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Dia Mundial do Refugiado

Refugiados em Portugal. Ysake fugiu de um ditador, Maria não sabe que idade tem

20 jun, 2017 - 11:10 • Olímpia Mairos

Ysake Melat é da Eritreia e Maria da República Central Africana. Fizeram milhares de quilómetros e hoje vivem em Bragança.
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Ysake Melat é da Eritreia e Maria da República Central Africana. Estas duas mulheres fugiram dos seus países, fizeram milhares de quilómetros, sobreviveram à viagem de barco para atravessar o Mediterrâneo e hoje vivem em Bragança.

Ysake Melat, 24 anos, natural da Eritreia. Fugiu da fome e de um país pobre, sem futuro, domado com mão de ferro por um temível ditador.

Fugiu por vários países africanos. Entrou num barco com destino à Europa e chegou a um campo de refugiados, em Itália. De lá veio para Bragança. Chegou grávida há cerca de um ano. O filho, Yosefe, nasceu em Bragança e tem oito meses.

O marido está no Sudão e a mãe de Melat na Eritreia. Apesar das saudades da família que “está longe”, Melat está feliz em Bragança. Trabalha na lavandaria da Santa Casa da Misericórdia de Bragança e gosta muito do que faz.

“Tenho aqui trabalho. Tenho dinheiro e posso mandá-lo para lá, porque a minha mãe não tem trabalho e não tem mais ninguém”, conta à Renascença. O futuro é incerto, mas, “se Deus quiser”, diz, vai ficar em Bragança. “As pessoas aqui são muito simpáticas e ajudam muito”, diz sorridente.

O sonho de Melat é conseguir trazer o marido e construir aqui o futuro. “Tenho um bebé pequenino, muito pequenino, de oito meses e o pai só o conhece pela internet”, diz.

Yosefe é uma criança sorridente, muito bem-disposta. Frequenta o infantário da Santa Casa da Misericórdia de Bragança. Foi baptizado na catedral da cidade, na vigília pascal, e a madrinha é Eugénia Pires, técnica da Santa Casa da Misericórdia de Bragança.

“É mesmo a expressão da solidariedade e da boa vontade do voluntariado na sua expressão máxima”, observa Eugénia.

“Além de tudo o que fazemos como técnicos na Santa Casa da Misericórdia, também temos as nossas vontades e os nossos sentimentos e não conseguimos desligar os sentimentos do trabalho. Fazemos isto com emoção e com vontade e a questão da solidariedade é muito importante. E sinto-me muito grata por ter tido esta oportunidade de o demonstrar através do Yosefe e ajudar também a mãe na integração em Bragança”, acrescenta.

“Aqui é toda a gente igual”

Maria, com aspecto de jovem, não sabe a idade. É muçulmana. Deixou dois filhos na República Central Africana. O terceiro nasceu em Itália, num campo de refugiados depois de, como Melat, ter fugido por vários países africanos e entrado num barco para chegar à Europa.

Está em Bragança, também, há cerca de um ano. O filho, Abdel Moustapha, tem um ano e está no infantário da Misericórdia. Maria sente-se bem na cidade e diz que já aprendeu a “passar, por roupa na máquina, dobrar, separar a roupa de 40 e de 60 cm”.

Gosta de estar em Bragança porque “ganha dinheiro” e tem a “ajuda de muitas pessoas”. E o dinheiro vai quase todo para o seu país, porque, diz, “a família precisa muito”.

As colegas de trabalho gostam muito de Maria e também de Melat. E “a integração foi fácil”, assegura a responsável pela lavandaria, Odete Coelho.

“À medida que as refugiadas vão aprendendo o ofício, também aprendem o português. E já comunicam bastante bem”, diz Odete, realçando que “elas querem aprender e têm força de vontade”.

São duas funcionárias como as outras, “e tem que ser. Aqui é toda a gente igual. Não há diferenças”.

Não há diferenças e a preocupação da Santa Casa da Misericórdia de Bragança é proporcionar a estas duas mulheres uma verdadeira integração profissional e social.

“A nossa preocupação tem sido garantir que encontrem aqui uma segunda vida, uma segunda oportunidade na vida, no sentido de esquecer rapidamente tudo aquilo que ficou para trás e procurar integrá-las também, cada vez mais rápido possível, na nossa comunidade. Foi para isso que nos candidatamos na altura e é nessa forma de estar que nós continuamos”, explica o provedor da instituição, Euleutério Alves.

Acompanhamento de proximidade

As duas mulheres residem com os filhos na casa Abrigo que pertence à instituição que as acolheu e lhes dá trabalho. Têm casa, água, luz, televisão, internet - tudo pago pela Santa Casa da Misericórdia de Bragança.

Ganham o ordenado mínimo, contam com apoios financeiros da plataforma de apoio aos refugiados e também com a generosidade de muitos voluntários que ajudam com géneros alimentares e não só.

Há voluntários que vão com elas às compras, ao médico e a outros locais e fazem um acompanhamento de proximidade, para uma cada vez maior integração.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Eleutério Alves, mostra-se disponível para receber mais refugiados, inclusive “crianças não acompanhadas”, e refere que a instituição mantém em aberto também outro programa destinado “a refugiados com perfil diferente”, nomeadamente agregados familiares que queiram trabalhar nas zonas rurais.

“Este programa ainda não teve candidatos”, lamenta.

Comentários
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  • Mário Guimarães
    21 jun, 2017 Lisboa 13:02
    A quantidade de ditadores que estas pessoas inventam ! Os amaricães,russos e franceses fizeram refugiados para saquear as riquezas do sub-solo e nós recebemos os refugiados.Está certo!Só pode ser um Povo inteligente. Já vi estes refugiados aproveitarem-se da ingenuidade dos portugueses. Vão todos para o raio que os partam começando pelos que chamam governantes deste triste Portugal!
  • Maria
    20 jun, 2017 Porto 14:26
    Bem hajam!
  • Ora bem!
    20 jun, 2017 dequalquerlado 14:09
    Assim dá gosto de ver estas pobres mulheres que têm o sorriso de feliz e são tratadas com dignidade. Pelo menos se sentirem gratidão, se não andarem todas tapadas e respeitarem os nosso costumes já por isso merecem o meu respeito.