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Professores ganham mais do que outros trabalhadores com formação superior

11 set, 2018 - 10:13

Relatório da OCDE revela que salários dos docentes portugueses estão acima dos outros trabalhadores nacionais com cursos superiores.
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Os professores das escolas portuguesas, assim como os diretores ganham, em média, mais do que outros trabalhadores com formação superior, uma tendência que contraria a maioria dos países da OCDE, revela um relatório divulgado esta terça-feira.

Segundo o relatório "Education at a Glance 2018", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, "ao contrário da maioria dos países da OCDE, os professores em Portugal ganham mais do que os restantes trabalhadores com formação superior. Comparativamente, também os diretores das escolas estão entre os que ganham mais".

Os dados hoje revelados mostram que só os professores do Luxemburgo recebem mais do que os portugueses quando se compara o seu rendimento médio com os salários de trabalhadores com formação superior semelhante.

Luxemburgo, Portugal e Grécia são os três países que surgem no topo desta lista comparativa da OCDE, que coloca ainda os alemães e os finlandeses em 4.º e 5.º lugares.

Por cá, "os professores ganham, desde o ensino pré-escolar até ao secundário, mais do que os outros trabalhadores com formação superior, variando entre 35% mais no ensino básico e secundário até 50% mais no ensino pré-escolar", lê-se no estudo.

No entanto, esta é uma situação que não pode ser dissociada da idade dos professores, já que o salário vai aumentando com os anos de serviço e experiência.

E, nesse campo, Portugal tem a classe docente mais envelhecida da OCDE: Entre 2005 e 2016, as escolas portuguesas viram aumentar em 16 pontos percentuais os docentes com mais de 50 anos, ao passo que nos restantes países, o envelhecimento foi, em média, de apenas três pontos percentuais.

Em 2016, apenas 1% dos professores das escolas do ensino básico e secundário portuguesas tinha menos de 30 anos, enquanto na OCDE representavam 11%. Já os docentes com pelo menos 50 anos eram 38% do total dos portugueses.

Em Portugal, "o salário de um professor que está no topo da carreira é duas vezes superior ao de um professor em início de carreira", segundo contas feitas pela OCDE.

Segundo o relatório, em Portugal, os docentes recebem o mesmo salário, independentemente de estarem numa sala da pré-primária ou com alunos do secundário.
Uma realidade diferente da de muitos países da OCDE, uma vez que a média dos vencimentos vai aumentando consoante se vai estando responsável por ensinar uma turma de alunos mais velhos.

Os números do relatório mostram que no pré-escolar os professores da OCDE ganham, em média, menos do que os portugueses, mas no secundário já têm um ordenado superior.

No caso dos diretores, o vencimento em Portugal chega a ser o dobro quando comparado com outros trabalhadores com a mesma formação académica, independentemente de estarem à frente de uma escola de ensino pré-primário ou uma secundária, segundo as contas apresentadas no relatório.

"Este rácio é um dos mais elevados da OCDE e muito acima da média da OCDE", lê-se no documento, que sublinha que um salário atrativo é um "passo importante para recrutar, desenvolver e manter professores altamente qualificados e capazes".

Os docentes portugueses aparecem no relatório como um grupo privilegiado em relação aos colegas estrangeiros no que toca ao horário: "Em Portugal, os professores desfrutam de um horário mais leve do que a média da OCDE e têm, comparativamente, mais tempo para atividades não docentes, como preparar aulas e corrigir trabalhos de casa".

Por exemplo, os professores portugueses do ensino secundário têm de dar 616 horas de aulas por ano, enquanto a média na OCDE é de 701 horas anuais. Cá, os docentes têm de estar 920 horas na escola, enquanto a média nos países analisados é de 1.178 horas anuais, segundo as contas apresentadas no relatório.

No entanto, também aqui é preciso ter em conta o fator "idade", uma vez que a carga de trabalho e as exigências vão evoluindo ao longo da carreira e, em Portugal, um país com uma classe bastante envelhecida, os professores têm direito a uma redução de carga horária após determinados anos de serviço.

Atualização às 19h37 de 11/09/2018

Retirado o valor dos salários dos professores em início de carreira indicado na notícia.

Os valores que constam no relatório da OCDE têm em conta o equivalente poder de compra em cada país no ano de 2017 (paridades de poder de compra), o que permite a comparação entre os dados dos diferentes países. Logo, os 32887 dólares americanos indicados como salário de um professor em início de carreira não equivalem a 28366 euros, como inicialmente indicado.

Comentários
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  • Fernando
    16 set, 2018 Vila Nova de Famalicão 01:23
    Por engano, no meu comentário anterior digo que o salário bruto de um professor em fim de carreira é 43.285,48 euros (este valor refere-se ao penúltimo escalão). Um professor no 10º escalão (se lá chegar) auferirá um salário bruto anual bruto de 47.100,06 euros.
  • Fernando
    16 set, 2018 Vila Nova de Famalicão 01:16
    Um professor em início de carreira ganha anualmente, brutos, 21.260,82 euros. Em fim de carreira ganha anualmente 43.285,48 euros brutos. Não sei qual a percentagem de professores no 10º escalão (último) mas creio que não chegará aos 2% (neste caso não consegui confirmar os dados). Um diretor de escola ganha a mais 750 euros (se a escola tiver mais de 1200 alunos), 650 euros (se a escola tiver mais de 800 alunos e menos de 1200) e 600 euros (se a escola tiver menos de 800 alunos). Eu sou professor há 27 anos, vinculei em 2017 e ganho o mínimo, ou seja, 21.620,82 euros brutos por ano (continuo no 1º escalão). Todos os professores que vincularam depois de 2007 continuam no 1º escalão, independentemente do tempo de serviço. Até ver este estudo, a OECE era uma entidade credível. Deixou de o ser.
  • Anónimo
    12 set, 2018 18:51
    Certamente há trabalhadores com formação superior a ganhar menos que os professores assim como há muitos a ganhar mais. Esta é uma notícia encomendada e difamatória cujo único objectivo é destilar o ódio contra os professores. A Rádio Renascença devia estar a responder em tribunal pelo crime de difamação! E a escumalha anti-professores devia voltar para a escola primária!
  • maria
    12 set, 2018 Setúbal 10:38
    Acabem com esse tacho progressão na carreira para todos os funcionários do estado qualquer que seja o ministério é uma vergonha
  • Professor
    12 set, 2018 Portugal 09:39
    Entre o inicio e o fim de carreira, vão 40 anos. Este estudo encomendado para dar as respostas que se querem, deve ter incidido sobre os professores em fim de carreira ou no ultimo escalão, ou seja, aí uns 5 a 10% da classe. Eu estou há 28 anos na profissão e não ganho o que dizem que um professor ganha "em média". Por outras palavras, é mais um "estudo" encomendado e enviesado, a incidir sobre uma amostra restrita como convém, um truque de ilusionista para dar as respostas que quem o encomendou, pretende. E o sorridente PM de jogo-de-cintura já ordenou que aparecesse em força na comunicação Social para apresentar o Professorado como uns malandros reivindicadores já a ganhar muito bem, e esconder por exemplo que o sector Bancário, "ganha" muito mais: já para lá foram 18 mil Milhões de Euros, este ano, mais 435 e mais 700 estão na calha, e vão ser necessários mais 4 mil milhões a curto prazo, isto para manter à tona Bancos Falidos. Mas para a Educação, Saúde, Transportes, Segurança, Apoios Sociais, para isso não há dinheiro. Pudera: a decisão política foi mandá-lo para os Bancos...
  • Petervlg
    12 set, 2018 Trofa 09:15
    É incrível como querem comparar o ensino dos dias de hoje, com o ensino de 40 anos atrás, algumas pessoas, que comentam, nitidamente não tem noção nenhuma do ensino actual. Basta ver a capacidade de raciocínio, que os miúdos tem hoje em relação a nossa época, 40 anos atrás.
  • António dos Santos
    11 set, 2018 20:22
    Quero dizer que não sou pai ou irmão de PETERVLG. Só que os professores do meu tempo, eram competentes, sérios e faziam da profissão, um magistério. O que não tem nada a ver, com os actuais professores. Pode-se também comparar com os resultados ao fim do ano, actualmente e à 40 anos atrás.
  • Professor deslocado
    11 set, 2018 Braga 19:46
    A costumeira tática da intoxicação com fake news e "estudos" encomendados e enviesados.
  • Outra máfia
    11 set, 2018 Lisboa 18:54
    Muitos deles sem o mínimo de vocação e artistas no absentismo.
  • Petervlg
    11 set, 2018 Trofa 17:24
    Este ANTÓNIO DOS SANTOS, é um autentico asno. se não fossem os professores era um analfabeto.