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Militares. Melhores salários em início de carreira não chegam para resolver problemas

12 abr, 2019 - 14:09 • Ana Rodrigues com redação

Ministro Gomes Cravinho quer aumento de efetivos das Forças Armadas nos próximos cinco anos.

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Os militares em início de carreira vão ter um salário mais elevado, ao nível do salário mínimo nacional, mas só isso não chega para resolver os problemas de recrutamento para as Forças Armadas.

Assim garantiu o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, em declarações à Renascença esta sexta-feira, no contexto da apresentação de um "plano de profissionalização" para as Forças Armadas que, entre outros, pretende aumentar o número de efetivos dos atuais 26 mil para 32 mil ao longo dos próximos cinco anos.

"Aquilo que nós sabemos do estudo é que os jovens que optam por um período nas Forças Armadas, em geral, são motivados por outros fatores, como o sentido de dever e vontade de pertencer a uma instituição com elevada carga simbólica representativa dos valores que partilham. Mas é evidente que o fator material não pode ser descurado", refere Gomes Cravinho. "É evidente que, no fim do mês, é preciso olhar para o que está no banco e pagar as contas."

Reconhecendo que "há um problema que vem de há muitos anos e que nunca conseguiu ser resolvido", o ministro refere que o que este Governo pretende "é intervir em várias áreas onde os problemas foram detetados e que têm a ver com o recrutamento, a retenção e a reinserção".

Fontes militares ouvidas pela Renascença referem que o serviço militar "continua a não ser atrativo para os jovens portugueses", o que acaba por se refletir "no número ainda insuficiente de efetivos nas Forças Armadas".

Face a isto, o ministro da Defesa garante que, agora, há pelo menos um rumo definido, na forma de um plano de ação para a profissionalização do serviço militar.

Queixas nos três ramos

Um documento que surgiu na sequência de um estudo coordenado pelo Ministério da Defesa torna evidentes as queixas dos militares, tanto em regime de voluntariado como contratados.

Os problemas são vários, entre eles os salários, embora não seja este o ponto que mais insatisfação gera entre os militares, refere à Renascença Helena Carreiras, coordenadora do estudo.

Segundo a especialista, "sendo conhecido 'a priori', [a questão dos salários] não é o fator que gera o crescimento da insatisfação", mas sim "fatores associados que têm a ver com a existência ou não de oportunidades de progresso profissional e a aplicação do regimento de incentivos".

Cerca de 60% dos militares da Marinha que participaram no estudo dizem-se insatisfeitos com o seu salário, queixando-se também das condições de apoio, das perspetivas de carreira e das tarefas que desempenham.

Já no Exército, os militares "mostraram baixos níveis de satisfação na generalidade dos indicadores". Na Força Aérea, a principal queixa está, como na Marinha, relacionada com os fatores remuneratórios.

Quanto ao futuro, a maioria dos inquiridos na Marinha e na Força Aérea diz que gostaria de ser integrado nos quadros. No Exército, só 9,6% indicou a mesma vontade, com a maioria a demonstrar preferência pelo ingresso nas forças de segurança.

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