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​O duelo Carvalhinho-Biscaia repete-se em Manteigas há 12 anos

18 set, 2017 - 19:06 • Liliana Carona

Socialista e social-democrata encontram-se nos boletins de voto desde 2005.
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Reportagem Autárquicas - Manteigas - Liliana Carona
Reportagem Autárquicas - Manteigas - Liliana Carona

Esmeraldo Carvalhinho, candidato do PS, apressa-se a desmentir o título desta reportagem. “Não é um duelo, até porque vão a eleições cinco candidatos”, garante.

Não é um duelo, mas parece: é já a quarta vez que Carvalhinho e José Biscaia (PSD), actual presidente da câmara, disputam eleições autárquicas em Manteigas, no distrito da Guarda.

Desde 1994, que José Biscaia, 67 anos, sabe o que é candidatar-se à autarquia de Manteigas. Pela quarta vez, tem como adversário Esmeraldo Carvalhinho, de 63 anos.

“Dou-me bem com ele em termos pessoais, mas, em termos políticos, temos as nossas desavenças. Penso que é legítimo, depois de uma interrupção, em 2013, depois de ele ter perdido na segunda candidatura, escolherem-no a ele. Não vejo nada de anormal nesta situação”, garante José Biscaia.

A luta entre Carvalhinho e Biscaia faz-se eleição a eleição. Em 2009, Esmeraldo Carvalhinho foi eleito presidente da Câmara de Manteigas, colocando um ponto final a 16 anos consecutivos de domínio de José Biscaia, que tinha ganho por apenas um voto em 2005.

Para Biscaia, isto não é um “duelo”. “Não é duelo, até porque vamos a eleições cinco candidatos. É um duelo comigo próprio, naquilo que é recuperar um projecto que foi interrompido abruptamente em 2013, até para discutir questões importantes como as acessibilidades. Temos condições para defender os túneis da Serra da Estrela”, exemplifica.

Esmeraldo Carvalhinho foi presidente do município de Manteigas no mandato de 2009-2013 e exerceu anteriormente as funções de vereador e de vice-presidente da Câmara da Guarda.

A Vila de Manteigas está localizada em pleno Vale Glaciar do Zêzere, inserida no Parque no Natural da Serra da Estrela, tem quatro freguesias e 3.400 votantes. Debate-se com o problema transversal ao interior do país: falta gente. Em Manteigas quase 50% da população tem mais de 65 anos.

“O grande problema chama-se gente – aliás, toda a gente se queixa, Gouveia, Covilhã, Seia, Guarda. Transformar as condições em produto é uma obrigação do empresário, mas também do político”, ressalva o actual presidente, acrescentando “algumas provas” da obra feita. “No país não conheço nenhum concelho, onde haja quatro hotéis em construção, que darão uma média de 300 camas e 150 postos de trabalho”, diz José Biscaia.

O concelho mais pequeno da Guarda, que não chega aos quatro mil habitantes, vê ainda pela primeira vez o CDS apresentar listas e o surgimento de uma candidatura independente.

Pedro Silva, 27 anos, é candidato pelo CDS. Uma lista com dez pessoas, com o intuito de mudar Manteigas. Daria um bom presidente de câmara? “Daria sim. Eu mudaria tudo. Dava mais trabalho, mais emprego, porque sou uma pessoa jovem, criativa, e sou capaz de tudo para atingir os meus objectivos, política e pessoalmente”, garante à Renascença.

Pela primeira vez apresenta-se também no concelho de Manteigas um movimento independente. Francisco Botão, 60 anos, engenheiro civil, é líder do Unir e Mudar Manteigas (UMM). “Acreditamos que vamos unir muita gente, a maioria dos manteiguenses. Primeiro, queremos tirar os eleitos da câmara para a rua para resolverem os problemas da população”, anuncia.

O candidato da CDU, Manuel Aldeia, de 62 anos, mostrou-se indisponível para entrevistas.

Na vila de Manteigas, os candidatos dizem não investir muito em brindes ou até mesmo em música. Só o Unir e Mudar Manteigas preparou um hino.

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