate na SIC, André Silva acusou o Governo de hipotecar as gerações futuras. Temas ambientais foram centrais.
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Como seria de esperar, foram as temáticas ambientais a ocupar boa parte do debate desta quarta-feira, na SIC, entre o primeiro-ministro António Costa e André Silva, mas o momento porventura mais interessante teve a ver com economia. O líder do PAN frisou a proposta de um défice orçamental de 0,5%, em vez do superavit previsto já para 2020, mas o socialista prefere prudência, porque o “diabo” pode estar atrás da porta.

“É importante, numa fase em que não há crise, que haja uma política económica equilibrada, que aumentou os rendimentos, ao mesmo tempo que há uma redução de défice e da dívida. Se houver uma crise, os mecanismos automáticos gerarão automaticamente algum défice e Temos de ter alguma margem”, afirmou Costa.

Antes, André Silva tinha sugerido exatamente o contrário: “Preferimos que haja um défice de 0,5%, que nos dê uma margem de 1.000 milhões para acomodar alguns benefícios sociais e fiscais e ter alguma folga para poder fazer investimentos públicos muito necessários e que o próprio António Costa já disse que era preciso fazer”.

O primeiro-ministro salientou os “saldos primários positivos”, que permitem uma “trajetória sustentada de redução do défice” e que dá uma margem para “uma crise que pode um dia acontecer”. “Não está no cenário de ninguém que isso seja iminente, mas pode acontecer”, admitiu.

A economia contra os habitats

Num debate em que Costa procurou várias vezes sublinhar as convergências entre o PAN e o seu partido, o momento de ataque mais forte de André Silva teve a ver com o que considera ser a evolução ainda insuficiente dos socialistas em questões ambientais. O deputado acusa o Governo de hipotecar as gerações futuras ao colocar "a primazia do crescimento económico relativamente à conservação dos habitats e dos ecossistemas".

A questão do encerramento das centrais termoelétrica do Pego e de Sines, que André Silva considera que devia ser antecipada face ao calendário atual – que aponta para 2023 e 2025-30, respetivamente – foi um dos temas, assim como “o olival intensivo no Alentejo”: “Tem um gasto de água excessivo, não admissível num contexto de alterações climáticas.

Aqui chegados, António Costa considerou que a divergência entre os dois projetos “começa no ponto do exagero”.

“No Alqueva, o que fizemos foi suspender qualquer apoio. Devemos evitar esse excesso de concentração, mas não nos podemos comportar como um país que não precisa de aproveitar da melhor forma possível os recursos naturais. São fundamentais para dependermos menos do exterior”, resumiu.

Nomeações familiares e justiça

Nas perguntas finais, a moderadora Clara de Sousa colocou questões hipotéticas a ambos os participantes. António Costa garantiu que o seu filho não aceitaria entrar para um Governo liderado por si nem nenhum ministro o iria convidar, enquanto André Silva foi confrontado com a proposta do PAN de promover a reconciliação entre vítimas de crimes violentos e os condenados.

“Há que mudar de paradigma e começar a construir pontes para uma sociedade mais equilibrada, mais harmoniosa e menos violenta. É fundamental lutarmos por uma justiça regenerativa”, frisou André Silva.


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