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Médicos Sem Fronteiras descrevem cenário crítico a bordo do “Ocean Viking”

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Médicos Sem Fronteiras descrevem cenário crítico a bordo do “Ocean Viking”

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23 ago, 2019 - 09:30 • Redação

Navio resgatou 365 migrantes ao largo da Líbia. Organização diz que a situação se deteriora todos os dias e defende o desembarque imediato num local seguro.

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Há mais um navio no Mediterrâneo com migrantes à espera de atracar na Europa. O “Ocean Viking” resgatou mais de 350 pessoas ao largo da Líbia e está há quase duas semanas no mar.

A situação é cada vez mais difícil a bordo, como confirmou à Renascença Hannah Wallace Bowman, dos Médicos Sem Fronteiras. “Neste momento, a situação está num estado de crescente tensão, pois estamos a ficar sem mantimentos - estimamos que temos cerca de cinco dias de rações normais e 13 dias após alguns salvamentos - isto porque fizemos o primeiro salvamento no dia 9 de agosto. Além disso, começa a ser difícil explicar o porquê de não podermos desembarcar”, descreve.

A coordenadora de comunicações dos Médicos Sem Fronteiras revela que os primeiros pedidos para desembarcar foram feitos a Malta e a Itália, mas a resposta foi negativa. “A situação é difícil e, por agora, não sabemos como pode ser resolvida. No entanto, é claro que a urgência é crescente e a equipa médica está preocupada com o estado de deterioração da saúde mental das pessoas salvas”, sublinha.

Por agora, estes 356 migrantes continuam no Canal da Sicília, entre Malta e Lampedusa, aguardando por autorização para chegar a terra firme.

Hannah Wallace Bowman relata que uma “porção significativa das pessoas a bordo são crianças e estão sozinhas…são miúdos essencialmente”.

Nestas declarações, a mesma responsável lembra o desespero que os levou a enfrentam os perigos desta travessia. “Estou certa que pode imaginar o quão difícil é meter-se num frágil barco de borracha e arriscar a vida em vez de permanecer e suportar as condições na Líbia. Isto apenas para ouvir uma e outra vez que não se é bem-vindo e não se é digno. Estamos a tentar assegurar a estas pessoas que, aconteça o que acontecer, não as vamos levar de volta”.

Portugal já se disponibilizou para receber 35 pessoas, à semelhança de outros quatro países, respondendo a um apelo da Comissão Europeia.

O país tem participado ativamente em todos os processos de acolhimento, nomeadamente dos resgatados pelos navios Open Arms, Lifeline, Aquarius I, Diciotti, Aquarius II, Sea Watch III, Alan Kurdi e outras pequenas embarcações, tendo o país acolhido desde 2018 um total de 132 pessoas.

Contudo, apesar desta disponibilidade solidária o Governo português defende uma solução europeia integrada, estável e permanente para responder ao desafio migratório.

O “Open Arms”, com 100 pessoas a bordo, esperou 19 dias pela luz verde para desembarcar os passageiros na ilha italiana de Lampedusa.

O site da Organização Internacional para as Migrações (OIM) avança que este ano já chegaram à Europa 57.911 migrantes, dos quais mais de 45 mil por via marítima. Os mesmos dados revelam que 859 pessoas estão dadas como desaparecidas ou mortas.

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