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Vaticano sente “vergonha e dor"

16 ago, 2018 - 21:30

É a primeira reação do Papa ao relatório sobre o alegado abuso sexual de menores no seio da Igreja Católica norte-americana que terá envolvido cerca de 300 clérigos nos últimos 70 anos.
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O Vaticano expressa “vergonha e dor” ao ter conhecimento do relatório sobre os abusos sexuais nos Estados Unidos.

O porta-voz da Santa Sé, em comunicado, reafirma que o Papa “condena, inequivocamente, o abuso sexual de menores” e considera que “os abusos descritos no relatório são criminosos e moralmente condenáveis”.

“Esses atos são traição de confiança que roubou aos sobreviventes a sua dignidade e muitas vezes a sua Fé”, referiu Greg Burke.

O comunicado termina referindo que “a Igreja deve aprender com as lições do passado” acrescentando que “devem ser responsabilizados os abusadores e quem permitiu os abusos”.

Burke acrescenta que "o Santo Padre compreende bem como estes crimes podem moldar a fé e o espirito dos crentes e reitera o apelo para que se façam todos os esforços e se crie um ambiente seguro para menores e adultos vulneráveis. As vítimas devem saber que o Papa é do seu lado. Os que sofreram são a sua prioridade e a igreja quer ouvi-los e afastar este trágico horror que destrói a vida de inocentes".

"Ao praticamente não encontrarem novos casos depois de 2002, as conclusões do Grande Júri são consistentes com estudos anteriores que mostram que as reformas da Igreja Católica nos Estados Unidos reduziu drasticamente os casos de abusos de crianças por parte de clérigos. O Santo Padre encoraja reformas e vigilância continuas em todos os níveis da Igreja Católica para ajudar a garantir a proteção de menores e adultos vulneráveis", disse.

A Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB, na sigla inglesa) pede uma investigação liderada pelos Vaticano, com o apoio de inspetores leigos, aos alegados abusos sexuais cometidos pelo cardeal Theodore McCarrick, que resignou no mês passado.

O pedido dos bispos norte-americanos aconteceu dois dias depois do Supremo Tribunal do estado da Pensilvânia ter divulgado as conclusões da maior investigação sobre abusos na Igreja Católica, segundo a qual 301 padres terão abusado de mais de 1.000 menores nas últimas sete décadas.

“Sejam quais forem os detalhes sobre o arcebispo McCarrick nos muitos abusos na Pensilvânia (ou em qualquer outro lugar), já sabemos que uma causa básica é o fracasso da liderança episcopal”, reconhece, em comunicado, o cardeal Daniel DiNardo, presidente da USCCB.

Comentários
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  • fanã
    18 ago, 2018 aveiro 19:31
    Por exemplos ;.....Numa Empresa, um funcionário que cometeu danos comprovados, é pura e simplesmente despedido por justa causa com um currículo maculado. Socialmente falando, um criminoso abusador claramente identificado, é traduzido em tribunal e condenado a pena correspondente ao acto criminoso. Na Igreja Católica, é inconcebível que um dos seus membros clérigos não se sujeite a Lei Republicana comum a qualquer cidadão . Desses processos, depois, pouco ou nada sabemos !.., Um Sacerdote não é mais que qualquer Cidadão comum, no que diz respeito a Justiça !
  • António
    17 ago, 2018 Lisboa 16:58
    É uma vergonha que, deixa-me e a qualquer, a olhar para o chão, sem coragem de olhar de frente quem nos pretenda insultar. Pedir perdão já não é suficiente. O sacerdócio é sagrado e a mera, mas bem fundada suspeita, de actos que o dessacrilize, no mínimo deve levar à suspensão preventiva do seu exercício e, concluindo-se a final, pela verificação da suspeita, a excomunhão seria a sanção adequada. Por muito menos, e não apoiei, Lebfévre foi excomungado.