O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
A+ / A-

Veado, trigo e gordura. “Homem do gelo” revela como comíamos há cinco mil anos

13 jul, 2018 - 16:47

A dieta de Ötzi não era do paleolítico, mas mostra que os homens do gelo sabiam o que comer.
A+ / A-

Quando, em 1991, um grupo tropeçou num cadáver na região alpina italiana de Venoste (Öetztal), pensou tratar-se de mais um caso de um alpinista que se tinha perdido. Mas feita a autópsia, aquele “alpinista” mostrou ser muito mais do que isso: uma múmia, num estado de conservação nunca antes visto pela comunidade científica, que viveu há 5300 anos.

Desde então Ötzi, ou o "Homem de Gelo", e o seu excelente estado de conservação tem sido particularmente úteis para nos ensinar um pouco mais sobre os nossos ancestrais. Desta vez Ötzi “contou-nos” que a sua última refeição foi altamente calórica: um verdadeiro banquete composto por carne de veado, cabrito e cereais.

Uma equipa de investigadores analisou o ADN as proteínas, gorduras e outros nutrientes presentes no estômago de Ötzi e concluiu que o estômago da múmia mais bem conservada alguma vez encontrada continha restos de veado e de carne de um cabrito selvagem chamado íbex, bem como um pouco de trigo e outros cereais.

A dieta de Ötzi não era do paleolítico, mas mostra que os homens do gelo sabiam o que comer. A última refeição da múmia mostrou-se “uma excelente fonte de energia” para aquilo que os cientistas identificam como sendo um homem “extremamente magro”.

A maior surpresa para estes investigadores do Instituto Eurac nem é a quantidade de comida encontrada neste estomago milenar, mas sim a quantidade de alimentos calóricos, já que 50% do material encontrado era gordura”.

“Ötzi parecia saber que as gorduras representam uma excelente fonte de energia”, diz um dos investigadores, que alia os alimentos detetados nos estômago da múmia com o local em que foi encontrado. “Este é um lugar muito exigente para a fisiologia humana. Exige um suplemento ótimo de nutrientes” explica Frank Maixner.

Uma múmia que preparava a sua comida, mas que não se livrou de dores de barriga

A análise ao estômago desta múmia revela não só que os nossos antepassados sabiam umas coisinhas de nutrição, mas também que já preparavam a sua comida

A carne encontrada no estômago da múmia estava em boas condições, mostrando que provavelmente terá sido seca ou aquecida para que fosse conservada. Só depois é que terá sido assada.

Para além da comida, os cientistas encontraram também imensos parasitas, bem como um material tóxico proveniente de um feto que intrigou os investigadores. Os cientistas avançam para a hipótese de que as dores de barriga provocadas pelos parasitas possam ter sido solucionadas com uma “mézinha” que envolvia ingerir folhas desta planta.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • VICTOR MARQUES
    15 jul, 2018 Matosinhos 11:30
    Que bela "Estória" !!!...
  • Francisco
    13 jul, 2018 Viseu 21:01
    E ainda por cima sabe fazer um "dab".