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“Novo comissário europeu pode não ser indicado por este Governo”, diz Rangel

02 mai, 2019 - 06:15 • Graça Franco (Renascença) e Margarida Gomes (Público)

O cabeça de lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, considera extemporâneo que se fale sobre quem vai ser o sucessor de Carlos Moedas e avisa pra perda de representantes do PPE e do PSE.

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Paulo Rangel considera “precoce e prematuro” antecipar a discussão, em plena campanha para as eleições europeias, sobre quem vai ser o próximo comissário europeu porque, diz, “nada está garantido”. Questionado sobre se o PS deve ser claro quanto à escolha do sucessor do social-democrata Carlos Moedas, dizendo se vai indicar Pedro Marques para o lugar, o cabeça de lista do PSD ao Parlamento Europeu esfria euforias e adverte para uma previsível perda de representantes quer do Partido Popular Europeu (PPE) quer do Partido Socialista Europeu (PSE) nas eleições europeias deste mês.

“Em primeiro lugar, acho precoce que se esteja a falar sobre quem vai ser o comissário porque nada está garantido. Provavelmente, o PPE vai ter alguma perda e o Partido Socialista Europeu também terá alguma perda – e este até terá mais, dependendo de haver Brexit ou não (…)”, afirma o social-democrata, manifestando dúvidas de que seja este Governo a indicar o próximo comissário.

“O que nós estamos a assistir na Europa é que se demora quatro, cinco, seis meses a constituir Governo em cada país e, se isto for assim, já será um novo Governo a escolher o futuro comissário e não este”, defende o eurodeputado, insurgindo-se contra o facto de Pedro Marques ser candidato a eurodeputado e, ao mesmo tempo, estar a ser apontado para ocupar o lugar de Carlos Moedas, escolhido para mandatário nacional do PSD às eleições europeias. “Sinceramente, parece-me um pouco estranho que se crie esta ambiguidade que é: o ex-ministro [do Planeamento e das Infraestruturas] que é candidato a eurodeputado e que depois é candidato a comissário para ocupar a pasta que lhe correu pior como ministro, sendo que todas correram mal, diga-se de passagem”.

O cabeça de lista do PS às europeias, Pedro Marques, poderá ser o comissário europeu a designar pelo Governo, se Portugal ficar com o pelouro dos fundos estruturais na próxima Comissão Europeia.

Paulo Rangel. “Temos uma visão pragmática da Europa e não uma visão utópica como o PS”
Paulo Rangel. “Temos uma visão pragmática da Europa e não uma visão utópica como o PS”

Em entrevista ao Público e à Renascença, esta quinta-feira, Paulo Rangel não poupa nas críticas ao seu mais direto adversário pela “baixa taxa de execução dos fundos estruturais” enquanto ministro e aproveita também para zurzir na comissária europeia, Corina Crétu, responsável pelos fundos estruturais, que, recentemente, fez um vídeo a elogiar as qualidades de Pedro Marques como ministro do Planeamento e das Infraestruturas.

Com uma larga experiência europeia, o candidato do PSD a um terceiro mandato no Parlamento Europeu acusa a romena de “atacar os países da coesão, que são os mais pobres e que foram aqueles a sofrer maiores cortes”. “No caso de Portugal, sofremos um corte de 7% de acordo com o que está certificado pelo Tribunal de Contas Europeu. Isto não é discutível, não é como às vezes o PS diz”, assevera Rangel, garantindo que o relatório de 2 de março de 2019 do Tribunal de Contas Europeu refere que “Portugal

perde mil e 600 milhões de euros de fundos de coesão. Além dos 7% nos fundos, perde 25% no segundo pilar da Agricultura, perde 10% no primeiro pilar da Agricultura, perde no POSEI [Programa de Opções Especificas] e ainda perde nas ajudas de mercado. Enfim, perde em várias frentes”.

O cabeça de lista do PSD considera, por isso, “naturalíssimo” que Corina Crétu tenha elogiado o candidato do PS, através de um vídeo feito nas instalações da Comissão Europeia. “Ela só tem de lhe agradecer. Pedro Marques aceitou uma diminuição de 7% nos fundos estruturais. O que qualquer comissária deseja é um ministro que não lhe crie problemas, pelo contrário”, declara.

A este propósito, considera “curioso que a comissária europeia nunca tenha dito que Portugal é o número um” na execução dos fundos, como diz o Governo. “Ela nunca diz isso”, sublinha Rangel. “Aquilo que a propaganda quer vender, ela nunca diz, ela só agradece e agradece o quê? Esse favor que lhe foi feito que foi de dizer que a proposta da comissão é boa quando a proposta da comissão é má”.

Para Paulo Rangel, a “proposta é má para Portugal e má para a União Europeia porque a questão da coesão territorial, social e económica é fundamental para que a União Europeia funcione bem e para que haja confiança recíproca entre os Estados. Neste caso, Espanha sobe os fundos de coesão, Itália sobe, a Finlândia sobe e qualquer um destes países é bem mais rico do que Portugal. Como é que Portugal desce nas políticas de coesão? Isto não é explicável”.

A questão dos fundos de coesão é uma bandeira eleitoral dos sociais-democratas, uma medida que, na sua opinião, pode ajudar a combater a “falta de reformas económicas do Governo”

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