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Passos Coelho acusa Governo de viver da "herança" e de não se esforçar

11 jun, 2017 - 22:36

Passos Coelho acusou ainda o Governo de "nem sequer ter a coragem de assumir" os cortes que faz.
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O presidente do PSD disse domingo, em Santarém, que não se conhece nenhuma "reforma importante", nenhum esforço "para ir mais longe" do actual Governo, que acusou de estar a viver da "herança do passado".

"Quem não se esforça para ir mais longe não chega lá. Pode viver de heranças, mas as heranças acabam, esgotam-se. Gostava de ouvir o Governo dizer uma coisinha, pouca que fosse, sobre o muito que tem de fazer se queremos ser ambiciosos", afirmou o líder social-democrata.

Falando no encerramento da convenção autárquica do PSD do distrito de Santarém, Pedro Passos Coelho lamentou que o Governo socialista tenha "desperdiçado" todo o trabalho feito em matéria de descentralização de competências e que, só em vésperas das eleições autárquicas, tenha "sinalizado uma vontade genérica" com um "projecto de intenções" que, na generalidade, "são uma decepção", pois só quer transferir responsabilidades para os municípios sem dizer que meios vai disponibilizar.

Dirigindo-se aos autarcas e aos candidatos do partido às eleições de 1 de Outubro, Passos Coelho afirmou que, "felizmente, o país pode crescer" porque o seu Governo fez "o que era preciso" e também "porque a Europa está a crescer mais" e porque o turismo "está em alta".

"Agora que percebemos que o país pode mais, é preciso fazer alguma coisa para que isto dure, temos de fazer mais e melhor", disse, acusando os membros do actual Governo de andarem "de um lado para o outro" em "campanha e propaganda por todo o lado", sem que se conheça "nem uma" reforma importante "a olhar para o futuro".

O líder social-democrata exortou o Governo socialista a ser, "pelo menos, coerente" com a promessa de uma "política diferente", que permitiria devolver rendimentos e baixar impostos e, ao mesmo tempo, reduzir o défice, "sem outros sacrifícios".

"Hoje sabemos qual é essa política diferente", disse, afirmando que ela representou "um corte de quase um ponto percentual do investimento público" em educação, saúde, "infraestruturas importantes que estavam programadas" e dentro da própria administração.

Passos Coelho acusou ainda o Governo de "nem sequer ter a coragem de assumir" os cortes que faz, apontando o "raspanete público" passado pelo ministro da Saúde aos responsáveis dos centros de saúde, de "que não pagavam a horas e estavam a aumentar os atrasados", pondo em risco os fornecimentos aos serviços de saúde.

"É preciso ter lata. Ele não lhes dá o dinheiro e depois reúne-os a todos e passa-lhes um corretivo 'então os senhores não pagam?'", declarou.

"Ao menos podiam dizer 'vamos cortar porque não temos dinheiro'. É o que se passa, é que não têm dinheiro e, por isso, vão ter de reduzir os serviços", afirmou, sublinhando que "não foi para isso que se fizeram sacrifícios durante tantos anos".

"Não foi para gerir o país nos próximos anos como se estivéssemos em emergência financeira, porque nós não estamos em emergência financeira e não é preciso, fora de um quadro de emergência, actuar desta maneira", disse, assegurando que "esse problema" ficou resolvido pelo seu Governo.

Afirmando que, em 2015, a economia estava em recuperação, Passos Coelho explicou o abrandamento em 2016 com estar "tudo à espera de ver o que dava" um Governo suportado pelos partidos à esquerda e a perspectiva de se cumprirem as metas este ano com o ter-se percebido que Bloco de Esquerda e PCP "afinal estão no bolso do Governo", aceitando agora "a troco de muito pouco" o que antes contestavam.

"Trabalhámos muito para que o país pudesse crescer como está a crescer", disse, afirmando que, se o seu Governo tivesse feito "um caminho à Syriza", o país estaria agora a aprovar pacotes de austeridade como acontece com a Grécia, num momento em que a Europa "só fala de crescimento e não quer falar de austeridade".

"Que pena que não exista uma missão da 'geringonça' a Atenas para explicar àquela gente que têm outras escolhas e podem fazer doutra maneira - mandar a troika embora, investirem, repor os salários, apostarem no crescimento. Porque é que a Grécia não aposta no crescimento? Deviam ir lá vender essa teoria para ver se alguém engolia essa conversa fiada", disse.

Comentários
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  • Fernando
    14 jun, 2017 Fernão 16:39
    Tenho pena do Manuel, do Zé, do Jorge, do Fanã... Sabem porquê? Andam iludidos com os truques de ilusionismo com que o kamarada kostov engana todos os portugueses. Ainda acreditam que a austeridade acabou ou que vai acabar?? Nunca! O Sr Kostov deu umas migalhas para tirar o bolo! Quantos impostos não foram agravados desde que a geringonça assumiu o poder? Imaginem que até criaram um imposto revisto de 3 em 3 meses. Ou pelo menos era assim que iriafuncionar quando a gasolina estava a baixar, depois a gasolina começou a subir... esqueceram-se! Eles comem muito queijo! Mas eu não vou em cantilenas. Não é por andar sempre a mostrar os dentes que o Kosta me engana!
  • fanã
    13 jun, 2017 aveiro 17:23
    Claro esforçar-se a custa do contribuinte protegendo a alta finança, foi o que fez esta personagem. Por isso mesmo o Sr. Gaspar foi para o FMI, sem falar da Albuquerque que teve o tacho a espera . Neste Partido Sem Destino, já sabemos o que a casa gasta. Não ilibo os outros governos precedentes dos crimes cometidos, mas PSD e CDS juntos não foram melhores !
  • Jorge
    12 jun, 2017 Seixal 16:24
    Para este papagaio e para o resto do clã (leia-se CDS), as reformas importantes para ir mais longe são: roubar 1.800 milhões de euros, faseadamente ao longo de três anos aos reformados - a tão apregoada reforma da segurança social - espoliar os funcionários públicos, criar mais um milhão de pobres….. Entretanto pela surra deixar voar mais uns milhares de milhões de euros para offshores, incentivar a emigração dos jovens, vender as empresas mais lucrativas do estado, levar as pequenas e médias empresas à falência em detrimento das grandes multinacionais, criando mais desemprego…. E depois ainda tem o descaramento de vir dizer com aquele sorriso sarcástico "Trabalhámos muito para que o país pudesse crescer como está a crescer". Só acredita neste imbecil quem está vazio de ideias e gosta de ser manipulado.
  • 12 jun, 2017 aldeia 00:18
    A "herança" que o psd/cds deixou ao povo:miséria,desemprego e emigração,o povo não o irá esquecer tão facilmente,tirar e tirar ao povo para dar aos grandes e poderosos,vender o país a retalho,esconder a situação da banca etc...etc.....Esta foi a herança!
  • Manuel
    12 jun, 2017 Moura 00:17
    Mas este individuo nunca mais se cala? deixou os portugueses de tanga e agora vem com uma conversa destas.