A+ / A-
Reportagem

“Aquele ministro não manda na minha carteira”. Aumenta o número de portugueses a abastecer em Espanha

14 mar, 2016 - 14:55 • Olímpia Mairos

O apelo do ministro da Economia para que os portugueses não abasteçam de combustível em Espanha não só não foi seguido como terá tido efeito contrário. "Está a ser impossível, com carros, carrinhas, camiões sempre a chegar. Não paramos um minuto”, ouve a Renascença em Feces de Abajo, entre Chaves e Verín.
A+ / A-

Um automóvel, mais um, mais outro. E ainda outro… Duas carrinhas, um, dois, três camiões… Há fila nas bombas de gasolina à saída de Feces de Abajo, em direcção a Verín, Espanha.

Tem sido assim, desde há muito tempo, mas, sobretudo, desde sexta-feira, altura em que o ministro da Economia, Miguel Caldeira Cabral, apelou ao "civismo" da população residente próximo da fronteira com Espanha, pedindo-lhe para não abastecer combustível no país vizinho.

“Ontem, foi impossível. Está a ser impossível, com carros, carrinhas, camiões sempre a chegar. Não paramos um minuto”, conta à Renascença uma das funcionárias da estação de serviço

Fernando Costa vive em Chaves. É um entre os muitos flavienses que cruzam a fronteira para tirar partido da diferença de preços. “É muito mais barato. São 20 cêntimos de diferença por litro. Como opto por encher sempre o depósito, poupo muito. E o que poupo dá para comprar outras coisas. A vida está muito má”, conta.

Ondina Castro, consumidora habitual da gasolina espanhola, assegura que “compensa e muito” e que, por isso, vai “onde é mais barato”. Com o que poupa, pode “ gastar em outras coisas”, explica.

Também Humberto Santos, residente em Vila Pouca de Aguiar, se abastece sempre de gasolina em Espanha, aproveitando a ocasião para levar duas botijas de gás, que também “é mais barato”.

Já Carlos Silva, de Vila Real, em viagem para Ourense, diz que é a primeira vez que está a abastecer o camião em Espanha. Está a fazê-lo “porque é mais barato, menos 11 cêntimos em litro”, mas também porque “aquele ministro [da Economia] não manda na minha carteira”.

"Estamos a vender muito mais"

A diferença de preços entre Portugal e Espanha é significativa, o que explica a razão da procura que os portugueses fazem todos os dias, do lado de cá da fronteira de Vila Verde da Raia. O responsável pela gasolineira de Feces de Abajo, João José, confirma: "Tem-se notado muito pela diferença de preços. Os impostos subiram [em Portugal]. Já tivemos essa subida de impostos cá há uns anitos, mas, agora, notou-se bastante a afluência dos portugueses."

O empresário não entende o apelo lançado pelo ministro da Economia aos portugueses para que não abasteçam em Espanha e diz que o efeito até foi contrário ao pretendido por Caldeira Cabral. “Estamos a vender muito mais. Não sei por que razão o ministro disse essas palavras, porque o que a gente procura é poupar. Estamos num momento em que precisamos de poupar dinheiro”, diz, argumenta, realçando que em Espanha "poupa-se bastante dinheiro", sobretudo na gasolina, mas também no gasóleo.

Neste posto de combustível, não são só os clientes portugueses que são em bem maior número que os espanhóis. Também os funcionários são, na maioria, portugueses.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • rosinda
    14 mar, 2016 palmela 22:46
    a vida esta esta tao dificil !Este ministro e um palhaço.
  • António Florentino
    14 mar, 2016 Benavente 22:28
    Face à reportagem , lamentavelmente, não consigo deixar de manifestar a minha tristeza pela forma como as pessoas vão fazendo o mal e mais ainda pelo entusiasmo e manifesta indiferença com que que se lhe dá cobertura. Quanto à oportunidade e atualidade do seu conteúdo .... ela vem já com muitos anos de atraso, visto que há muitos anos, que esta situação se verifica, infelizmente. Por outro lado o facto da existência do atual governo é a única motivação para que, só agora a situação seja alvo de tanta atenção por parte da Renascença, ou da sua jornalista. Se me permitem aconselhava a todos uma leitura atenta das encíclicas POPULORUM PROGRESIO do Papa Paulo VI e EVANGELI GAUDIUM do Papa Francisco. Com o conhecimento e prática dos ensinamentos nela contidos, todos teremos muito a ganhar. POR UM MUNDO CADA VEZ MELHOR....!
  • jacc
    14 mar, 2016 evora 20:59
    No meu bolso tambem ninguem manda irei comprar leite carne de porco materiais de construção mobiliario etc a espanha e estou borrifando para estes chicos espertos
  • João
    14 mar, 2016 Lisboa 20:15
    Não perceberam...não abasteçam em Espanha porque senão por cá vai aumentar outra vez para compensar as perdas.
  • xpto
    14 mar, 2016 Lisboa 19:36
    Esta reação não é bonita. Por muitas e boas razões. Ninguém gosta de pagar impostos, mas fazer gala disso é lamentável. Quando precisar dos serviços do Estado, sejam de segurança, saúde, educação, reforma, etc., deviam dizer-lhe: "vai pedi-los a Espanha, é lá que gostavas de pagar impostos".
  • Jorge
    14 mar, 2016 Guarda 19:28
    Eu já abastecia em Espanha mas desde que aumentou o imposto, abasteço muito mais. Prometeram que não aumentam mais os imposto e é o que se vê!
  • Krabyweb
    14 mar, 2016 Lisboa 19:15
    Não consigo perceber a preocupação do povo português que para poupar 10 ou 15€ em combustível. Fazem viagens propositadas a Espanha para abastecer e criticam o governo, mas não se inibem de fazer gastos supérfluos em férias, viagens, todos os fins de semana passearem de carro, jantarem fora, irem a espectáculos, etc etc etc. Esta é a mentalidade e a realidade de um povo medíocre e cheio de hipocrisias.
  • Krabyweb
    14 mar, 2016 Lisboa 19:15
    Não consigo perceber a preocupação do povo português que para poupar 10 ou 15€ em combustível. Fazem viagens propositadas a Espanha para abastecer e criticam o governo, mas não se inibem de fazer gastos supérfluos em férias, viagens, todos os fins de semana passearem de carro, jantarem fora, irem a espectáculos, etc etc etc. Esta é a mentalidade e a realidade de um povo medíocre e cheio de hipocrisias.
  • carlos neves
    14 mar, 2016 portugal 18:47
    que tristeza que vergonha eu tenho de ser governado por gente destas ... que mal empregado o meu dinheirinho que tanto me custa a ganhar .... para suspentar um hipocrita destes .. ele que se demita ... um ministro e um ministro nao pode ser um banana destes .... tenho vergonha de quem nos governa este pais este povo melherece melhor ...
  • Manuel
    14 mar, 2016 Lisboa 18:21
    Segundo julgo saber o ISP é liquidado e, consequentemente pago, pelo produtor ou importador, que o fará reflectir no preço final. Assim, em termos de receita, no caso do ISP, ela já está garantida, vendam ou não o produto ao consumidor final. Poderá é ter reflexo, a prazo, numa menor produção ou importação . Já quanto ao IVA aí sim, a liquidação, cuidado liquidação em termos fiscais não é pagamento, está intimamente ligada ao acto de abastecimento dos consumidores. Por isso é que o anafado do SEAF falava, digo bem, falava, pois já se desdisse, que, por cada 4 cêntimos de aumento do preço de gasóleo ou gasolina antes de impostos, baixaria 1 cêntimo de ISP; corresponde, grosso modo ao IVA, pois 1 cêntimo são 25% de 4 cêntimos, e o IVA são 23%.