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Estado da Nação

CDS e PSD alinham nas críticas: Costa governa "em modo de ‘reality show’”

10 jul, 2019 - 17:13 • Redação com Lusa

O deputado centrista Nuno Magalhães lembra que "o país real tem carga fiscal máxima e serviços públicos mínimos". Já do lado social-democrata, o líder parlamentar Fernando Negrão garante que o primeiro-minitro "tentou vergar a realidade à narrativa fantasiosa de que o Governo fez tudo bem".

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O CDS-PP acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de ser "excelente a anunciar" mas "péssimo a fazer", nomeadamente quanto à construção de novos hospitais, mas António Costa salientou que o Governo está "a cumprir" o que estabeleceu.

Durante o debate do estado da nação, que decorre hoje na Assembleia da República, em Lisboa, o líder do grupo parlamentar do CDS-PP começou por ironizar que no discurso do primeiro-ministro "qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência e qualquer fim da austeridade, que mais uma vez anunciou, é pura ficção". "O país real, governado por António Costa, tem a carga fiscal máxima e os serviços públicos mínimos", salientou Nuno Magalhães.

Para exemplificar a sua posição, o deputado do CDS-PP salientou que na saúde os profissionais estão "exaustos como nunca", existem "mais dívidas como nunca aos hospitais, cirurgias adiadas como nunca, mais tempos de espera para a realização de meios complementares de diagnóstico, mais equipamentos para substituir, mais hospitais sem verbas para adquirir medicamentos, mais tempos de espera nos cuidados continuados e, mais grave, cada vez mais tempos de espera para a primeira consulta".

"Senhor primeiro-ministro, isto é cumprir aquilo que prometeu? É o fim da austeridade? É que o senhor também prometeu que no final da legislatura todos os portugueses tinham médico de família", assinalou Nuno Magalhães, advogando que ainda existem "740 mil sem médico de família".

A par disto, o parlamentar indicou que também estão por construir "cinco novos hospitais - Lisboa, Sintra, Évora, Madeira e Seixal", mas após "quatro orçamentos, nem um" está em funcionamento. "Mais uma vez o senhor primeiro-ministro não cumpriu, não pode vir aqui dizer que cumpriu aquilo que realmente não cumpriu", elencou o líder parlamentar, acusando António Costa de cometer "sempre o mesmo erro, é excelente a anunciar, péssimo a fazer".

Quanto aos transportes, o deputado do CDS-PP defendeu que o Governo desceu os tarifários sem cuidar da oferta, salientando que o executivo "tem de prestar contas é desta legislatura". Em resposta, o primeiro-ministro salientou que os portugueses pagam hoje menos impostos e que a taxa de desemprego diminuiu face ao anterior Governo PSD/CDS-PP. Ainda assim, António Costa notou que Portugal não é "um país cor de rosa" nem "um oásis".

"Há problemas e perante os problemas procuramos soluções", salientou, admitindo que o Governo tem de "continuar a trabalhar para reduzir os tempos de espera" na saúde. "E vamos fazer mais, vamos continuar a trabalhar para cumprir o que está no Orçamento de Estado do lançamento dos cinco novos hospitais que referiu", garantiu, rematando: "estão no Orçamento de Estado e estamos a cumprir".

Ainda na saúde, Costa considerou que as contas apresentadas pelo CDS-PP "estão erradas", pois "700 mil são os portugueses que passaram a ter acesso a médico de família", e assegurou que no final desta legislatura "97% dos portugueses terão médico de família". "Não conseguimos chegar aos 100, é verdade, mas não conseguimos chegar aos 100 por ausência de recursos suficientes, de candidatos suficientes, não por falta de abertura de vagas, não por qualquer tipo de cativação", garantiu.

Assim, o primeiro-ministro mostrou-se convicto de que este objetivo "seguramente" será cumprido "no primeiro ano da próxima legislatura".

Quanto aos transportes, o primeiro-ministro destacou investimentos "na manutenção e no sistema de segurança" do metropolitano de Lisboa, que permitiram "aumentar a oferta em 5%". António Costa acusou também o CDS-PP de ser "contra a redução do tarifário" e antecipou que, se voltassem a ser Governo, a par com o PSD, "os passes sociais voltavam a subir e os portugueses voltavam a pagar o que pagavam antes pelo transporte público".

Negrão acusa Costa de falar de “país virtual” em que Governo “fez tudo bem”

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, acusou hoje o primeiro-ministro de falar de um “país virtual”, “para a fotografia”, “pintado de cor-de-rosa”, em que o Governo “fez tudo bem”, mas que é desmentido diariamente pela realidade.

“O que aqui ouvimos do senhor primeiro-ministro, hoje e sempre, foram consistentes tentativas de vergar a realidade à narrativa fantasiosa de que o seu Governo fez tudo o que estava ao seu alcance e que fez tudo bem”, criticou Negrão, na intervenção de fundo do PSD no debate do estado da nação, o último da atual legislatura. No entanto, para o líder parlamentar social-democrata, “esta narrativa de encantar é desmentida pela realidade todos os dias”, reiterando a acusação de governar em “permanente modo de ‘reality show’”.

Negrão apontou falhas na governação nas áreas da saúde, segurança social, educação, justiça, segurança, proteção civil ou nos apoios ao interior – que diz ter sido esquecido “porque não dá votos que cheguem para vencer eleições”. “Mas para o Governo está tudo bem”, ironizou.

O líder parlamentar incluiu no rol das falhas do executivo o roubo das armas de Tancos, considerando que se trata de uma “mancha indelével deste Governo”. “Hoje quando o primeiro-ministro diz que mantém a confiança no ex-ministro da Defesa, ninguém sabe ao certo se essa confiança se refere ao que Azeredo Lopes disse ou ao que o Azeredo Lopes não vai dizer”, apontou.

Negrão trouxe ainda ao debate o chamado ‘familygate’, dizendo que faz deste Governo “além de uma espécie grande albergue familiar, um caso de estudo mundial pelas piores razões”. “A tal ponto que levou a embaraçar o próprio senhor Presidente da República numa reunião do Conselho da Europa há cerca de um mês”, afirmou, sem especificar a que situação se referia.

O líder parlamentar do PSD considerou que “nenhum dos grandes objetivos proclamados pelo Governo foram alcançados”, e até a recuperação de rendimento foi “engolida por impostos, taxas e tachinhas”. “Para dar a alguns, o Governo tirou a todos. Para satisfazer a exigência de alguns, o Governo falhou com todos”, acusou.

Apontando o exemplo da Lei de Bases da Saúde – para a qual ainda não há acordo -, Negrão acusou o Governo de não ter levado a cabo “uma reforma digna desse nome” e de ter governado durante quatro anos “por um impulso de sobrevivência para evitar um naufrágio das suas forças políticas”. “Pela sobrevivência da geringonça, tudo foi suportável. Agora, falam da criatura como se não tivessem sido responsáveis pela sua criação”, criticou.

No final da sua intervenção, Negrão apresentou algumas das propostas alternativas do PSD já conhecidas do seu programa eleitoral, como a redução do IRC, das taxas de IRS e do IVA de bens essenciais. “Continuaremos a bater-nos, igualmente, por mais transparência na vida pública e pela ética na ação política. O combate à corrupção é, para nós, um desígnio nacional”, afirmou.

Numa intervenção aplaudida de pé pela sua bancada, apelou ao voto dos portugueses nas legislativas de 06 de outubro, pedindo para que o PSD que, começou legislatura como partido mais votado, também inicie dessa forma a próxima legislatura. “O PSD não tratará os portugueses como contribuintes inesgotáveis ou eleitores resignados, mas como ‘cidadãos livres’”, afirmou, dizendo parafrasear o discurso de António Barreto como comissário das comemorações do 10 de Junho de 2010.

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