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“Fazer mais e melhor”. Horta Osório, Rui Nabeiro e mais empresários reagem à morte de Soares dos Santos

17 ago, 2019 - 16:10 • Redação com agência Lusa

O antigo líder do grupo Jerónimo Martins morreu na sexta-feira aos 84 anos. “Tudo me correu bem”, pelo que “sou um tipo feliz”, disse em 2013. Deixa ao país um legado em várias áreas da sociedade
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Horta Osório, presidente do Lloyds Bank, destaca a "visão estratégica e sentido de responsabilidade notáveis" de Alexandre Soares dos Santos, que aliou o sucesso empresarial a uma "forte vontade de contribuir para o desenvolvimento do país".

O ‘CEO’ reage em comunicado à morte do ex-presidente do grupo Jerónimo Martins, na sexta-feira, vítima de cancro. "Alexandre Soares dos Santos foi um empresário com uma visão estratégica e sentido de responsabilidade notáveis na maneira como conduziu os negócios da sua família ao longo dos últimos 50 anos", considera numa declaração escrita enviada à agência Lusa este sábado.

“Sempre com enorme foco na constituição e desenvolvimento de bons quadros”, Soares dos Santos "tornou o seu grupo líder na distribuição em Portugal e na Polónia", defende Horta Osório, notando ainda a associação deste “sucesso empresarial a uma forte vontade de contribuir para o desenvolvimento do país através das fundações que criou”.

"Possuindo um enorme sentido de família, soube preservar a unidade e controlo familiar do grupo, em simultâneo com o profissionalismo das respetivas administrações e equipas de gestão", sublinha o presidente do Lloyds Bank, que é também administrador não executivo da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, ‘holding’ da família.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos foi fundada em 2009 e gere hoje o portal "Pordata", Base de Dados do Portugal Contemporâneo. É ainda responsável pelo lançamento de uma coleção de livros de ensaio, a preços reduzidos, sobre temas da atualidade.

A liderança de Alexandre Soares dos Santos no grupo Jerónimo Martins (que começou com uma pequena loja no Chiado, em Lisboa) fica marcada pela criação de um dos maiores grupos de distribuição em Portugal.

No panorama sociopolítico, o empresário pode ser recordado pelas intervenções críticas sobre a conjuntura político-económica e os seus protagonistas. Afirmava-se como um homem “nem de esquerda nem de direita”.

“Sou é cristão”, afirmou ao “Público” em 2012. “Hoje, a minha grande preocupação é saber como vivem as pessoas que trabalham connosco. Sou católico crente, praticante e gostava, se na realidade houver alguma coisa para lá [da morte], de encontrar o meu pai e ter umas conversas com ele”.

Ainda este ano, afirmou ao “Observador” que “os pobres se fizeram para a gente os transformar em classe média e depois subirem se possível. É para isso que a gente luta”.

Rui Nabeiro. “Há homens que deviam ficar mais tempo entre nós”

O presidente do Grupo Nabeiro disse este sábado sentir-se "muito triste" com a morte do empresário Alexandre Soares dos Santos, um empresário que tinha a ambição de "prestar serviço à comunidade".

“É com muita tristeza que se vê desaparecer um grande homem, grande empresário. É um momento de reflexão", referiu à agência Lusa.

"Eu conhecia-o bem, éramos amigos e era meu cliente. Havia muita consideração de parte a parte. Sinto muita tristeza. É o caminho de todos, é certo, mas há homens que, dada a sua atitude, deveriam permanecer mais tempo entre nós", defendeu o comendador.

Para Rui Nabeiro, o antigo presidente da Jerónimo Martins "é quase um caso único no trabalho de retalho e de representação. Um homem com força, vontade e capacidade".

"Pensava sempre no amanhã e em querer fazer melhor e mais, não por uma ambição apenas de querer ter, mas de prestar serviço à comunidade", acrescentou.

AEP. Morreu "um dos maiores empresários das últimas décadas"

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) lamenta a morte de Alexandre Soares dos Santos, afirmando tratar-se de "um dos maiores empresários portugueses das últimas décadas" e uma "referência incontornável" para os empreendedores.

"Nesta última homenagem, a AEP recorda a figura de grande relevância de um dos maiores empresários portugueses das últimas décadas, uma referência incontornável para muitas gerações de empreendedores portugueses e estrangeiros", refere a associação em comunicado à imprensa.

A associação destaca como o trabalho de Alexandre Soares dos Santos impulsionou a "Jerónimos Martins para um reconhecimento que muito tem contribuído para a afirmação de Portugal no exterior".

Na vida social e cultural portuguesa, a AEP realça também o contributo de Alexandre Soares dos Santos, através do trabalho desenvolvido na Fundação Francisco Manuel dos Santos.

“Com uma atividade muito vincada no setor da grande distribuição, destacou-se também pelo seu papel de gestor, nos negócios, na cultura e na identidade e valores que deixa para sempre ao mundo empresarial”, escreve.

AIP destaca "acutilância e coragem" do "grande empresário"

A Associação Industrial Portuguesa (AIP) destaca, numa nota à imprensa, a "forma acutilante e corajosa" das intervenções de Alexandre Soares dos Santos na reflexão e discussão pública.

“É uma das maiores referências do empresariado português e um dos maiores investidores e empregadores da economia nacional", lê-se na nota.

"Além de ter constituído o maior grupo empresarial português, distinguiu-se pela forma acutilante e corajosa como intervinha na reflexão e discussão da política económica e social do país", acrescenta o texto, assinado pelo presidente da associação, José Eduardo Carvalho.

A associação de empresários portugueses manifesta "profundo pesar" pela perda e endereça condolências à família do antigo presidente da Jerónimo Martins.

Empresas de distribuição sublinham "contributo decisivo para modernização"

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) considera que Soares dos Santos deixa um "legado que vai além das empresas".

"Personalidade incontornável na distribuição em Portugal, teve um contributo decisivo para a modernização não só do setor, mas também da atividade empresarial no nosso país", assinala a APED, numa nota de imprensa a propósito da morte de Alexandre Soares dos Santos.

A associação recorda ainda o empresário como um "cidadão socialmente empenhado", que deixa "um legado que vai além das empresas, como provam as diversas iniciativas que lançou para mobilizar a sociedade civil".

"A APED presta, assim, homenagem a uma figura de relevo, independente e frontal, com um percurso empresarial e de cidadania estimulante que serve de exemplo para todos em Portugal", acrescenta, manifestando "pesar pelo falecimento de Alexandre Soares dos Santos" e apresentando "as mais sentidas condolências à sua família".

Confederação do Comércio reafirma importante na modernização do setor

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) lembra o papel importante que o empresário Alexandre Soares dos Santos teve na modernização do setor em Portugal.

Lembrando o antigo presidente da Jerónimo Martins como "uma personalidade polémica", João Vieira Lopes refere que o grupo foi "o único grupo português [que teve] uma internacionalização efetiva na área alimentar, em particular na Polónia e na Colômbia".

"Penso que isso são questões marcantes e importantes para a evolução do comércio em Portugal", afirmou.

Quanto ao futuro da empresa, João Vieira Lopes mostra-se despreocupado, referindo que o antigo presidente "preparou a sua sucessão com antecedência" e lembrou que "todas as empresas têm mudanças geracionais".

"É a lei da vida", concluiu.

Confederação dos Serviços enaltece ímpar percurso

A Confederação dos Serviços de Portugal salienta o "ímpar percurso" empresarial e de cidadania do antigo presidente da Jerónimo Martins.

"Apresentamos as mais sentidas condolências à família de Alexandre Soares dos Santos e enaltecemos o ímpar percurso empresarial e de cidadania de um Homem que procurou estar sempre à frente do seu tempo", lê-se numa nota da Confederação dos Serviços de Portugal (CSP) enviada à agência Lusa.

A CSP enalteceu o "contributo para Portugal" de Alexandre Soares dos Santos, quer seja na área da distribuição, quer noutros setores, onde defende que o empresário foi um símbolo de inovação e liderança.

"O seu percurso empresarial foi decisivo para a modernização da economia portuguesa, a sua personalidade tornou-o numa voz respeitada e o seu dinamismo foi indispensável para a criação de um grupo que é hoje uma referência internacional", acrescenta a confederação.

O antigo presidente da Jerónimo Martins morreu na sexta-feira em Lisboa. Foi condecorado em 2017 pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial.


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