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Bispos incentivam luta contra mudanças nos contratos de associação

10 mai, 2016 - 16:56 • Ecclesia

Conferência Episcopal Portuguesa deixa palavra de "incentivo" a quem luta pela "liberdade de escolha das famílias".
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A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) está preocupada com as mudanças nos contratos de associação do Governo com as escolas do ensino particular e cooperativo.

“O Governo aprovou um projecto para três anos, em 2015, sobre os contratos de associação, que obedece a regras por ele aprovadas, e não deveriam ser mudadas antes de terminar o primeiro ano”, disse o padre Manuel Barbosa, secretário da CEP, após a reunião do Conselho Permanente do organismo episcopal.

Além da manifestar preocupação, a CEP deixou uma palavra de “incentivo” às associações e pais que “lutam no terreno”.

“Esperamos que haja bom senso nas decisões a tomar, para que exista efectivo serviço às populações também através das formas de educação das escolas não-estatais”, observou o secretário da CEP.

O responsável sublinha em particular a situação de vários estabelecimentos de ensino que “podem encerrar”, colocando em perigo de desemprego “quatro mil docentes e pessoal não-docente”.

Em causa estão os contratos que o Estado celebra com escolas privadas para permitir a frequência dos colégios em condições de gratuitidade, como oferta educativa pública equiparada à das escolas estatais (contrato de associação), onde a rede pública é insuficiente.

A CEP recebeu em audiência a direcção da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo para inteirar-se da situação no terreno e o padre Manuel Barbosa sustenta que está em causa “a liberdade de escolha das famílias”, apontando a necessidade de “estabilidade e autonomia” para as instituições de ensino.

A esse respeito, citou o número 84 da exortação apostólica “A Alegria do Amor”, no qual o Papa escreve que “o Estado oferece um serviço educativo de maneira subsidiária, acompanhando a função não-delegável dos pais, que têm direito de poder escolher livremente o tipo de educação”.

O secretário da CEP recorda ainda que neste domingo, o cardeal patriarca de Lisboa apelou ao “justo financiamento” das escolas do ensino particular e cooperativo, por parte do Estado, e ao respeito pelas “escolhas” dos pais.

“O Estado não é o dono do serviço da Educação”, assinalou o padre Manuel Barbosa.

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  • Maria Olinda Almeida
    23 mai, 2016 Gondomar 14:49
    Bispos incentivam a luta? Mas que luta? Será contra os cortes que os reformados sofreram? Será contra o desemprego? Contra a precaridade? Contra a fome que milhares de crianças passam, tendo como única refeição a que comem na escola pública? Será contra os maus tratos dados aos velhinhos, mesmo em instituições da dita Sta Casa da Misericórdia? Será contra o desperdício de dinheiros públicos gastos na formação de jovens que o ex 1º Ministro mandou emigrar? Não, manda lutar pelas regalias de alguns, o que como católica me deixa envergonhada! Será que os professores, pais , alunos e funcionários da escola pública, católicos, não merecem a atenção dos bispos? Nunca os ouvi defender os milhares de professores TRINTA MIL (30.000) que ficaram no desemprego e que foram mandados emigrar!!! Que igreja é esta que apenas luta e defende alguns? A do Papa e a de Jesus Cristo não me parece ser bem esta! Jesus Cristo e o Papa Francisco está atento aos pobres, aos mais necessitados enquanto que os bispos se preocupam exclusivamente com as regalias e mordomias de alguns!!! O Papa diz que é " pecado mortal" explorar o trabalhador ou seja, não lhe pagar um salário justo, nestes quatro anos nunca ouvi os bispos denunciar este abuso praticado por alguns empresários Srs Bispos saiam dos palácios e imitam um pouco mais, já não digo Jesus Cristo, que não tinha onde reclinar a cabeça, mas o Papa Francisco que deixou o Palácio do Vaticano e foi para casa de Sta Marta, onde vive como os demais.
  • Ana
    20 mai, 2016 Aveiro 12:53
    Outro erro grosseiro de ambas as partes; Da igreja, dos pais e da protecção de menores. Primeiro: -Criança não pede para vir ao mundo, e lugar de criança é na Escola com todos os incentivos e condições mínimas que elas precisam de ter . Os pais desses menores ao permitir esse ridículo papel, estão a cometer crimes expondo a imagem dos filhos que são menores de idade. Segundo- A igreja deveria de ter vergonha de tal absurdo, o que faz a igreja com as verbas que recebem do Vaticano e outros meios, bem eles sabem do que estou a dizer que não ajudam essas famílias? - Bom... nem vale a pena mais comentários. Terceiro- ONDE ESTÁ A PROTECÇÃO DE MENORES DE PORTUGAL AO PERMITIR ISSO? Isso é o mesmo que exploração da imagem de menores para fins lucrativos e outros . É crime!!!!
  • José
    16 mai, 2016 Oeiras 18:23
    Os bispos deviam se preocupar com a pedofilia na igreja católica. E não era necessário o dinheiro dos contribuintes.
  • Rijova
    12 mai, 2016 Sacavém 15:45
    Os padres além daquilo que recebem das esmolas dos não satisfeitos querem mais .Por favor avaliem os padres das vossas paróquias e vejam que a maioria tem sinais exteriores de riqueza , Donde Vem ? Das esmolas que os pobres dão á igreja e dos nossos impostos
  • Carlo Magno
    12 mai, 2016 Lisboa 15:00
    A escolha é livre! Paguem é do seu bolso! Não com o dinheiro dos outros.... ora porra!!
  • Jorge Andrade
    11 mai, 2016 Elvas 20:17
    Com este pensamento do tempo guerra fria, com o andar da carruagem vão querer acabar com Universidades particulares, hospitais particulares, bancos particulares,... acabar com tudo particular... Vamos todos começar a aprender Marx, Cunhal e Zeca Afonso, vamos ter 1 só banco (CGDepósitos) e se queres cultivar um campo, podes apropriar-te do terreno do vizinho ao lado. VIVA O SÉC 21
  • António Sousa
    11 mai, 2016 Lisboa 20:00
    Pelo que li, acho que estas escolas cumprem um serviço público de qualidade, se é mais barato ao estado... melhor ainda. Conheço hospitais exatamente nestas condições com um serviço público de excelência.
  • Rosa Araújo
    11 mai, 2016 Porto 19:53
    Oh D. FÁTIMA FARIA provavelmente em lugar dos crucifixo a senhora preferiria seringas ou umas "naifas", tudo com um rap à acompanhar
  • Jorge Vasconcelos
    11 mai, 2016 Braga 19:39
    @ Porque será que a Igreja não baixa significativamente as propinas na Universidade Católica, para permitir essa tão propalada liberdade de escolha no ensino? É que o custo anual ultrapassa os 4 mil euros, coisa comportável por uma minoria silenciosa que vai pagando a escolha ...
  • Ó joão lopes
    11 mai, 2016 lx 19:39
    de Viseu!...Ainda Cavaquistão?...Deve estar a brincar com a nossa inteligencia! Quem quer implementar na escola, uma ideologia à força, são os seus correligionarios dos PSDs e CDSs!...E é à força de, todos os contribuintes terem de pagar os colegios que os pais de alguns meninos, falaciosamente falando em conceito de escolha, pretendem que eles frequentem os colegios privados à custa do erario publico ou seja, dos nossos impostos! Eventualmente você é um deles ou então eventualmente também se dedica à fuga aos impostos e portanto não lhe faz moça!...Quem quer ter os filhos nos colegios privados, tem todo o direito de escolha, mas também tem o dever de pagar do seu bolso os respectivos custos! Isto é ideologia ou é defesa dos interesses do Estado e do erario publico?....Ora pense bem e se for intelectualmente honesto e não clubista ferranho, verá que está a incorrer num erro de raciocinio! Não pretenda fazer-nos de lorpas!