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Crónica

JMJ. Em Chrzanów, uma história de amor une Portugal e Polónia

28 jul, 2016 - 21:38 • Olímpia Mairos

Conheceram-se na JMJ de Roma, em 2000. Hoje são um casal que dá hospitalidade a um grupo “muito especial”.
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Tudo começou na primeira participação de Alberto Salgueiro nas JMJ. Na sua e da sua paróquia! Alberto conta à Renascença como tudo aconteceu.

“Fomos só três. Foi a primeira vez que alguém da minha paróquia foi às JMJ. Foi incentivo do senhor padre. E foi lá que conheci, entre muita gente, uma pessoa que, depois, viria a ser minha esposa”.

No início eram apenas amigos, com amigos comuns… Amigos que se escreviam…

“Tínhamos amigos do Chile, do Canadá… Mas houve uma troca de contacto, de postais no Natal, na Páscoa… mais com ela…”

Em 2004, Alberto Salgueiro veio à Polónia, para participar num seminário do Programa Juventude, um Programa da União Europeia para jovens, e decide visitar a amiga, Joanna. Uma visita que se prolongou um pouco mais que o previsto.

“Disse: ‘já que tenho uma amiga na Polónia, então vou visitar a amiga’. Depois do seminário fiquei dois dias na terra dela (Chrzanów)… e alguma coisa aconteceu… e que me fez ficar…”.

Mais tarde, nesse ano, Alberto termina a licenciatura em Psicologia e vem para a Polónia. Mesmo sem dominar a língua, os “amigos” comunicavam em “linguagem gestual e inglês”.

“Tanto eu como ela falamos inglês, provavelmente não tão bem, mas… sobretudo inglês e muita linguagem gestual”.

Hoje, Alberto, de 36 anos, é casado com Joanna Szyndler, professora de matemática, com 37 anos, e tem duas filhas, uma com 4 outra com 6 anos. O curso? Esse, para já, fica na gaveta, pois para o exercer, Alberto tem que “saber a língua na perfeição” e realizar um “exame nacional”. Vale-lhe a língua nativa como instrumento de trabalho, aproveitando a onda dos fundos europeus atribuídos à Polónia.

“Já fiz várias coisas ligadas à língua portuguesa com associações comerciais e industriais. Agora há muitos fundos europeus. Eles (os poloneses) fazem vistas de contacto noutros países e quando é para Portugal ou França, precisam de um intérprete. Então eu organizo essas viagens, o encontro, logística”.

Acolher peregrinos. “Chegou a altura de retribuir”.

Neste momento, Alberto e Joanna têm na sua paróquia - Paróquia de Nossa Senhora Ostrobramskiej - cerca de 200 pessoas da diocese de Viseu, Guarda, Lisboa, Porto, Braga e Aveiro.

De entre “essa gente toda” está “um grupo muito especial” para Alberto - o grupo de jovens de Galegos de Santa Maria, Barcelos, a sua terra de origem. “Galegos de Santa Maria que, agora, passa a nossa imagem de marketing, o galo de Barcelos”, diz Alberto com humor.

Alberto fez parte do grupo de jovens de Galegos desde os 14 anos até aos 24. “Fui presidente durante 4 anos. Pertenci sempre à equipa de animação, mas depois tive que deixar, quando vim para aqui, mas estive sempre em contacto e ajudando no que fosse necessário”.

Encontrou-se com o grupo nas JMJ na Alemanha. E agora, com as JMJ na Polónia, Alberto faz a experiência de acolher o seu próprio grupo de adolescência e juventude que este ano completa 20 anos de existência.

“São 16 pessoas e mais duas que vêm no fim-de-semana, são 18. E estão acolhidos lá, em nossa casa, e é para mim uma satisfação imensa, imensa, ter em minha casa o grupo que eu vi fundar, do qual fui presidente, e com quem fui a várias JMJ”.

“Agora chegou a altura de retribuir aquilo que me deram muitas vezes. Era o mínimo que eu poderia fazer, ajudar o máximo que pudesse, que era o alojamento e tudo o que fosse logística. Tem sido fantástico”.

“Eles sabiam que eu estava cá. Eu tinha imenso gosto que eles viessem para aqui. E eles fizeram questão de vir para onde eu estava. E tudo foi planeado para a nossa paróquia”.

Alberto sente-se feliz, “muito feliz” por poder “cantar novamente as músicas da pastoral juvenil” que cantava em Portugal. “Foi preciso esperar 12 anos, para poder ter aqui [na Polónia] portugueses e viver o espírito que vivia em Portugal”, desabafa, feliz.

Questionado pela Renascença sobre o possível regresso a Portugal, Alberto considera “muito complicado regressar, por questões de trabalho” e, também, porque uma filha “já anda na escola e a outra vai daqui a dois anos”, mas, “é uma questão que nunca está fechada”.

“É um desejo, mas tem que se pensar também na realidade... Neste momento é mais por cá…”.

“Na brincadeira com a minha esposa, digo muitas vezes que na reforma vamos para Portugal para compensar um bocadinho. Eu gostava muito e a minha esposa também gostava, se bem que aqui também estamos bem, bem acolhidos e bastante bem integrados, mas… nunca se sabe”, conclui.

A Renascença acompanha peregrinos na Jornada Mundial da Juventude a convite da Sacro Viagens.


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