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Greve dos motoristas. Governo apela “às partes” que se entendam

18 ago, 2019 - 12:19

No habitual balanço diário, ministro do Ambiente revela que são cada mais os postos não-REPA com combustível suficiente. Este domingo, é dia de plenário de motoristas.

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É forte a expectativa do Governo face ao plenário de motoristas deste domingo. O ministro do Ambiente acredita existirem condições para a greve ser suspensa.

“Num dia de plenário, um apelo às partes para um entendimento e que a greve chegue ao fim”, afirmou João Pedro Matos Fernandes na habitual comunicação à comunicação social.

O ministro considerou o comunicado da Antram, no sábado, “um bom sinal”, pelo que “o Governo tem a forte expectativa de que o único sindicato que ainda se encontra em greve” decida suspender o protesto e assim “se inicie este processo de mediação, procurando neste processo uma outra forma de defender os legítimos interesses dos seus trabalhadores”.

Questionado sobre uma eventual reunião já marcada entre as partes e o Governo para a próxima terça-feira, dia 20, Matos Fernandes afirmou que não existe “a marcação de qualquer reunião, com a certeza de que se, de facto, hoje o plenário desistir da greve, essa reunião será marcada imediatamente, nem vejo razão para que não seja já amanhã, segunda-feira”.

O plenário dos trabalhadores afetos ao Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) está marcado para as 16h00 e, por causa disso, “há seis equipas das Forças Armadas em prontidão [para fazer transportes de carga], caso os trabalhadores, muito legitimamente, queiram estar presentes no plenário”, anunciou Matos Fernandes.

Postos abastecidos

Quanto ao stock de combustível disponível, o ministro do Ambiente garante que é agora “muito baixo o número de postos sem combustível neste país”.

“A variação é positiva nos postos da rede geral, que é hoje de 48%, o que significa que começa a haver também um cada vez maior abastecimento dos postos que não são REPA que são, aliás, o maior número dos postos do país”, afirmou.

“Dizer também que todas as unidades autónomas de gás estão abastecidas”, acrescentou o ministro. “Existem sobretudo no interior norte do país e no Algarve. Estão abastecidas e não revelam nenhuma preocupação”, referiu.

Quanto ao número de cargas, até às 11h30 foram efetuadas 60 das previstas para o dia de hoje. Como é domingo, apenas os aeroportos são abastecidos.

Ainda assim, “as duas refinarias – Sines e Leça da Palmeira – e CLC [Companhia Logística de Combustível] estão em prontidão para satisfazer qualquer abastecimento que seja necessário”, destacou o ministro João Pedro Matos Fernandes.

No que diz respeito à “utilização das Forças Armadas, tem vindo a reduzir-se” e, “durante a noite, não houve sequer utilização” dessas forças.

“Desde as 7h00 [deste domingo] que há três equipas das Forças Armadas a fazer transporte de Aveiras para o aeroporto de Lisboa, substituindo três baixas que foram declaradas hoje, durante a noite”, adiantou.

Matos Fernandes referiu ainda que, no sábado, os serviços mínimos foram "ultrapassados", tendo sido "cumpridos a 123%".

Este domingo cumpre-se o sétimo dia de greve dos motoristas de matérias perigosas afetos à SNMMP. A paralisação começou na segunda-feira, 12 de agosto, por tempo indeterminado, para reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

De início, era um protesto conjunto, entre o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e o Sindicato Independente dos Motoristas (SIMM), mas este último desconvocou a greve na quinta-feira à noite, após acordo com a Antram.

No sábado à tarde, a Associação das Empresas de Transportes de Mercadorias (Antram) disponibilizou-se para integrar um processo de mediação junto da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), afirmando ser convicção da "associação que um processo de mediação, realizado em clima de paz, poderá conduzir à solução do problema".

Na resposta, o porta-voz do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques, disse ver com agrado a disponibilidade da associação, mas ressalvou ser necessário que a base de entendimento já debatida seja aceite.

O SNMMP divulgou mesmo um comunicado a apelar à Antram para aceitar a proposta de compromisso que o Governo articulou com a força sindical, abrindo "caminho para a paz duradoura".

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