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PCP, CDS-PP e PSD chumbam proibição do pesticida glifosato

18 mai, 2016 - 18:48

O Bloco insiste que deve seguir-se o princípio da precaução quando existem dúvidas acerca do risco para a saúde deste pesticida e, por isso, defendeu que a substância deve ser retirada, começando pelos espaços urbanos.

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Os grupos parlamentares de PCP, CDS-PP e PSD chumbaram esta quarta-feira o projecto de lei do BE, que proibia o uso do herbicida glifosato em espaços urbanos, enquanto PS, PEV e PAN votaram favoravelmente ao lado dos bloquistas.

Entretanto, o PCP apresentou também um projecto de resolução recomendando ao Governo medidas para controlar os filofármacos e sua aplicação sustentável, nomeadamente através da criação de uma comissão multidisciplinar para acompanhar esta área, o qual deverá ser votado na sexta-feira.

A iniciativa do BE contemplava a interdição do recurso a “quaisquer produtos filofarmacêuticos contendo glifosato em zonas urbanas, de lazer e vias de comunicação”.

No final da votação, o deputado do BE Jorge Costa mostrou-se surpreendido com estes resultados e disse aos jornalistas que “a direita tinha tido uma posição mais avançada no Parlamento Europeu e o PCP mudou de sentido”, pois, numa anterior votação sobre o mesmo assunto, tinha optado pela abstenção.

Com estes resultados, continuou Jorge Costa, “fica nas mãos das instituições europeias a decisão” de proibir ou não o uso de glifosato.

Tal como durante todo o debate, o BE insistiu que deve seguir-se o princípio da precaução quando existem dúvidas acerca do risco para a saúde deste pesticida e, por isso, defendeu que a substância deve ser retirada, começando pelos espaços urbanos.

O PCP também justificou aos jornalistas o sentido do seu voto com o deputado João Ramos a defender que, "perante as dúvidas ainda existentes, têm de realizar-se mais estudos", de modo a obter mais informação científica para apoiar uma decisão política.

No decorrer do debate na sessão plenária do parlamento, que contou com a presença do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, apresentaram-se várias posições, por um lado defendendo a necessidade de proteger a saúde pública com a proibição do glifosato, e, por outro, o PSD e o CDS-PP a chamarem à atenção para as dúvidas decorrentes dos estudos contraditórios, do custo para as autarquias desta proibição e da distinção de tratamento entre população urbana e espaços agrícolas.

Patrícia Fonseca, dos centristas, defendeu que a aprovação da proposta do BE significaria que “há portugueses de primeira e portugueses de segunda”, já que somente a população do meio urbano ficaria protegida do glifosato, uma posição apoiada pelo PSD.

Tanto o CDS-PP como o PSD insistiram em questionar o BE acerca dos custos da retirada do glifosato nas autarquias e sobre as alternativas existentes à utilização destes pesticidas.

Na sua intervenção, o ministro da Agricultura voltou a referir que o Governo está a preparar legislação visando retirar o glifosato de espaços urbanos e de áreas próximas de lares ou escolas.

Capoulas Santos defendeu a necessidade de existir uma fase de transição para a retirada de glifosato também na agricultura, já que implica mudanças profundas na actividade, com os respectivos custos.

O Governo insistiu na sua disponibilidade para realizar um estudo acerca dos efeitos do glifosato e assim esclarecer a opinião pública.

Capoulas Santos transmitiu igualmente aos deputados que, até agora, cerca de 150 mil agricultores receberam formação para o uso adequado de pesticidas.

Em Abril, o Parlamento Europeu defendeu a renovação da autorização para comercializar glifosato por somente sete anos, contra os 15 anos inicialmente previstos.

Várias organizações, nomeadamente ambientalistas e, em Portugal, partidos como o Partido Ecologista os Verdes ou o Partido Pessoas Animais Natureza (PAN), além do BE, têm pedido a proibição da venda de pesticidas com glifosato.

Uma petição a decorrer em Portugal contra o uso de glifosato tem já mais de 15 mil assinaturas.

Comentários
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  • tonho
    18 mai, 2016 São João de Loure 23:33
    A quem escreveu este artigo, lembro que o tal de "glifosato" é a substância activa dos HERBICIDAS sistémicos. Logo, não é um pesticida, embora seja uma "PESTE" para a saúde pelo facto de ser altamente cancerígeno. Deve ser decididamente erradicado do mercado, pois é usado mal e porcamente em especial pelas AUTARQUIAS e por empresas de limpeza das zonas limítrofes das AE.
  • tonho
    18 mai, 2016 São João de Loure 23:08
    A quem escreveu este artigo, lembro que o tal de "glifosato" é a substância activa dos HERBICIDAS sistémicos. Logo, não é um pesticida, embora seja uma "PESTE" para a saúde pelo facto de ser altamente cancerígeno. Deve ser decididamente erradicado do mercado, pois é usado mal e porcamente em especial pelas AUTARQUIAS e por empresas de limpeza das zonas limítrofes das AE.
  • Afonso
    18 mai, 2016 Marinha Grande 22:58
    O PCP quer uma comissão multidisciplinar. O PCP também justificou aos jornalistas o sentido do seu voto com o deputado João Ramos a defender que, "perante as dúvidas ainda existentes, têm de realizar-se mais estudos". Afinal estes gajos precisam de estudos, querem tachos na comissão. enfim
  • jose
    18 mai, 2016 porto 22:33
    estas histéricas do bloco que não sabem o que é agricultura e muito menos o que são os herbicidas, acham-se mais inteligentes que os europeu. Então se na europa é permitido e está testado que não é prejudicial à saúde quem são esta atrasadas para por em causa a europa. Devia é dar uma enxada para as mãos desta atrasadas mentais e obriga-las a rapar as ervas daninhas das valetas e dos jardins das cidade para saber o que custa a vida.
  • Pedro Caiado
    18 mai, 2016 Mafra 21:59
    Não é pesticida, é herbicida bolas... Em minha opinião deve ser suspensa quanto antes a sua aplicação em espaços urbanos - cidades, vilas ou aldeias. Substitua-se por trabalho manual como era feito há anos. Nos campos agrícolas parece ser difícil para já um substituto que faça o mesmo efeito para o combate de 'pragas' difíceis, faça-se o estudo adequado e comprove-se se o glifosato é cancerígeno ou não, e pese-se os prós e os contras. Ao que consta a pílula contraceptiva, a exposição a raio x nas radiografias, usados em humanos também são potenciais cancerígenos e não são proibidos.
  • Carlos Martins
    18 mai, 2016 Leiria 21:38
    Em caso de dúvida só há uma alternativa, proíbir! Quem será o responsável pelas mortes em caso do produto ser efectivamente cancerígeno?
  • Pires Marques
    18 mai, 2016 Lisboa 21:30
    Boa noite. Não sou do B.E. nunca fui é partido que a mim nunca me disse nem diz nada e não só, já votei em 4 partidos diferentes e como tal não sou de partido algum uma vez que quando voto, voto naquilo que penso ser o melhor para o país para a minha família e para mim. Estou à vontade para me prenunciar e o que tenho a dizer é o seguinte desta vez tiro o chapéu ao B.E. e digo mais é uma VERGONHA que não se tenham juntado ao referido. Tenham vergonha pois a pesar de estarem a fazer mal a vós estão a fazer mal aos vossos filhos, aos vossos netos e por aí fora. Retratem-se.
  • NL
    18 mai, 2016 Ermesinde 21:24
    Já não me admira que o PCP vote ao lado do PSD e CDS. Para entendedor, meia palavra, basta. Para o bem de Portugal espero uma maioria absoluta parlamentar PS+BE e, já agora, com um empurrãozito do Presidente que até dança a marrabenta.
  • Antonio
    18 mai, 2016 AVIS 21:20
    O pcp NO SEU MELHOR
  • jecarola
    18 mai, 2016 portugal 21:01
    nem mais ma resposta é tudo farinha do mesmo saco