Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

​Evitar factos consumados no lítio

27 ago, 2019 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Há quem defenda que o nosso país não pode desperdiçar a oportunidade de desenvolvimento que será a exploração de lítio. Mas também existe quem veja nessa exploração uma perigosa ameaça ambiental. Não são aceitáveis factos consumados.

No princípio de julho o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, garantiu na Assembleia da República que a exploração de lítio não avançará sem um estudo de impacte ambiental positivo. Estudo que deverá avaliar as consequências dessa exploração para a fauna e a flora.

Acrescentou então o ministro que “Portugal é um país rico num recurso que é absolutamente fundamental para a transição energética que é o lítio” (trata-se das baterias). Por isso foram definidas 12 zonas com elevado potencial para a existência de lítio. Dessa dúzia foram retiradas três áreas ambientalmente sensíveis – ficaram nove. Mas falta o tal estudo de impacte ambiental – ou haverá algum (que não é público) que já terá dado luz verde para as tais nove áreas?

No passado sábado cerca de 400 pessoas participaram na Torre, o ponto mais alto da Serra da Estrela, numa ação organizada por um grupo de cidadãos e associações ambientais contra a exploração de lítio em Portugal. Samuel Infante, da associação ambientalista Quercus, referiu que, se o Governo avançar com a campanha de exploração de lítio, “Portugal não vai conseguir cumprir a neutralidade carbónica”.

Parece que os contratos de explorações de lítio em Portugal estarão prestes a serem assinados. Há quem defenda que o nosso país não pode desperdiçar esta oportunidade de desenvolvimento. Sei de um autarca situado numa dessas nove áreas que está entusiasmado porque vão ser ali criados vinte postos de trabalho...

Mas também existe quem veja na exploração de lítio uma perigosa ameaça ambiental. Várias câmaras rejeitaram a mineração de

lítio no seu concelho, como Braga, Fafe, Oliveira do Hospital, Caminha, Ponte do Lima, Viana do Castelo, Vila Nova da

Cerveira, etc.

Cabe, assim, ao ministério do Ambiente esclarecer a opinião pública nacional sobre esta matéria controversa. Antes, e não depois, de o Estado português assumir quaisquer compromissos com empresas quanto à exploração de lítio no país. Não são aceitáveis factos consumados.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Romeu Vieira
    27 ago, 2019 Funchal 13:33
    Caro Francisco Sarsfield Cabral, preparou mal o texto do ponto de vista técnico, pois não vão a concurso áreas de exploração mineira, mas sim áreas de Prospecção e Pesquisa. Fora dessas nove áreas existem sim 3 projetos para extração de lítio: Mina do Barroso (Covas Barroso, Savannah, Concessão mineira de quartzo e feldspato, aguardar finalização do EIA para plano de lavra para extração de lítio); Sepeda (Morgade, LusoRecursos, concessão mineira condicionada pela aprovação de EIA) e Argemela (Fundão, PANNN, exploração mineira experimental condicionada pela aprovação de EIA). Não podemos, se queremos devidamente informar, confundir prospecção e pesquisa com exploração mineira. Obrigado
  • João Lopes
    27 ago, 2019 12:45
    Excelente artigo!
  • Luso
    27 ago, 2019 olisipo 09:38
    Com implementação do Nónio os comentários são praticamente inexistentes.O Litio e ainda bem que colocou o etc foi polémica em CHAVES/MONTALTGRE pela exploração em zonas agrícolas e habitacionais e suas consequências.As baterias leia-se substituição dos combustíveis fosseis pela energia elétrica vai ser um moda de curta duração pois a inovação irá encontrar alternativas menos poluentes,existe lítio tb america central.O circuito completo dos veículos desde a cablagem ,baterias,tempo útil de utilização e abate dizem ser mais poluentes a nível mundial que os atuais veículos a solução ecológica que ninguém quer será motores a ar comprimido a hidrogénio quando controlarem a sua instabilidade. É evudente que as alternativas mais ecol ogicas são menos rentáveis para empresas e governos.A total mobilidade elétrica que produz veículos mais caros e com autonomia reduzida e recarga morosa é impossível pois não temos eletricidade para tanto consumo .Evidentemente que resolve poluiçao cidades mas não a nível global e é esta que interessa par que a humanidade possa ter mais anos na TERRA mas conhecendo o ciclo da mesma vai acabar.Alternativa deveria ser a exploração do espaço com construçao de naves que igualem ou ultrapasse a velocidade da luz e encontrar planetas que suportem vida humana.As socidades excessivamente regulamentadas e poucoco viradas para a inovação e crescimento e estimulação das tecnologias e liberdade de atuação empresas como EU são mais saqueadoras e iliberais n permiti