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Caso BPI não deve beliscar relação Portugal-Angola, diz líder da UNITA

22 abr, 2016 - 19:00 • Susana Madureira Martins

Em entrevista à Renascença, Isaías Samakuva considera que os laços históricos entre os dois países são “mais importantes do que interesses de determinado grupo”.

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A relação entre Portugal e Angola é “estratégica” e “muito mais importante do que os interesses de determinado grupo”, afirma o presidente da UNITA sobre o diferendo entre Isabel dos Santos e o BPI.

Isaías Samakuva está de visita a Portugal. Em entrevista à Renascença, o líder da oposição angolana culpa o Presidente José Eduardo dos Santos pela crise económica do país, que levou a um pedido de ajuda ao FMI.

O presidente da UNITA considera apela à “boa vontade” dos amigos de Angola e considera que esta é uma boa oportunidade para prestar “solidariedade ao povo angolano”.

Já visitou o Parlamento. Tem outros encontros previstos, nomeadamente com o Governo português?

Nós estamos praticamente no fim da nossa estadia em Portugal, já tivemos vários actividades aqui. De facto, encontramos o secretário de Estado para as Comunidades e tivemos então o dia de ontem [quinta-feira] todo com os grupos parlamentares. Portanto, estivemos com quase todos os grupos parlamentares, com excepção do PSD, e vamos agora desenvolver esta tarde alguns contactos com a imprensa e com os empresários, e amanhã estaremos então a deixar Portugal.

Explicou às autoridades e deputados portugueses a situação que se vive em Angola?

Absolutamente. Com as dificuldades que nós vivemos este foi o foco das nossas conversas. A intenção é transmitir o ponto de vista da UNITA em relação à situação prevalecente do nosso país e, ao mesmo tempo, apelar à boa vontade daqueles que sempre pretenderam ajudar a Angola e dizer que esta é uma boa oportunidade para prestar esta solidariedade ao povo angolano.

Está céptico em relação à saída do actual Presidente de Angola em 2017, tal como Eduardo dos Santos prometeu?

Não, eu acho que não há razões para cepticismo. O senhor Presidente da República está há mais de 30 anos a dirigir a Angola e haverá, certamente, outros partidos de verdade a desejar uma mudança, sobretudo, também porque a governação em Angola não tem sido eficaz. Têm sido cometidos muitos erros, que aliás produziram esta crise que Angola está a viver agora. Daí que o anúncio da saída do senhor Presidente até seja boa notícia para muita gente.

Como vê as relações entre Portugal e Angola, tendo em conta a situação a situação de Isabel dos Santos no BPI? Como é que está a acompanhar este caso?

Estamos a acompanhar de perto esta situação, achamos que isso são percalços de percurso. São coisas que acontecem. Nestas situações, cada parte defende os seus interesses e achamos que não há nada aqui que prejudique as relações entre Angola e Portugal, que são muitos mais abrangentes, muito mais importantes do que os interesses de um determinado grupo comercial ou coisa parecida. Achamos que são coisas que acontecem e o que é permanente é que deve prevalecer. Devemos dar prioridade àquilo que é permanente e estratégico e, por conseguinte, nós não damos muita importância a esses incidentes que são momentâneos. O tempo passa.

Ainda acredita na realização de uma cimeira entre Portugal-Angola, que é falada há vários anos?

Nós podemos dar voltas. Podemos adiar situações. Mas a relação entre Angola e Portugal é uma relação histórica. É quase mesmo sanguínea. Por conseguinte, os portugueses e os angolanos estarão condenados a viver sempre com contactos, com relações permanentes. Portanto, eu penso que, mais cedo ou mais tarde, a necessidade de Portugal e Angola formarem acordos estratégicos para o interesse comum que beneficiem ambas a as partes. Eu penso que é uma realidade que não podemos fugir permanentemente.

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  • Alberto Teles
    22 abr, 2016 S. Pedro do Sul 19:39
    Acho que falou muito bem, é preciso ser assim e sem tabús, Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde , Timor, e S. Tomé separação impossível