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Bloco exige ganhos para os professores até 2019

22 nov, 2017 - 07:23 • Eunice Lourenço (Renascença) e David Dinis (Público)

Mariana Mortágua desvaloriza palavras de António Costa e lembra que até Cavaco Silva contabilizou anos de serviço quando descongelou carreiras.

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O Bloco de Esquerda desvaloriza o aviso de António Costa feito a partir da Tunísia e insiste que tem de haver consequências até 2019 para o que o que Mariana Mortágua considera ser uma “reivindicação legítima” dos professores. Em entrevista ao programa Hora da Verdade, que será transmitida na quinta-feira, a deputada e dirigente do BE faz a sua própria interpretação do que o primeiro-ministro disse à margem da cimeira luso-tunisina.

“O que o primeiro-ministro está a dizer é: nem os professores, nem os funcionários públicos reivindicaram retroactivos. É essa a leitura que acho é que possível fazer”, afirma Mortágua, reagindo ao aviso de António Costa de que não é possível refazer a história e recuperar as carreiras congeladas.

“Quando conseguimos actualizar as pensões, nós não compensámos os pensionistas pelos anos em que as pensões estiveram congeladas. O Governo está a pôr o cronómetro a contar. Mas ao começarmos a repor rendimentos e devolver direitos não podemos fazê-lo ignorando os direitos que foram congelados nesse período. O que foi reivindicado pelos professores e pelos trabalhadores da Administração Pública é simplesmente poder ser reposicionado de acordo com os anos em que trabalharam. É uma reivindicação legítima - e tem que ter reflexos no âmbito desta legislatura”, argumenta a deputada, colocando assim a necessidade de esse tempo de trabalho dos professores ter reflexos até 2019, quando o Governo já remeteu esses reflexos só para depois de 2020.

Mariana Mortágua lembra que o descongelamento das carreiras estava no acordo que, há dois anos, viabilizou este Governo e diz que nunca lhes passou pela cabeça que pudesse haver descongelamento sem contagem de tempo.

“Não quero acreditar - e acho que isso nunca esteve em cima da mesa - que, ao descongelar carreiras, todos os anos de serviço fossem pura e simplesmente ignorados. Isto não pode ser aceitável, nunca foi feito. Mesmo no passado, com carreiras que foram congeladas, quando foram descongeladas os anos de serviço foram contados. Assim foi no tempo de Cavaco Silva, assim foi no tempo de António Guterres. E, por isso, não é de esperar e não podemos aceitar que simplesmente se passe um pano sobre anos de serviço destas pessoas”, acrescenta a bloquista, lembrando que, mesmo agora, “quando houve um acordo para descongelar carreiras, esses anos foram contados - excepto para alguns profissionais, entre eles os professores”.

Mariana Mortágua diz ainda que o Bloco não se quer sobrepor ou substituir aos sindicatos nas negociações em curso, mas sim avisar que o seu partido está preocupado com a situação e vai “acompanhar muito de perto” as conversações.

“A negociação tem que ser feita com os sindicatos e respeitamos essas negociações, que estão a acontecer”, garante, voltando a exigir consequências: “Tem que acontecer no âmbito da legislatura, até 2019.”

Comentários
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  • viva o xuxialismo
    23 nov, 2017 Setúbal 00:10
    Uma no cravo outra na ferradura, isto é mesmo geringonciar!.
  • Fausto
    22 nov, 2017 Lisboa 19:13
    Trabalhar no público...tem um privilégio...que nunca passará de um sonho...para quem trabalha...no privado...emprego garantido...para toda a vida... e direito a reclamar...se os funcionários públicos...tivessem os mesmos direitos...e deveres...que o privado...quanto não poupariam...todos os portugueses em impostos...
  • joao123
    22 nov, 2017 lisboa 18:08
    Eu , como cidadão português, também exijo que o governo acabe com o défice e pare de pedir dinheiro emprestado para o pagar a ver se baixam finalmente os impostos, que com esta moda de baixar um poucos os impostos directos e aumentar os indirectos fica tudo na mesma...
  • Eborense
    22 nov, 2017 Évora 16:20
    Acho piada a muita gente que contesta esta política dos partidos de esquerda, dizendo que estes apenas se preocupam com os funcionários públicos, etc.etc., mas depois vão votar neles. Apetece-me proferir uma palavra dita pelo Bruno De Carvalho, quando se referiu aos adeptos dos outros clubes. Isto, apesar de eu não gostar do dito, nem um bocadinho.
  • Pedro
    22 nov, 2017 Porto 15:59
    Pergunto eu ,isto também se aplica aos professores do privado e a todos aqueles professores que estão a dar formação através do EIFP, muitos deles a recibos verdes; uma palhaçada.... Bem como, a todos os outros funcionários públicos...Uns são filhos e outros enteados. Francamente...
  • António dos Santos
    22 nov, 2017 Coimbra 15:03
    Lamento que a RR, proceda a censura, quando se fala de Cavaco Silva. O pior e mais prejudicial e incompetente político do país.
  • DR XICO
    22 nov, 2017 LISBOA 14:20
    Só o BE consegue defender uma classe de lordes que vivem acima do país (promoções obrigatórias de 4/4 anos, aos 36 estão todos no topo, levam as reformas mais altas do país, até o PR já disse que era insustentável aguentar os ordenados e carreiras dos profs, mas como a esquerda caviar é BE não nos admiramos...
  • Alberto
    22 nov, 2017 Funchal 14:14
    Foi isso que ficou combinado com o Costa e que V. Exª. ( Mortágua) deveria dizer?
  • E então
    22 nov, 2017 13:41
    os funcionários públicos das carreiras gerais com Bom de classificação de serviço que tem que trabalhar 120 anos para chegar ao topo?!!! E os funciona´rios com classificação de serviço de Muito Bom (relevante) que tem de trabalhar 60 anos para chegar ao topo?!!! Isso sim é que é injustiça pois as pessoas nem sequer podem sonhar que alguma vez cheguem ao topo façam o que fizerem. ..
  • antónio
    22 nov, 2017 Portalegre 12:22
    Não se esqueçam dos professores do ensino privado (escolas profissionais incluídas) que vivem em condições de injustiça há muitos anos, em todos os aspetos: em salários, em horas de trabalho, muitos a recibos verdes, sem qualquer garantia por parte dos empregadores, e também do próprio estado. Sim, do próprio estado, porque se por um lado lhe é reconhecido o tempo de serviço(e bem) por outro são considerados professores de segunda categoria, pois não podem concorrer anualmente nas mesmas condições que os professores do ensino público ( leia-se na mesma prioridade). Nunca vi, os sindicatos dos professores (todos), e os partidos políticos (todos) preocuparem-se com esta questão. Vivemos num pais onde a distinção entre quem trabalha no público e no privado ( também a nível de ensino) é bastante injusta,. Se existe igualdade na exigência das qualificações dos professores, porque não existe igualdade no acesso aos concursos?