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Professores iniciam greve a atividades durante as férias da Páscoa

11 abr, 2019 - 06:48 • Lusa

Fenprof diz que algumas escolas estão a convocar os docentes para atividades e reuniões a realizar em dias que deveriam ser de descanso.

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Os professores estendem a greve ao trabalho extraordinário a todas as atividades para que sejam convocados a partir desta quinta-feira, e até 22 de abril, período coincidente com a pausa letiva da Páscoa.

Segundo um comunicado da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), “esta decisão fica a dever-se ao facto de algumas escolas estarem a convocar os professores para atividades e reuniões a realizar em dias que deverão ser de descanso também dos docentes, o que é absolutamente indispensável nesta fase do ano letivo”.

“Só a não consideração da importância dos momentos de interrupção da atividade docente, designadamente no Natal e na Páscoa, como imprescindíveis para atenuar o desgaste provocado pelo exercício continuado da profissão, em constante adaptação aos grupos de alunos, pode justificar esta atitude de algumas direções de escolas. Uma situação a que não é alheio o exemplo que vem do Ministério da Educação, cujos responsáveis nada fazem para pôr fim aos abusos e às ilegalidades que continuam a afetar os horários dos docentes”, criticou a Fenprof em comunicado.

Os professores estão há meses em greve ao trabalho extraordinário, ou seja, todas as reuniões marcadas pelas escolas fora do seu horário semanal de 35 horas, o que os sindicatos defendem ser um desrespeito pela lei.

A Fenprof atribui a responsabilidade da greve ao trabalho extraordinário ao Ministério da Educação, “que recusa resolver este problema, não respondendo, sequer, aos pedidos de reunião que, também sobre esta questão, foram apresentados”.

A federação referiu ainda no comunicado que depois de 22 de abril, e até 3 de maio, a greve volta aos moldes em que decorreu até agora, ou seja, com pré-avisos semelhantes aos anteriores, prevendo apenas greve às reuniões fora das 35 horas semanais.

“A partir de 3 de maio e até final do ano letivo, os pré-avisos irão permitir que, para além das reuniões até agora abrangidas, a greve incida sobre reuniões de conselho de curso do ensino profissional e reuniões de secretariado de provas de aferição e de exames, sempre que não estiverem integradas no horário dos professores (componente não letiva de estabelecimento), constituindo, por isso, serviço extraordinário”, adiantou a Fenprof.

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  • Professor
    11 abr, 2019 5 de outubro 10:32
    O PS sempre conviveu mal com a classe docente. Na administração Sócrates, Lurdes Rodrigues, conhecida pela "sinistra", elaborou um complexo edifício legalista - ECD, Estatuto do Aluno, Avaliação da classe docente hiper-burocrática e virada exclusivamente para a não-progressão - em modo castigador, que nalguns casos fez recuar professores no 6º escalão para o ... 3º escalão. Acrescente-se em seguida um congelamento das carreiras e salários, sem falar nos aumentos das contribuições, e verifica-se não só que há professores desde 2005 no mesmo escalão, como levam agora menos dinheiro para casa que há 10 anos atrás. Agora, além das dificuldades da profissão - nem quero pensar no que seja aturar diariamente dezenas de "índios" que é o que eles são agora, bem diferentes do que éramos há 40 anos atrás, onde entravamos mudos e saíamos calados e quando o professor mexia na caderneta nem sabíamos onde nos esconder - pensem no envelhecimento, na frustração, na casa sempre às costas a troco de um salário baixo nos primeiros anos, que graças ao congelamento, se eternizam e verão algumas das razões porque começam a haver turmas sem professores o ano inteiro. Há algum motivo para ser professor, a não ser, não encontrar trabalho noutro lugar? E mesmo que se seja professor de primeiros anos, o salário miserável, chega sequer para pagar alojamento a quem é colocado longe de casa? E logo que encontrar um trabalho melhor remunerado, não será de bater com a porta no mesmo instante?