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Rui ​Rio "muito, muito crítico" da atuação do Banco de Portugal

10 set, 2019 - 16:29 • Paula Caeiro Varela

Num almoço-debate da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, líder do PSD afirmou que não deseja uma "Geringonça" de direita de qualquer maneira.
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O presidente do PSD, Rio Rio, critica a atuação do Banco de Portugal (BdP) ao longo dos últimos anos e afirma que não quer uma maioria de direita de “qualquer maneira”.

Num almoço-debate da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, Rui Rio disse que várias administrações do Banco de Portugal falharam na supervisão.

"Obviamente que nenhum português pode ver a atuação do Banco de Portugal nos últimos anos - num sentido muito alargado, não é nos últimos dois ou três anos - com bons olhos como é evidente. Se o BdP tivesse estado atento, se tivesse intervindo, se o BdP tivesse sido mais independente do próprio sistema, nunca teríamos chegado à situação que chegámos nos mais diversos bancos, para não falar só no BES", referiu Rio.

O líder social-democrata lembrou que, no caso do Banco Espírito Santo, isso levou até o então Presidente da República, Cavaco Silva, a dizer que estava tudo bem com o banco, que acabou por colapsar pouco tempo depois.

"Afirmações feitas sobre o GES e o BES demonstram que o Banco de Portugal não estava bem ciente do problema, quando diz que o GES estava mal e o BES estava bem - levaram na altura o próprio Presidente da República [Cavaco Silva] a fazer essa afirmação -, demonstra falta de conhecimento", considerou Rio.

"Tinha de ter muita prudência, sob pena de enganar as pessoas, como enganou muitas, que perderam ainda mais dinheiro", afirmou, justificando o seu olhar "muito, muito crítico" sobre a atuação das "várias administrações" do banco central.

Rui Rio foi questionado, também, sobre a hipótese de uma “Geringonça” à direita. O líder social-democrata aproveitou para esclarecer que não defende uma maioria à direita só porque “sim”, é preciso haver uma estratégia.

“Apoio uma maioria à direita, mas não na lógica de ‘Geringonça’, não na lógica de: ‘deixa lá ver como é que a gente soma 116 deputados de qualquer maneira’. Somar 116 deputados de qualquer maneira, não. Somar 116, 117 ou 118 com sentido estratégico, obviamente que sim”, defende Rui Rio.

Neste almoço-debate da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, Rui Rio reiterou algumas prioridades do programa eleitoral do PSD, como a economia, ambiente, saúde e reformas estruturais, com um dos 'vices' desta instituição, o antigo líder do CDS-PP Paulo Portas, na assistência e ao seu lado na mesa de honra.

Perante uma plateia de empresários, Rio defendeu que para conseguir cumprir a promessa do PSD de "melhores empregos e melhores salários", é preciso "fazer o contrário" do que aconteceu nos últimos quatro anos" de Governo PS apoiado numa maioria de esquerda, apostando mais nas exportações do que no consumo privado.

Na saúde, reiterou a ideia de que "gerir um hospital é como gerir uma empresa" -- com a diferença que os hospitais 'produzem' serviços de saúde -- e prometeu prioridade ao ambiente, "mesmo que não dê grandes votos".

Sobre reformas estruturais, reiterou que estas têm de ser feitas "num consenso o mais alargado possível".

"Se queremos efetivamente mudar o sistema político ou reformar a justiça não há nenhum partido, nem que tenha maioria absoluta, que um dia o consiga fazer", defendeu, garantindo que o PSD irá sempre "liderar" este movimento a favor de reformas, seja qual for o resultado das legislativas de 06 de outubro.

No final do almoço, questionado pelos jornalistas porque motivo não se consegue aparentemente entender com o PS em matéria de transportes - depois de críticas do primeiro-ministro, António Costa, nos últimos dias às opções do PSD na área da ferrovia e do futuro aeroporto de Lisboa -, Rio considerou que, nestes casos, não se trata de reformas estruturais, mas de investimentos estruturais.

"Quando falamos, por exemplo, nos transportes estamos a dizer se há mais ou menos investimento ou se o comboio anda um bocadinho mais depressa ou um bocadinho mais devagar", apontou.

O líder do PSD repetiu que, no programa do PSD, "ninguém está a falar de TGV".

"O TGV aplicado a Portugal significaria fazer Porto-Lisboa numa 1 hora e 15 minutos, não é disso que estamos a falar. Estamos a falar de comboios de alta velocidade, que dão mais de 200 km por hora, não estamos a falar de comboios que andam a 300 e tal quilómetros por hora", referiu.


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