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D. João Lavrador. “Igreja tem de estar em tudo aquilo que possa ser meio de comunicação"

28 set, 2017 - 19:39

As Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais decorrem até sexta-feira no auditório da Renascença.

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A presença da Igreja Católica nas redes sociais é uma “obrigação”, mas também exige “criatividade e fidelidade”, para tornar a mensagem cristã “atraente”. Foi o que afirmou esta tarde D. João Lavrador na conferência de abertura das Jornadas Nacionais de Comunicação Social.

O encontro, que decorre até sexta-feira no auditório da Renascença, em Lisboa, regista uma participação recorde, com mais de 120 inscritos, entre jornalistas e responsáveis pela comunicação de várias dioceses e instituições ligadas à Igreja. Durante a tarde houve sessões práticas sobre escrita criativa e produção e partilha de conteúdos.

Em entrevista à Renascença, o bispo de Angra, e responsável pela área da comunicação social da Igreja, falou dos desafios que as redes sociais trazem aos comunicadores da Igreja, reconhecendo que tem de haver um esforço permanente para acompanhar o avanço “vertiginoso” dos meios que há ao dispor, e que exigem cada vez mais criatividade na comunicação.

Nas Jornadas de hoje falou da obrigação da presença da Igreja nas redes sociais, mas também da criatividade como exigência. Porquê esta urgência da criatividade?

A criatividade hoje é uma exigência dos tempos, em todos os domínios, mas neste das comunicações sociais, ainda mais se exige… e por isso eu falei: criatividade e fidelidade. Criatividade no sentido de novas apostas, de estar sempre naquela onda avançada de querer encontrar as melhores respostas para a comunicação. E as intervenções desta tarde nas Jornadas vieram precisamente revelar o avanço que existe. Isto é quase vertiginoso, a forma pela qual hoje se faz a comunicação social.

Portanto os meios de comunicação social da Igreja têm de estar na primeira linha das tendências tecnológicas?

Sem dúvida, desde a tecnologia, as novas redes sociais, toda a forma como se comunica, a linguagem. Tudo aquilo que podemos dizer que é comunicação hoje exige, realmente, uma criatividade… o público está constantemente a exigir essa criatividade, portanto o que se fez ontem, hoje já não serve, e temos que pensar que para amanhã o que fizermos hoje também já não serve.

E em relação à linguagem? Muitas vezes é apontada à Igreja a necessidade de renovar a forma de comunicar com as pessoas...

Realmente é um dos aspectos que a Igreja tem de pensar sempre. Porquê? Porque porventura podemos estar perante uma linguagem hermética, que é a linguagem litúrgica, a linguagem tradicional, ao nível do que são os textos bíblicos, do que é o sentido da pregação, e tudo isso… portanto, há uma linguagem que a Igreja tinha, e que tem, que de alguma maneira é repetitiva. Temos de aprender com o nosso fundador, Jesus Cristo, que tinha uma linguagem que entrava nas pessoas a partir de sinais, das parábolas, da realidade vivida, e a partir daí então tirava a mensagem para o que ele chamava o Reino de Deus.

Eu penso que a Igreja tem também aqui de encontrar estas novas linguagens a partir do que é a vida da pessoa hoje, as suas intuições, quais são os campos onde ela vai buscar a sua informação, e colocar aí essa mensagem. Por isso eu disse que é ‘criatividade’ e ‘fidelidade’. Em primeiro lugar a fidelidade ao Evangelho, mas no interior do Evangelho está Deus, mas está também o homem, porque o Evangelho é para o Homem. Portanto a fidelidade ao homem de hoje exige que se tenha em conta o que ele é, a sua própria identidade, e dentro do contexto do homem não está só a sua realidade histórica, está também a sua realidade transcendente, porque o ser humano é um ser transcendente, a comunicação social, em qualquer tempo e qualquer que seja o modelo, tem de ter em conta o homem na sua diversidade, mas também na sua integralidade. Ele tem várias facetas que têm de estar harmonizadas nesta realidade que nós chamamos a ‘espiritualidade’ do ser humano. Por isso eu diria que esta fidelidade ao ser humano é também fundamental.

Sobre as redes sociais, a par da oportunidade de comunicação há também alguns perigos, como hoje foi sublinhado. Como é que vê as redes sociais, têm estas duas dimensões para si?

Têm, e muito presentes, e eu toquei também nisso nas palavras de introdução a estas Jornadas. Eu aí diria quase que a Igreja, já de longa data, mas sobretudo a parir do Concílio Vaticano II, levantou a questão da necessidade da Igreja estar na comunicação social. Reparemos que ao princípio a Igreja falava dos meios de comunicação social, depois a partir de um certo tempo passou a falar dos meios de comunicação como tal, e hoje fala-se realmente das novas redes, ou novas tecnologias...

E a Igreja vai intensificar a sua presença no mundo digital?

A Igreja tem de estar atenta e tem de estar em tudo aquilo que possa ser meio de comunicação. Isso está mais do que assente, a nível do magistério da Igreja. Sobretudo os dois últimos Papas têm falado muito sobre a utilização das novas redes, na era digital, do que tem de se fazer, mas também têm chamado a atenção, e aqui também tem uma longa história já na vida da Igreja, que é atender à educação, à formação dos públicos.

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  • Francisco C. Sousa
    29 set, 2017 Fonte do Bastardo - Praia da Vitória 23:28
    Até poderá ser! Mas então sr. bispo, porque é que o jornal "A União", propriedade da Diocese de Angra, fechou, há poucos anos, e encontra-se sem perspetivas de abrir?