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"Ainda hoje não sei o que aconteceu" em Tancos

23 jan, 2019 - 23:10

É o coronel João Paulo de Almeida, responsável pela segurança de Tancos, quem o admite.

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O ex-comandante do regime responsável pela segurança de Tancos admite que ainda não sabe o que aconteceu na noite do furto nos paióis, em 2017, onde as redes chegavam a deixar entrar rebanhos de cabras.

A descrição dos rebanhos de cabras foi feita pelo deputado do CDS António Carlos Monteiro, com base em depoimentos anteriores na comissão de inquérito ao furto de Tancos e em que o coronel admitiu a falha na missão da sua unidade na segurança da área dos paióis.

"Ainda hoje não sei o que aconteceu", confessou.

Uma e outra vez questionado sobre assunto, se eram suficientes oito militares para a missão de vigiar uma área de 40 hectares e se isso terá contribuído para o furto, o coronel de engenharia nunca deu uma resposta direta nem quis relacionar diretamente os dois factos.

Como não quis relacionar o facto de não ter havido rondas durante a noite do assalto, de que teve conhecimento entre as 17h30 e as 18h00 de dia 28 de junho de 2017, uma hora depois de ter sido detetado o furto numa ronda (16h30).

"Não sei se há relação causa efeito entre este período de tempo e o roubo", disse, repetindo a mesma ideia, com algumas cambiantes, ao longo da reunião, em que tentou mostrar que a segurança também depende do estado da vedações.

As indicações dadas ao pessoal que, durante um mês, fazia a segurança dos paióis, era a de fazer "o máximo de rondas possíveis" ao perímetro.

Também admitiu que estar 20 horas sem rondas "é tempo demais", como disse ser "grave" militares responsáveis pelas rondas desconhecerem as normas de segurança a respeitar.

Por várias vezes disse que comunicou as deficiências nas instalações "ao escalão superior", ou seja, ao Comando das Forças Terrestres.

Já no final, António Carlos Monteiro, do CDS, fez uma descrição do que poderá ter-se passado em Tancos.

Dos oito militares previstos, "estavam apenas seis", "não tinham viatura" para fazer a ronda, um oficial "não conhecia as normas de segurança" nem que as normas de procedimentos estavam afixadas num gabinete da unidade. Há ainda depoimentos de soldados a dizer que "a ida para o paiol era para dormir" e que, no máximo, "eram feitas três rondas".

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos tem previstas audições a mais de 60 personalidades e entidades, vai decorrer até maio de 2019, e é prorrogável por mais 90 dias.

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