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Natureza vai demorar “décadas” a recuperar dos incêndios

28 jul, 2017 - 12:05

Bióloga da Liga para a Protecção da Natureza defende uma aposta na reorganização efectiva da floresta, com espaço para várias espécies de árvores e animais.
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As consequências dos incêndios ao nível ambiente vão levar décadas a recuperar. A estimativa é da bióloga Ana Rita Martins, da Liga para a Protecção da Natureza (LPN).

Em declarações ao programa Carla Rocha – Manhã da Renascença, Ana Rita Martins mostrou-se preocupada com a situação em que ficaram milhares de hectares da floresta portuguesa.

“Para voltar ao seu estado original podemos falar de décadas. Muitas vezes passado um, dois anos do incêndio já vemos uma mancha verde novamente a surgir, mas muitas vezes são espécies que não são as típicas daquele tipo de habitat”, explica.

Esta bióloga considera necessário apostar numa reorganização efectiva da floresta, onde há espaço para todos.

“Espécies de produção de madeira como o pinheiro e eucalipto são importantes economicamente para as populações e também há espaço para elas”, diz a bióloga, acrescentando que o mais importante é que a “floresta seja bem gerida".

No que toca à vida animal, Ana Rita Martins lembra que os incêndios, por exemplo de Pedrógão Grande ou o de Nisa, em Portas do Rodão, está a afectar o habitat de vários animais, tais como veados, corços, javalis e grifos.

Mais de 122 mil hectares de área ardida

Os incêndios florestais que se registam desde domingo nos distritos de Castelo Branco, Santarém e Portalegre consumiram quase 30 mil hectares, segundo o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS).

O EFFIS, que através de imagens de satélite contabiliza quase em tempo real a área ardida, adianta que arderam, entre 1 de Janeiro e 25 de Julho, 122.220 hectares de floresta em Portugal, sete vezes mais do que a média dos últimos oito anos em período homólogo.

Este sistema do Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia, que apresenta as áreas ardidas cartografadas em imagens de satélite (com uma resolução espacial de 250 metros), mostra também que um terço da área ardida da União Europeia, até 25 de Julho, se registou em Portugal.


Comentários
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  • pedroR
    28 jul, 2017 lisboa 15:04
    Ao ler o comentário do sr COUTO MACHADO fiquei de boca aberta onde afirma que continuar a floresta é um erro mas o sr sabia que é com a floresta que se regula as temperaturas ou seja quanto mais floresta houver mais oxigenio gera mais humidade para atmosfera logo mais chuva , menos secas .... mas enfim como neste pais há de tudo... relativamente à noticia em causa , concordo com ela, pois nos incendios de 2003 na região de Mação de onde os meus pai é natural a fauna e flora desapareceu toda , agora após 14 anos já se começava a ver principalmente na fauna o retorno e o desenvolvimento de especies, na flora perdeu-se as arvores autóctones , e começou a surgir no meu ponto de vista um erro enorme eucaliptos , algum pinho , quando antes existia olivais, azinheiras, medronheiros , castanheiros , alguns sobreiros agora com este incendio é voltar à estaca zero.
  • Alberto
    28 jul, 2017 Porto 13:03
    Mas é evidente que a casta de políticos corruptos e incompetentes que nos têm governado nas últimas décadas, não está interessada que este negócio (!), que já ceifou a vida a centenas de pessoas e provocou desastres ecológicos localizados, acabe! Infelizmente, para nós, estes ataques terroristas não convencionais, vão continuar a fazer vítimas. E "eles" vão continuar, ano após ano, desafiando a nossa inteligência colectiva, a propagandear que para o ano vamos reforçar os meios. Sempre os meios!!!! Porquê não, também, erradicar as CAUSAS!
  • Francisco Torres
    28 jul, 2017 Viana do Castelo 12:57
    Não é verdade, porque áreas ardidas há 7 anos estão perfeitamente recuperadas e com vegetação forte e pujante!!!!.....
  • AM
    28 jul, 2017 Lisboa 12:53
    Conversa de ocasião. Tratar da floresta é como o higiene corporal. Aquelas coisas que se não se cuida, dá infecções urinárias... Tudo quer que a floresta dê, e ninguêm dá nada à floresta.
  • couto machado
    28 jul, 2017 porto 12:47
    Será que Portugal precisa de uma área tão grande de floresta ? D. Dinis, mandou plantar o pinhal de Leiria, para um determinado fim, que já acabou. Continuar a florestar, em meu entender é um erro.