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Jovens ao abrigo do Serviço Voluntário Europeu animam crianças em Gouveia

19 jul, 2018 - 11:55 • Liliana Carona

"Isto é um meio de construir a paz”, diz a responsável da Associação Reencontro, de Vila Nova de Tazem, a única instituição do distrito da Guarda credenciada para receber jovens voluntário no âmbito do programa "Serviço de Voluntariado Europeu".
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Chegaram há um mês. São vários voluntários estrangeiros que se dirigiram à Associação Reencontro, de Vila Nova de Tazem, a única instituição do distrito da Guarda que está credenciada para os receber, no âmbito do programa "Serviço de Voluntariado Europeu".

“Fomos acreditados, fizemos candidatura ao programa Erasmus+, no âmbito do Serviço de Voluntariado Europeu, temos uma vistoria da agência nacional e a acreditação significa que podemos receber os jovens voluntários, como também podemos coordenar jovens daqui que queiram ir para fora. Somos os únicos no distrito a conseguir esta acreditação", conta à Renascença Laura Costa, responsável da associação

Laura Costa diz que o programa "não é muito divulgado em Portugal", lamentando que muitos não saibam que poderiam fazer uma aposta "na educação não formal, aquela feita sem ser na universidade, em que abdicarmos da nossa vida para irmos durante algum tempo para outro país fazer voluntariado".

"Isto é um meio de construir a paz”, reforça, convicta, também, das vantagens em acolher os voluntários europeus: “É bom para a localidade. Incentiva os nossos jovens e também é uma mais-valia para a localidade. Eles fazem as compras no comércio local, interagem com a comunidade”.

"Trazer algo de novo"

É preciso muita cola para as tantas atividades que envolvem as crianças de Vila Nova de Tazem e os voluntários europeus. Aprender a língua não é fácil, mas estes jovens estão habituados a isso. É o caso de Ivar Janson, 25 anos festejados em Vila Nova de Tazem, longe da sua Estónia. Vai ficar 11 meses, a trabalhar com 20 crianças com idades entre os 6 e os 15 anos. “Fazemos várias brincadeiras. Ensinamos diferentes formas de reciclagem, fazemos atividades na piscina, como nadar e como estar confortável com a água, ensinámos a nadar. Não é fácil comunicar português, mas sei cinco idiomas: árabe, turco, alemão, inglês, francês. Estou adorar estar cá. Acredito que trazemos vida a esta comunidade, trazemos algo novo”, diz o bacharel em Estudos do Médio Oriente.

Vera Andoh, 27 anos, do Gana, estuda em França, desenvolvendo um mestrado em Intervenção social, conflitos e desenvolvimento. Não deixou escapar o programa de voluntariado europeu que agora lhe permite conhecer a tranquilidade da Serra da Estrela. “Isto é muito calmo, adoro esta calma e toda a gente se conhece. Acho que os portugueses preservam muito a sua cultura, que é muito rica. Não é a primeira vez que faço programa de voluntariado na Europa. Já estive na Alemanha. Vamos às escolas para ajudar com projetos de animação, dança, e métodos de educação não formal, e agora neste campo de férias fazemos imensas atividades, ensinar de uma forma mais relaxada”, sublinha.

Sofia Fidalgo, 10 anos, já não imaginava as férias de verão sem os voluntários. “Os monitores estão sempre a ajudar e fazer com que nos divirtamos este verão. Sem eles não seria assim tão divertido”, partilha, enquanto ajuda a fazer uma caixa reciclada para recolher livros usados. Também Guilherme, 12 anos, é da mesma opinião: “A Vera está a ajudar-nos muito.”

Aleksandras Davydovas, da Lituânia, 23 anos, ia começar a trabalhar, mas decidiu fazer esta experiência de voluntariado. “Não há muita juventude aqui, mas há paisagens belíssimas. Vou trazer vida. Faço jogos com eles, ensino-lhes músicas e danças, ajudo-os a fazer o que for preciso, na cozinha, ou limpar”, relata.

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