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Incêndios. CAP propõe que Governo compre batata para dar a populações afectadas

17 jul, 2017 - 16:05

"São de ruína os preços oferecidos à produção", queixa-se Confederação Nacional da Agricultura. A base é "de cinco cêntimos o quilograma e até menos, enquanto que o preço no consumidor se mantém "acima dos 50 cêntimos o quilograma, nomeadamente nos hipermercados".
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A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) pediu, esta segyunda-feira, a intervenção do Governo para permitir escoar a batata nacional com "melhores preços à produção" e propõe que compre este alimento para dar às populações afectadas pelos grandes incêndios.

A organização "reclama ao Ministério da Agricultura que intervenha e dê condições de escoamento - a melhores preços à produção - nomeadamente da batata nacional desta época do ano", que é vendida a um preço 10 vezes mais alto aos consumidores na comparação com o valor pago aos agricultures.

Para a CNA, o ministério que tutela o sector, "se tiver vontade política para tal", pode fazer uma "retirada" (uma compra pública) de batata nacional para fornecer "às populações mais afetadas pelos incêndios florestais" e às cantinas públicas, assim como para apoiar a alimentação dos animais.

Na situação que descreve, "são de ruína os preços oferecidos à produção" de batata nacional, "numa base de cinco cêntimos o quilograma e até menos, enquanto que o preço no consumidor se mantém especulativo, acima dos 50 Cêntimos o quilograma, nomeadamente nos hipermercados".

"A batata da época está 10 vezes mais cara no consumidor comparativamente aos preços pagos" aos produtores, alerta a CNA.

Em 11 de Julho, depois do descarregamento de toneladas de batata junto a vários hipermercados, em Salvaterra de Magos, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) disse que o excesso de produção deste alimento é um problema que resulta "exclusivamente" da conjuntura do mercado.

Um dirigente da associação Porbatata Rodrigo Vinagre disse, na altura que a "aflição" é transversal aos produtores de batata, devido ao excesso de produção e à ausência de exportação, o que tem como efeito estarem os armazéns cheios.

Rodrigo Vinagre afirmou que o facto de este ano a produção nacional ter começado a colocar batata no mercado “mais cedo do que é normal”, de estar a produzir mais e em mais área levou a que a oferta fosse maior que a procura, originando preços "muito maus".

Os incêndios de Junho iniciados em Pedrógão Grande provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, consumiram mais de 53 mil hectares, e deram origem a uma várias ações de solidariedade para as pessoas que foram afetadas pelo fogo, perdendo casas e meios de subsistência.

Com as temperaturas elevadas dos últimos dias, voltaram os incêndios de maiores proporções, como o de Mangualde e Alijó, no fim de semana, que obrigaram à retirada de habitantes e ao corte de estradas.

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  • Bela
    17 jul, 2017 Coimbra 23:24
    Não sei se os responsáveis da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) têm razão. Mas sei que há pessoas que foram afectadas pelos incêndios, sobretudo os mais idosos que estão a passar necessidades por falta de alguns alimentos básicos e que têm sido voluntários anónimos a dar-lhes apoio, através de donativos angariados particularmente, porque há quem se esqueça deles.
  • Manuel
    17 jul, 2017 Lisboa 16:34
    A CNA a querer que o governo pague 30 cêntimos por kg de batata para "oferecer" aos afectados pelos incêndios? Então mas, em 2010 esta mesma CNA exigiu ao governo que acabasse com as limitações de negociações com as grandes empresas retalhistas, porque "iriam conseguir preços muito mais interessantes para o produtor", conseguiram o objectivo em 2012 e agora já se andam a queixar que a coisa deu para o torto, então que seja o governo a comprar-lhes a produção? Quem queria tanto, quem fez campanha eleitoral em 2011 por não ter visto aprovada a legislação ainda em vigor, agora já pensa o contrário? Se venderem a 6 cêntimos o kg, se calhar o governo até aceita. Umas para consumo outras para plantar. Agora a 30 cêntimos, não acham que estão a exagerar? Se o preço de mercado é o que os vossos amigos vos oferecem, não multipliquem por 6 para o estado pagar. Só estão a colher o que semearam...