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Chefe da investigação de acidentes aéreos: "Fazemos milagres com os recursos que temos"

25 out, 2016 - 19:29 • José Carlos Silva

Em entrevista à Renascença poucos dias depois de um acidente no aeroporto de Lisboa, Álvaro Neves volta a pedir reforços de meios e diz que não teme ser exonerado.

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O director do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), Álvaro Neves, diz em entrevista à Renascença que ocupa um lugar de muito trabalho, mal pago e não teme ser exonerado. Diz que a sua equipa "faz milagres" com os recursos que tem à disposição.

O gabinete que investiga todos os acidentes com aeronaves em Portugal tem apenas dois técnicos para fazer todo o trabalho. O problema é antigo, mas continua sem resposta do Governo.

Na sequência do mais recente “incidente” durante a aterragem de um avião da TAP no aeroporto de Lisboa, Álvaro Neves lembra os responsáveis políticos que o GPIAA tem falta de meios humanos e materiais.

Depois das denúncias de falta de meios que tem feito, não teme ser exonerado?

Isto é um lugar que, provavelmente, não é muito apetecível, porque a remuneração não tem nada a ver com o lugar de outros directores ou de outros presidentes de outro organismo dentro da aviação civil, já para não falar nos restantes. É um lugar que não é atractivo e estou plenamente disponível para o que quer que a tutela considere que eu deva fazer, estou disponível para aceitar a decisão que a tutela tome.

Respondo à sua pergunta friamente, com muita objectividade: não estão minimamente preocupado. Estou plenamente tranquilo, desempenho a minha missão como tenho vindo a desempenhar até agora e a tutela, como responsáveis por este organismo, tomará a decisão que achar por bem. Não estou com essa preocupação porque é um lugar de trabalho e não um lugar de remuneração elevada.

A tutela já lhe falou em reforçar os meios do GPIAA?

Não. Aguardo e estou muito convicto e confiante de que a tutela irá entender este meu pedido, porque não estou a pedir nada de mais, estou a pedir condições para trabalhar. É para isso que eu desempenho este cargo, é para trabalhar, para desempenhar com brio e profissionalismo esta missão e só o poderei fazer se me derem algumas condições.

Não estou a pedir muito, estou a pedir as condições que considero que devo ter para poder, com a minha equipa, evoluir positivamente em prol da segurança aérea. Estou plenamente convicto que o senhor ministro e o senhor secretário de Estado que tutelam este organismo irão perceber as minhas palavras, vão conversar comigo para chegarmos a uma conclusão que traga a este organismo um bocadinho mais de dignidade, que é só isso que eu peço.

Considera que o GPIAA faz milagres no seu trabalho com os meios que dispõe?

Com os recursos que temos, nós estamos a fazer milagres. Se não fosse ter uma equipa motivada, que vamos trabalhando e dando resposta àqueles processos que são mais prementes na aviação de transporte aéreo, que é o nosso target principal. No fundo, [tentamos] investigar o mais rápido possível para poder recomendar, se for o caso, a alteração de procedimentos na aviação civil para conseguirmos ter maior segurança.

Com uma equipa de duas pessoas, com tantos processos de ocorrências em mãos, não é fácil fazer um bom trabalho. Vamos, na medida do possível, fazendo esse bom trabalho, os relatórios estão a ser publicados, não ao número que eu gostaria, mas com o quadro que tenho estamos a trabalhar arduamente, com muita vontade. Se não é milagres, chamemos-lhe outra coisa, pelo menos vontade de fazer um bom trabalho, estamos a fazê-lo.

Comentários
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  • Emilia Isabel Soares
    13 jan, 2017 Parede 17:42
    A que partido pertence o sr. Álvaro Neves? "Diz-me a que partido pertences... dir-te-ei o destino que terás!"