|
A+ / A-

Falar de inclusão é “politicamente correto”, mas é preciso agir

12 mar, 2019 - 17:29 • Filomena Barros

O Centro Paroquial Ricardo Gameiro, em Almada, quer criar nova resposta social para ajudar os jovens com deficiência. Tema vai ser abordado numa Jornada de reflexão marcada para dia 14 março.

A+ / A-

O centro Social e Paroquial Padre Ricardo Gameiro, em Almada, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, com trabalho reconhecido há 46 anos. A instituição foi criada com base no voluntariado, para dar resposta de creche aos pais que trabalhavam em Lisboa. Mas é ainda tempo para crescer e, por isso, está a preparar uma nova resposta social, ligada aos jovens e à deficiência, como adianta o padre José Pinheiro. “Temos feito muita investigação, estudo, temos falado com muitas pessoas, para perceber o que é que seria realmente necessário para acolher, acompanhar e promover as pessoas com deficiência”

Esse trabalho feito nos últimos meses resultou na organização das jornadas, marcadas para 14 de março, com o tema “Casa com lugar para todos – onde a deficiência vive".

As jornadas vão juntar entidades públicas e privadas e testemunhos de famílias e de utentes que são pessoas com deficiência. O presidente do centro paroquial entende que este é um ponto de partida para um trabalho que não querem fazer sozinhos, mas “com todos os que se dedicam de corpo e alma neste trabalho de inclusão das pessoas com deficiência. Não queremos ser os que de repente chegam e vão dar respostas, e de alguma forma criticar o que já se faz, mas queremos fazer um caminho conjunto, com todos”.

Para avançar com a nova resposta social, porém, precisam de parceiros. “O que depende de nós já temos. Já temos um local e um projeto, agora precisamos dos parceiros, e é isso que tem, de alguma forma, não só condicionado, mas também motivado esta reflexão”, explica aquele responsável.

A ideia é criar um equipamento para receber jovens com deficiência e promover a sua inclusão social e no mercado de trabalho, porque esta é a faixa etária mais desprotegida. “É sempre a grande lacuna, porque na infância há um bom trabalho com intervenção precoce, temos pessoas mais velhas que estão integradas nos lares, no centro de dia, no apoio ao domicílio e nas nossas residências. Os jovens são os que estão menos acompanhados, mas também são os que podem entrar no mercado de trabalho, por isso a nossa ideia é criar toda uma sinergia com as respostas já existentes”.

A ideia passa por formar e integrar os jovens na comunidade e para a comunidade. “Não queremos gerar uma resposta que feche as pessoas e que as afaste, mas queremos criar respostas onde a comunidade esteja presente, que seja uma escola em que a pessoa com deficiência seja formada pela comunidade para depois ser recebida por essa mesma comunidade”.

O padre José Pinheiro, que faz parte da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), recorre aos testemunhos de boas práticas que conhece, em relação a empresas que recebem trabalhadores com deficiência em várias áreas. “É óbvio que as pessoas têm que ter formação adequada, têm que estar acompanhadas de uma forma adequada, mais focalizada e de alguma forma especializada, mas é possível, e acontece. Há testemunhos de haver muita competência, com os limites próprios, mas muito competentes nas tarefas que lhes são confiadas”, garante.

Em sua opinião o que é preciso é divulgar estas boas práticas de inclusão, e criar uma verdadeira cultura de acolhimento, que significa não isolar as pessoas com deficiência, mas garantir a sua presença na vida da comunidade. As leis ajudam, mas “é preciso agir. A ideia que eu tenho é que isto está em todos os programas, e é politicamente correto falar da deficiência e da inclusão, agora, na prática, penso que há um caminho a percorrer”.

Um caminho que passa por construir uma “casa com lugar para todos”, e com todos, como se vê na proposta do Centro Social Paroquial Ricardo Gameiro, em Almada.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Ana
    13 mar, 2019 Almada 09:28
    Boa reportagem, parabéns jornalista