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​Entrevista

“Temos que ter a humildade de perceber que Fátima é maior do que as nossas teorias”

13 jul, 2017 - 12:18 • Aura Miguel

João César das Neves analisa a actualidade da mensagem de Fátima e a importância do segredo. “A verdade ainda é esta: o pecado, o Inferno e a guerra continuam”, diz o autor de “Século de Fátima”.
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Como encara o segredo de Fátima?

Penso que o chamado “segredo de Fátima” é uma parte importante de toda a mensagem. A Senhora veio aqui com um objectivo muito claro, vem avisar as pessoas. Há um fenómeno que vai acontecer, que a perturba e que ela quer avisar.

Mas esse aviso surge em todas as aparições…

Não tanto. O principal elemento é a solução que a Senhora dá, a Senhora vê um problema e dá uma solução. Nas aparições, o que normalmente a Senhora diz é “Tenham cuidado, há pecado”, mas não afirma qual é o problema que a levou a vir desta vez, porque pecado, dramas e guerras sempre houve. Nas outras aparições, a Senhora diz o mais importante: “Rezem e façam penitência”. Chama a atenção para a solução que não é nova, porque é a solução da revelação divina, mas, desta vez, traz uma gravidade especial por causa dos acontecimentos particulares revelados no segredo. Há, no entanto, vários segredos anteriores. Por exemplo, as aparições do Anjo só foram reveladas 20 e tal anos depois e há também o chamado “segredo de Junho”, quando a Senhora revela que Deus quer implantar no Mundo a devoção ao Imaculado Coração.

Mas depois tudo isto cruza com o conteúdo da aparição de Julho.

Exactamente, cruza com esse fenómeno e, sobretudo, é o elemento chave de tal solução – a devoção ao Imaculado Coração. Na sua quarta memória, a Lúcia conta que o Francisco diz: “Esta gente fica tão contente só por nós dizermos que a Nossa Senhora mandou rezar o terço e aprender a ler. O que seria se soubessem que Ela nos mostrou Deus no seu Imaculado Coração, nesta luz grande. Mas, isso é segredo, não se lhes diz. É melhor que ninguém saiba”. Isto já em Julho acontecia. A revelação do futuro dos pastorinhos e do Imaculado Coração de Maria ficaram em segredo, mas isso não é o segredo de Fátima.

O segredo de Fátima são três fenómenos. O primeiro é a visão do Inferno; o segundo é a guerra que virá e a Rússia que espalhará os erros pelo Mundo; e o terceiro é aquela grande visão final que inclui vários elementos e que termina na Cruz com os Anjos a regarem as almas que se aproximam com o sangue da Cruz. É, portanto, um resumo deste terrível século XX que ficou em segredo. Isto é um paradoxo: a Senhora veio dizer, mas não disse. Mas, sobretudo, a parte importante é que Ela veio, esse é o elemento mais importante. Aliás, foi essa a razão que fez as pessoas começarem a vir de imediato [a Fátima]. A Nossa Senhora veio aqui, chega. A gente sabe o que é que Ela quer, não é preciso muito mais.

Vamos agora dissecar este conteúdo revelado a 13 de Julho de 1917. Até à revelação da terceira parte, no ano 2000 (passados mais de 80 anos), conhecíamos uma primeira parte – as consequências dos erros dos homens na vida terrena (a guerra e todas essas confusões) e na vida eterna (o Inferno) – e uma segunda parte – os meios para evitar novos males (a consagração do Mundo ao Imaculado Coração e a devoção dos primeiros sábados). É desta forma que olha para estas duas primeiras partes?

Primeiro, é preciso dizer que estas duas partes só foram reveladas em 1942 com o livro “Jacinta Florinhas de Fátima”, do padre Galamba de Oliveira. É o primeiro texto que usa as memórias da irmã Lúcia, entretanto escritas, mas não reveladas. É aqui onde aparecem esses elementos que referiu e que, no fundo, são o essencial. A famosa terceira parte do segredo é simplesmente uma imagem desses aspectos. Primeiro, o drama do pecado (“não ofendam mais a Deus, porque já está muito ofendido”) que a Senhora vai dizer em Outubro e que se vai revelar na visão do Inferno que as crianças têm – primeira parte do segredo. Esse é o elemento essencial. A segunda parte é a manifestação da especificidade dessa ofensa agora: a guerra e a perseguição. Mas o elemento central é a perdição das almas. Aliás, a Jacinta vai ficar completamente centrada nesta parte da revelação e vai-se dedicar a salvar pecadores, a tirá-los do Inferno, porque a Senhora disse que através das penitências e da oração nós salvamos os pecadores.

Hoje em dia, esse aspecto não é nada óbvio...

Talvez esse [aspecto] seja uma das consequências laterais da mensagem. A Senhora veio avisar: o Inferno existe mesmo. Havia discussões contra isto e ainda há, teológicas e não só. Sobretudo, hoje há uma quase desaparição do Inferno da pregação da Igreja. Os católicos não vivem com o Inferno diante dos olhos, mas aqueles que vão a Fátima vivem, porque a Nossa Senhora pô-lo no centro. Portanto, há um chamar a atenção dos cristãos para essa dramática possibilidade que todos nós temos que ter diante dos olhos e que foi durante séculos central na pregação da Igreja e, nos últimos tempos, tão esquecido. O Papa Francisco tem-no referido sucessivamente – aliás, disse-o em Fátima, quando cá esteve – já que é uma peça indiscutível do Catecismo e da revelação da Igreja que os nossos tempos tinham esquecido. Talvez isso seja uma das causas da segunda parte da desgraça que vem aí e das outras que mais tarde aparecem.

João César das Neves: “O mais importante em Fátima é ter acontecido”
João César das Neves: “O mais importante em Fátima é ter acontecido”

E quanto à segunda parte?

A segunda parte é a mais concreta de todas. Fala da Rússia e da guerra que vem aí, fala de coisas muito concretas do pontificado de Pio XI, que vai começar outra [guerra] pior… O “New York Times”, aliás, disse que os crentes de Fátima consideram que a Nossa Senhora ultrapassou a CNN por 70 anos, por causa dos detalhes quase jornalísticos com que a Nossa Senhora entra [na história], ao contrário de outras aparições, onde nunca chegamos a saber os detalhes. Por exemplo, em Lourdes, não sabemos nada do que a Nossa Senhora disse a Bernardette. Ela morreu e não o revelou. Fátima é diferente: Lúcia contou tudo, durante a sua longa vida.

E até foi aprender a ler e a escrever por causa disso…

Exactamente, essa foi a sua missão. Ela é a única que fala com a Senhora. É ela quem a ouve conjuntamente com a Jacinta. Ela é o centro da mensagem. Se este primeiro século de Fátima foi o século dos dois pastorinhos, provavelmente, este segundo vai ser o da Lúcia. De facto, ainda temos coisas do que ela deixou escrito para saber. Ainda não está tudo revelado, nem sequer beatificado. Ao contrário da maior parte das outras aparições, a Lúcia conta tudo o que aconteceu. Temos aqui um detalhe quase jornalístico dos fenómenos de Fátima.

Mas voltemos ao elenco da segunda parte do segredo: “Se fizerem o que eu vos digo, haverá paz; senão a Rússia espalhará os seus erros, muitas nações serão aniquiladas, os bons serão martirizados e o Santo Padre terá muito que sofrer”. São aspectos relacionados com o destino das nações, a começar pela Rússia, mas não só… O Papa João Paulo II veio de uma dessas [nações] aniquiladas pela União Soviética. Portanto, também inclui o sofrimento do Papa e dos cristãos.

Exactamente, estamos a falar de aquilo que é a história do século XX. A Senhora tinha aparecido já nos séculos anteriores para chamar a atenção para isso. Agora, a Senhora dizer “Se se arrependerem e se rezarem”, não é tanto o detalhe do que vai acontecer – isso depois acontece no concreto dos países, incluindo Portugal que, a seguir ao 25 de Abril, teve uma campanha de oração e a Senhora apareceu à Lúcia e disse-lhe “Quando houver um milhão de pessoas a rezar o terço, acaba a confusão” e, de facto, acabou. Na Polónia, a mesma coisa. Portanto, nos vários países onde se seguiram estas devoções houve consequências históricas em que podemos encontrar casos dramáticos, sempre que se entra no detalhe das circunstâncias – como naquelas situações mesmo terríveis, de o Papa levar um tiro e não morrer, salvo pela oração.

No fundo, esta dinâmica é o essencial da mensagem de Fátima: a história evoluiu mal, o pecado é dramático, mas ao mesmo tempo a presença da Senhora, da oração daqueles que A seguem e da penitência que muitos fazem, tem consequências históricas verdadeiras e, muitas vezes, muito positivas.

Então e as soluções concretas que Ela aponta, nomeadamente, a devoção dos primeiros sábados e a consagração?

As soluções são muito simples. “Rezem o terço todos os dias” – é a única coisa que a Nossa Senhora diz em todas as seis aparições – “e façam penitência pelos pecadores” – já tinha dito o Anjo: “tudo o que poderdes, oferecei a Deus”. Ora, esta entrega orante e sacrificada, em união com a Cruz de Cristo, tem acontecido em Fátima. É dos poucos sítios onde se faz muita penitência visível, pois, nos dias de hoje, não há muita visibilidade na penitência, por isso, é tantas vezes motivo de escândalo e irritação na Igreja. Mas, em Fátima, faz-se penitência. As pessoas vão a pé até lá e descem aquele carreiro de joelhos – o carreiro que a Lúcia desceu para fazer uma penitência pela sua mãe que estava muito doente. O percurso que a Lúcia fez ainda é o mesmo, mas nessa época as condições eram muito piores (entre silvas e pedras).

É um percurso que incomoda porque remete para o sofrimento…

Há muita gente que não gosta de Fátima precisamente por causa dessa penitência, mas ali faz-se penitência. A Senhora diz, de uma maneira misteriosa, que os nossos sacrifícios salvam pecadores e que a nossa oração liberta do inferno deste Mundo – da guerra, da revolução, do terrorismo, do aborto, de todos estes dramas que hoje vemos à nossa volta e que continuam a ofender a Deus –, mas também do Inferno eterno, que os pastorinhos tinham visto. Mais tarde, também a Jacinta vai ver um daqueles demónios e o Papa a chorar em Roma. Ela vai ter outras visões, mas também a Lúcia e essas nem sequer estão todas reveladas.

Então, o que falta ainda revelar?

A Lúcia revelou-nos os dois pastorinhos, mas não se revelou a si. É por isso que digo que neste segundo século de Fátima vamos provavelmente saber muito mais acerca da própria Lúcia e daquilo que a Senhora lhe disse.

Há sempre um esforço humano, racional, que tenta perceber os mistérios de Fátima. O cardeal Lustiger, antigo arcebispo de Paris, num congresso em Fátima, contou que, incomodado por ver uma senhora penitente, de joelhos, visivelmente aflita, foi dizer-lhe: “Minha senhora, Deus não precisa disso… O que tem a pedir, peça-o directamente na Capelinha que Ele a ouve”. Mas ela respondeu ao cardeal: “Mas eu não estou a pedir nada. Estou só a aderir ao que Nossa Senhora pediu em Fátima para a conversão dos pecadores”. Quer dizer, é preciso despojamento para penetrar no essencial de Fátima? Corremos o risco de olhar para aquilo segundo os nossos critérios?

Uma das piores coisas que nos pode acontecer é achar que a conversão é para os outros e que a Senhora deu uma mensagem para os que não sabem, enquanto nós já estamos todos certinhos e prontinhos para o Céu, com bilhete na mão. Recentemente, D. António Marto deu um testemunho pessoal sobre isto. E, ao longo das décadas, têm aparecido grandes figuras da Igreja que, em Fátima, se confrontaram com esta realidade que não conheciam. O próprio João Paulo II teve este confronto. O Papa Francisco também teve este embate com Fátima. É esse o ponto: temos que ter a humildade de perceber que Fátima é maior do que as nossas elaborações, convicções, certezas e teorias e que ir para Fátima com modelos predefinidos vai dar mau resultado. Foi muito interessante ver, por exemplo, como o Papa Francisco entrou em Fátima e como Fátima entrou nele. Este Papa que nós conhecemos é um homem que fala muito. Nós temos muitos textos dele e temos andado a correr atrás deles. Ver como ele dialoga com Fátima e como Fátima entra no seu pontificado é o fenómeno que todos temos que nos deixar abrir. Infelizmente, à volta deste 13 de Maio e do Centenário, várias vezes apareceram pessoas a falar do assunto, sem perceberem o fenómeno.

É preciso fazer uma experiência pessoal?

É preciso confrontarmo-nos com a Senhora, com a mesma abertura que os pastorinhos tiveram e que outros tiveram ao longo das décadas. Mas nós temos muita dificuldade em fazê-lo.

Em relação à devoção dos primeiros sábados, uma das revelações da aparição de 13 de Julho e só depois concretizada com a Lúcia, hoje em dia não está um bocado fora de moda? Não dá só rezar o terço e pronto? É preciso aquela coisa tão detalhada?

Bem, a Senhora pediu, essa é a única razão. Podemos elaborar sobre isso e tenho encontrado várias teorias à volta de “Porquê isto?” e “O que é que vale a pena fazer?”. A Senhora pede coisas muito simples que qualquer pessoa pode fazer: pede para ir à missa, estar 15 minutos com ela, confessar-se, rezar o terço e pronto. Não pede muito mais que isto. É bom fazer isto todos os dias. A Senhora pede cinco vezes. Não diz se é preciso repetir, diz “cinco primeiros sábados”.

E também diz que são muitos os que começam e poucos os que levam até ao fim…

Sim, Ela fala disso porque havia uma devoção que já vinha de Pompeia sobre os 15 primeiros sábados e porque havia muitos que começam e não acabam. A Senhora anda atrás de nós: Ela faz as coisas e nós temos que A deixar fazer. Neste caso, a Lúcia também fez umas perguntas: “Tem que ser antes da confissão ou pode ser depois? Quanto tempo é que é?”… nós portugueses somos um bocado chatos, mas diante das perguntas muito técnicas, a Senhora respondeu sempre com uma paciência enorme: “Não, não precisa de ser antes., pode ser no dia a seguir; e até, se se esquecerem, não faz mal, digam na próxima”… A Senhora não podia ter posto isto mais barato do que pôs e nós. apesar disso. temos dificuldade em fazê-lo. Nós hoje temos dificuldade nas coisas simples, porque queremos coisas mais complicadas e gostaríamos de um preço um bocadinho mais elevado… Se a Senhora pedisse coisas mais complicadas, a gente fazia; como pede coisas muito simples, não fazemos! É uma questão de orgulho e o problema fundamental está neste orgulho. É um dos maiores obstáculos de hoje para os católicos bons em Fátima: o orgulho - não é uma coisa secundária, é mesmo a pedra tropeço. É o pecado do demónio, de Adão, de querer ser como Deus, de ser eu a determinar as condições da salvação. Temos que ter a humildade de aceitar aquilo que a Senhora disse, porque Ela disse. Aquela resposta da senhora ao Cardeal Lustiger é genial. "Eu estou aqui a fazer isto, porque Nossa Senhora disse. Depois Ela faz as contas. Não estou preocupada com mais nada".

Isto tem tudo a ver com cada um de nós, mas a terceira parte do segredo também inclui o Papa. Fátima e Papa são inseparáveis, como recordou o Papa Bento XVI, quando falou aos bispos portugueses, porque daqui brota uma poderosíssima retaguarda de oração que permite ao Papa ser Papa…

Exactamente. Aliás, isso foi agora confirmado com a visita do Papa Francisco. Como todos sabemos o Papa tem esta mania de pedir para rezarem por ele, só que, desta vez, aconteceu exactamente o contrário, ou seja, Francisco agradeceu por nós rezarmos por ele! De facto, em Fátima reza-se muito pelo Papa. Os pequeninos nem sequer sabiam quem era o Papa, foi-lhes explicado depois, quem era aquele por quem andavam a rezar. Foi o Padre Cruz quem lhe explicou quem era o Santo Padre.

É também essa a visão, em que o vêm a cair morto.

E é também essa é a razão porque a terceira parte só foi revelada em 2000. O Papa fez questão de dizer “Já está cumprido. Não fiquem com mais coisas na cabeça, porque o grande problema do segredo tem a ver com isto”. Por isso, é que o segredo permaneceu escondido durante tanto tempo. Já havia os mártires. O resto já se podia ter visto: bastava considerar as nações a desaparecerem depois da revolução da União Soviética. Mas havia aquele elemento do Bispo vestido de branco a morrer varado pelas balas, que foi preciso o Papa e o documento da congregação puderem dizer "Não, isto já está cumprido. Não estejam à espera de mais nada. Está cumprido". É uma pena: só quando já está cumprido, é que a gente sabe…

Por outro lado, também percebemos que o Destino não é imutável. Graças a esta força de oração de que estamos a falar, que brota desde sempre de Fátima, a bala foi desviada.

Aliás, como sabemos há muita gente que faz questão de dizer que ainda não está tudo revelado, para poder continuar a empreender. Continuam a inventar. Ainda há livros a saírem sobre a parte que não foi revelada do segredo de Fátima. São que, para nós não empreendermos nem cairmos em catastrofismos, Nossa Senhora vem avisar e dizer “Ainda se pode evitar, se se converterem, se fizerem penitência e se rezarem o terço”! A pessoa de João Paulo II transformou-se a partir de certa altura no ícone de Fátima. Naquele que de alguma maneira foi salvo por Fátima pela sua devoção a Nossa Senhora e pela devoção do povo a ela que salvou o Bispo de morrer. O que é que teria sido se não tivesse havido este rio de oração que brota de Fátima? O que é que teria sido deste século XX? O que é que teria sido da União Soviética, da Polónia, de Portugal e do Mundo inteiro?

Mas Fátima não ficou arrumada no século XX, pois não? A prova disso são as visitas que o Papa Bento XVI e Francisco fizeram e o que ainda há havemos de ver…

A verdade ainda é esta: o pecado, o Inferno e a guerra continuam. Todos sabemos isso. Portanto, sabemos a resposta: é simplesmente o que Ela disse, desde o princípio, nas Bodas de Caná e de tudo aquilo o resto. A Senhora não vem dizer coisas novas, vem só lembrar e a lembrança continua válida. Nós podemos continuar a rezar pela nossa vida, pela vida do nosso país, pela vida do mundo e pelas almas que estão em risco de cair no Inferno. Portanto, a penitência, a oração e a consagração da vida a Nossa Senhora são a solução e são a parte que ficou revelada desde o princípio. Isto é a parte mais importante e nós somos chamados a cumpri-la. Não há novidade e o Papa disse-o aqui cem anos depois. Este segundo século de Fátima continua a ter os mesmos dramas, mas talvez menos agudos, terríveis e dramáticos.

Mas talvez mais escondidos…

Ou talvez não, até sejam piores, porque hoje os medos ainda são maiores e estamos a ver renascer em todo o lado – do Putin ao Trump, passando por todos os intermédios – algumas ameaças que talvez até sejam mais terríveis do que as outras. Não nos compete avaliar a evolução do mundo. Por isso, é que o segredo foi segredo, para evitarmos esta tentação – que é mais uma vez um sinal de orgulho – de que vamos controlar as coisas e saber da geopolítica e como é que isto evolui. Não é isso que nos compete, a nós compete-nos rezar, fazer penitência e consagrarmo-nos a Nossa Senhora.

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