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Papa ouve casal de recasados que comunga “através dos necessitados”

15 fev, 2016 - 22:29 • Aura Miguel , no México, e Filipe d’Avillez

Francisco ouviu emocionado os testemunhos de dois casais, um jovem deficiente motor e uma mãe solteira que sentiu várias vezes a tentação de abortar, mas “graças a Deus” não o fez.

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O Papa Francisco foi acolhido esta segunda-feira na cidade de Tuxtla Gutiérrez pelas palavras de vários representantes das famílias que encheram o estádio para o ver.

O Papa ouviu emocionado os quatro testemunhos de pessoas que vieram directamente das “periferias” de que Francisco tanto fala.

O primeiro a tomar a palavra foi Manuel, um jovem de 14 anos em cadeira de rodas a quem, aos cinco anos, foi diagnosticada distrofia muscular, “a minha capacidade especial”, como o descreve.

“Tenho muta fé e cresceu a minha esperança”, disse o jovem, “sei que Deus me abençoou com esta capacidade especial. Confio nele. E se for sua vontade me dará saúde física”.

Manuel explicou como sai à rua na sua cadeira de rodas para tentar evangelizar os jovens e pediu a Francisco que reze muito pelos jovens mexicanos. “Há muita violência entre os adolescentes”, lamentou, mas “somos a esperança da Igreja. Reze por nós e continue a dar a conhecer o Deus de amor e misericórdia. Papa amigo, os adolescentes do México rezam por si e que a ‘virgenzita’ o cubra com o seu manto maternal”.

De seguida falaram Humberto e Claudia, um casal em situação irregular, uma vez que ela já tinha sido casada anteriormente. Sentindo que não tinham lugar na Igreja, por causa da sua condição, acabaram por entrar num grupo de divorciados recasados, o que conduziu à sua conversão passando a dedicar-se de corpo inteiro à Igreja, mas sem poder comungar.

Este impedimento, porém, não é para eles obstáculo a outras formas de comunhão, disseram. “Não podemos aceder à Eucaristia, mas podemos comungar através do nosso irmão necessitado, do nosso irmão doente, do irmão privado da sua liberdade. Procuramos formas de transmitir o amor de Deus, que temos sentido”, explicaram, enunciando em seguida as várias actividades em que estão envolvidos.

“O Senhor é maravilhoso e permite-nos servir a quem precisa, limitamo-nos a dizer Sim e Ele encarrega-se de dizer para onde nos devemos encaminhar. É maravilhoso ter um casamento e uma família em que Deus é o centro”, concluíram.

Francisco ouviu ainda o impressionante testemunho de Beatriz, uma mãe solteira de 52 anos, que falou de como a pobreza da sua infância marcou a sua infância. “A pobreza, a violência e o abandono do meu pai fizeram-me sentir carente e a ter relações na adolescência, o que resultou em várias gravidezes ao longo da minha vida e me fez experimentar a tristeza, a rejeição social e a solidão mais profunda”.

Beatriz passou então a explicar como o encontro com Deus e com a Igreja a tinha ajudado a perceber que Deus não a rejeitava e que a perdoava.

“Sendo enfermeira, muitas vezes tive a oportunidade de abortar, mas Deus me ajudou a não permitir atentar contra a vida dos meus filhos. A luta foi sempre difícil, porque a precariedade, a solidão e a educação dos filhos sozinha fizeram com que o aborto sempre se apresentasse como uma alternativa que parecia a solução para os problemas, mas com a ajuda de Deus conseguiu sair vitoriosa dessas batalhas e encontrar-me com a verdadeira felicidade que não está no que oferece a sociedade, mas sim no encontro com o amor do Pai, a misericórdia da Igreja e o perdão dos pecados em Cristo”.

O Papa ouviu ainda o testemunho de uma família que veio falar dos pais do marido, casados há mais de cinquenta anos e que, como os casais que se encontravam no estádio para renovar os seus votos matrimoniais, “dão testemunho de que o amor fiel é possível”.

O Santo Padre foi ter pessoalmente com cada um dos que deu testemunho antes de fazer o seu discurso.

Francisco está de visita pastoral ao México desde sexta-feira passada. Na terça-feira Francisco encontra-se com seminaristas e religiosos e, ao fim do dia, com jovens. O regresso à Europa está marcado para o fim do dia de quarta-feira, com chegada a Roma na Quinta-feira por volta das 13h.

A Renascença no México com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

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