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Marcelo diz que Acordo Ortográfico “é um não tema”

10 mai, 2016 - 17:32

Depois de o colocar na agenda e abrir uma polémica, o Presidente da República diz que a nova ortografia é um "não tema", uma "não questão".
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que a questão do Acordo Ortográfico “é um não tema”, escusando-se a comentar as reservas que vieram de diferentes países lusófonos sobre uma eventual reavaliação a este documento.

Falando em Lisboa esta terça-feira, no final da Assembleia Geral da COTEC Portugal, entidade da qual Marcelo Rebelo de Sousa é presidente honorário, o Presidente da República foi questionado pelos jornalistas sobre as críticas de Cabo Verde, da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e de Angola a propósito de uma eventual reavaliação do Acordo Ortográfico, tema levantado pelo chefe de Estado português durante a visita da semana passada a Moçambique, onde disse que se Angola e Moçambique não ratificarem o acordo essa pode ser uma oportunidade para “repensar o tema”.

Agora, porém, o registo foi outro. “É um não tema. É uma não questão”, respondeu Marcelo Rebelo de Sousa, escusando-se a fazer qualquer outro comentário sobre o assunto.

O secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, disse na segunda-feira que não há volta atrás na questão do Acordo Ortográfico, considerando desnecessário o debate gerado nos últimos dias em torno desta questão.

Já o ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, defendeu também na segunda-feira, em declarações à agência Lusa, que qualquer decisão relativa ao Acordo Ortográfico deve ter base científica e não resultar de opiniões de políticos “transitoriamente nos cargos”.

Por seu turno, o ministro das Relações Exteriores angolano, Georges Chikoti, afirmou esta terça-feira que Angola e Moçambique registaram alguns progressos para a ratificação do Acordo Ortográfico, mostrando confiança em torno de um consenso.

Vê, ouve, lê, mas não quer comentar

Outro dos assuntos sobre o qual o Presidente da República não quis adiantar qualquer posição foi o dos contratos de associação com escolas privadas, tendo reiterado que ainda não é o tempo oportuno para se pronunciar.

Confrontado com os desenvolvimentos acerca do tema que tem extremado posições entre o Governo e a direita nos últimos dias, Marcelo Rebelo de Sousa disse: “Eu sei, eu sei. Eu vejo a televisão. Como dizia a Sophia Mello Breyner, 'vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar', mas outra coisa é falar”.

Sobre a promulgação da lei que “protege a casa de morada de família no âmbito de processos de execução fiscal”, que foi anunciada esta terça na página da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou apenas as justificações que acompanharam esta decisão.

“Expliquei aquando da promulgação, como tenho feito sempre no sítio, que além de ser uma medida social, me impressionava muito o largo consenso no parlamento. Como sabe foi votado por maioria e com abstenção do CDS. O que significa que houve largo consenso em relação à não rejeição da medida social”, insistiu.


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  • ADISAN
    11 mai, 2016 Mealhada 18:53
    Estes iluminados sempre acusaram Salazar de querer manter o Povo "burro". Agora fazem precisamente a mesma coisa. Mas, infelizmente, já não é só com a nossa Língua materna que isso acontece. Tudo o que está dependente da política e dos políticos é assim! Nunca sabemos em que Lei realmente vivemos! Como é que um país pode progredir nestas condições? Vivi 34 anos num país rigoroso, e, embora inícialmente houvesse a grande barreira linguística (alemão), consegui muito mais facilmente integrar-me naquela sociedade, que re-integrar-me em Portugal. Já regressei há 17 anos, e ainda não o consegui, pois, cada dia que passa há sempre novas alterações na lei em que vivemos. Agora até a opinião do PR muda de dia para dia. Tão entusiasmados andam com a reunificação com o Brasil, que até nisto parecem querer imitar os brasileiros!
  • rosinda
    10 mai, 2016 palmela 22:54
    palavras santas as do ministro da cultura e industrias criativas de cabo verde! O acordo ortografico nao deve resultar de opinioes de politicos transitoriamente nos cargos!Deve ter base cientifica.
  • João Forte
    10 mai, 2016 Ansião 22:40
    É um não tema?! Então se a maioria dos portugueses é contra este "acordo" ortográfico, desde quando é que não é um tema?! É um tema e dos fortes! Agora que foi apertado pelo lóbi minoritário acordista, após as declarações iniciais, a favor do repensar, voltou atrás nas afirmações, porquê? Subserviência ao lóbi acordista? E o povo que se dane? Revogação imediata do "acordo" ortográfico!
  • pa
    10 mai, 2016 porto de mós 20:29
    Este cata vento nunca mais se cala.
  • Alberto Sousa
    10 mai, 2016 Portugal 20:16
    E depois admira-se que o chamem de cata-vento!!! Realmente este comentador/presidente vai falando e dando (ou não) opiniões consoante o momento e os interlocutores.
  • B
    10 mai, 2016 Lisboa 19:36
    Marcelo Rebelo de Sousa a mostrar outra vez que não tem coluna para ser presidente de Portugal.
  • fabsousa
    10 mai, 2016 Caminha 19:24
    Mas que presidente que nós temos, que não é capaz de assumir, integralmente, aquilo que pensa e diz. Eu também não aceito um chamado "acordo" q
  • Álvaro Pereira
    10 mai, 2016 Amadora 18:29
    Eu sempre achei e continuo a pensar que o "acordo ortográfico" foi um erro gigantesco. Línguas que têem mais falantes que o português não têem semelhante coisa! Vou dar 2 exemplos: 1 - Como é que uma bebida que se chama whisky no Reino Unido e em todas as partes do Mundo, se chama whiskey nos Estados Unidos e na Irlanda? 2 - Como se chama aquela ilha onde eu passei férias em 1993: Ibiza ou Eivissa?