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Igreja de Angola pode estar a abrir porta a "uma profunda reflexão sobre regime"

10 mar, 2016 - 11:33

Especialista em assuntos africanos diz que o regime de Luanda tem contado com alguma passividade da Igreja católica, quadro que a nota pastoral de quarta-feira altera.
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As denúncias da Igreja Católica de Angola sobre o quadro de corrupção generalizada no país podem abrir espaço a uma reflexão mais profunda sobre o regime, na convicção do especialista em assuntos africanos António Pacheco, ouvido pela Renascença.

O analista considera que é ainda cedo para avaliar os reais efeitos da nota pastoral da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe, que, em tom duro, aponta a corrupção como a causa profunda da pobreza em Angola, a par do mentalidade compadrio e nepotismo.

António Pacheco antevê que possa haver uma tentativa de silenciamento da nota pastoral, por parte dos responsáveis do regime angolano. "O momento de fragilidade do poder angolano deverá levar o governo a não permitir a publicação de notícias sobre o documento”, argumenta. Contudo, a nota pastoral não deixará de ter "enorme repercussão” na população angolana, por força do eco que dela será feito "nas igrejas, nas celebrações, nas mensagens dos bispos e sacerdotes”.

O especialista lembra que, até agora, o regime de Luanda tem contado com alguma passividade da Igreja católica, um quadro que esta nota pastoral vem alterar. Até pelo tom, as críticas são inéditas e Pacheco lembrando também os casos de Brasil e Portugal para afirmar que elas também “espelham o que se passa no espaço lusófono, onde começam a surgir denúncias muito fortes sobre corrupção”.

António Pacheco antecipa uma “reflexão mais aprofundada sobre o regime angolano”, devendo aos bispos juntarem-se outros sectores da sociedade civil, que “já estão a reagir, da forma possível, contra o poder actual em Angola".


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  • arcus
    11 mar, 2016 Mar del Plata 20:53
    Segundo notícias, que chegam desse país saqueado, desgovernado e com o pior deficit contra o respeito à vida humana, e ao cidadão angolano cada vez mais, pobre e sofredor, por causa de um regime sem ética, moral, dignidade e respeito pela pátria, a verdade que ecoa a igreja em angola, é, e, foi sempre a vergonha desse país de infelizes e malfeitores do povo, graças à corrupção, os abusos e o saque indiscriminado de tudo e, até da própria vida incessante dos seus próprios filhos e concidadãos. É castigar esse regime de impiedosos saqueadores, nacional e internacionalmente, sem delongas.
  • Alberto Teles
    10 mar, 2016 S. Pedro do Sul 12:40
    Para bem de Angola e dos Angolanos que eu gosto e amo acho que a Igreja e outras instituições deviam estar atentos e rapidamente antes que seja tarde, aquele povo não pode aguentar mais uma guerra de ideologias. E quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexelão (eu nada tenho em Angola ou noutro País qualquer)
  • Brother
    10 mar, 2016 Lisboa 12:19
    Finalmente. As críticas chegaram tarde, mas chegaram