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“O cristianismo é um motor no coração das pessoas”

06 jun, 2016 - 15:21 • Ângela Roque

Cinco portuguesas vão usar as suas férias para fazer voluntariado com a Cáritas da Jordânia, um dos países que mais tem recebido refugiados. Duas são juristas, as restantes são profissionais da área da saúde. Católicas, sentiram-se interpeladas a ajudar lá, na linha da frente, onde chegam primeiro os que fogem da guerra.
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A ideia partiu da jurista Ana Rita Sousa, que, há cerca de um ano, resolveu “Dividir o bem pelas aldeias”. Foi este o nome da iniciativa que criou no Facebook para apoiar, cá, os refugiados que Portugal se tinha disponibilizado a acolher. Em entrevista à Renascença conta que a ideia inicial não era partir: “Não, nunca. Eu achava que o importante e urgente era criar acolhimento cá”.

Mas os atrasos sucessivos na chegada dos migrantes, e a decisão de vários países fecharem fronteiras, fizeram-na pensar que seria mais útil ir apoiar quem está a receber mais refugiados. “Interroguei-me ‘o que é que eu posso fazer e dar neste momento?’. Ora, eu tinha as minhas férias e achei que isso era o melhor que podia oferecer”, explica Ana Rita Sousa. Tentou saber se a Cáritas Portuguesa tinha algum tipo de parceria para voluntariado internacional, mas “não tinham nada organizado”. Avançou, então, com contactos para “as ONG que estão no terreno, com a mão na massa”. Enviou e-mails para a Cruz Vermelha Internacional, Serviço Jesuíta aos Refugiados e Cáritas na Grécia, Turquia, e Jordânia, “no fundo países onde há campos de refugiados”.

A primeira entidade que lhe respondeu foi a Cáritas da Jordânia: “Diziam que estavam abertos a receber voluntários internacionais. Fiquei muito contente e pensei, temos aqui um sim, é um primeiro sinal, somos bem-vindos!”, conta. Lançou, então, o desafio na página “Dividir o bem pelas aldeias”, para ver quem estaria disposto “a ir ajudar lá, onde é preciso”. Em poucos dias recebeu resposta de quatro jovens: “Três delas já conhecia, eram do norte, e até já tinham tentado partir com os Médicos do Mundo”.

Uma delas acabou por não poder ir nesta data, e desistiu. Ficaram duas. “A Catarina Soares é enfermeira, de Espinho, a Sofia Chaves é de Braga, trabalha também na área da saúde, é uma analista especializada”. Pouco tempo depois candidatou-se outra voluntária, “a Ana Cristina Figueiredo, que é jurista como eu, e já esteve umas 20 vezes na Jordânia. Criou lá amigos, mas desta vez sentiu que não era o momento de ir em turismo, mas de ir trabalhar, ajudar”.

A mais recente a juntar-se ao grupo foi Inês Correia, de Alcobaça, com formação também na área da saúde. “Está a trabalhar no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e já teve uma experiência de voluntariado em África”. Ainda houve outras pessoas que tentaram saber se podiam ir, mas “a Cáritas Jordânia tinha-nos dito ‘não mais de quatro’, depois permitiram cinco, e então percebemos que para esta primeira partida não deveríamos ser muito mais, seria difícil de gerir”.

É este grupo que estará na Jordânia a partir desta terça-feira. Com idades “entre os 27 e os 50 e poucos anos”, Ana Rita explica que as une “o ideal de estar ao serviço, de estar à disposição. O que nos mandarem fazer é o que nós queremos fazer”. Estarão todas juntas de 7 a 21 de Junho, “serão 15 dias à disposição da Cáritas. Mas a Sofia e a Catarina, que são do norte, ficarão até domingo seguinte, 26 de Junho”, porque têm mais dias de férias para dispor.

Vão para Amã porque, apesar de a Jordânia ter vários campos para os refugiados, que já são 25%, da população, a maioria, 80%, está nas grandes cidades. Ainda não sabem exactamente o que vão fazer, mas trabalho não faltará. “A Cáritas tem ali uma cantina social, a parte de ambulatório médico e a distribuição de bens e de víveres, portanto haverá certamente muito para fazer, nem que seja descascar batatas”, diz Ana Rita Sousa, que acrescenta: “Uma coisa que é bonita é haver muitos voluntários muçulmanos ao lado de cristãos, a trabalhar”.

Olhando para o que as juntou, Ana Rita não duvida que foi os valores que partilham. “O convite era para todos, e era bonito que viessem até pessoas sem convicções religiosas, porque no fundo esta é uma questão humanitária. Mas damo-nos conta que quem responde está habituado a sentir-se interpelado por aquela voz interior ‘tenta ser generoso, tenta ir ao encontro do teu próximo’. O cristianismo é um motor no coração das pessoas”.

A entrevista a Ana Rita Sousa foi transmitida na íntegra no programa “Princípio e Fim” de Domingo, 5 de Junho.

Comentários
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  • André Nzomengo
    21 set, 2016 angola 21:30
    A judar o proximo Não simboliza Amar o Proximo mais Amar o proximo simboliza Ajudar o Proximo e mostar ele A jesus isoo é Amor e ajuda
  • António Costa
    08 jun, 2016 Cacém 06:38
    Deixem de dar "água envenenada" às pessoas, que elas imediatamente vão deixar de ter necessidade de fugir. Ajudar os "doentes" sem curar a doença, só vai espalhar a doença por muito boas e decentes que são as intenções destas pessoas. Sem combater a doença não se vai a lado nenhum......
  • Patricia
    07 jun, 2016 Recife 18:26
    Glória a Deus que nos permite imitar os passos de nosso Senhor Jesus!