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NATO. Portugal dedica mais percentagem do PIB à Defesa do que a Alemanha

10 jul, 2018 - 15:38

​Portugal aloca 1,36% do Produto Interno Bruto a gastos com as Forças Armadas, apesar de tudo longe da meta mínima de 2% definida pela NATO.
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Portugal consagra atualmente cerca de 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa, segundo os dados divulgados esta terça-feira pela NATO. O valor está ainda longe do objetivo de 2% acordado entre os países membros da Aliança Atlântica, mas é superior aos valores investidos por países como a Alemanha.

Na véspera de uma cimeira de líderes da NATO, na qual a questão das contribuições financeiras dos aliados voltará a estar em cima da mesa - entre outros motivos pela insistência de Donald Trump para que os Estados-membros gastem mais com a aliança - o relatório hoje divulgado revela que apenas quatro países além dos EUA - Grécia, Estónia, Reino Unido e Letónia - já atingem a meta dos 2% como foi decidido na cimeira do País de Gales em 2014, para ser alcançada no espaço de 10 anos (até 2024).

De acordo com os dados hoje publicados - para 2017 e 2018 tratam-se ainda de estimativas -, Portugal destinou no ano passado 2.398 milhões de euros a despesas em Defesa, o que equivale a 1,24% do seu PIB, devendo este ano aumentar para 2.728 milhões de euros, o equivalente a 1,36% da riqueza nacional.

Em termos de proporção do PIB real, Portugal encontra-se precisamente "a meio da tabela", no 14.º lugar entre os 28 países membros da Aliança, que é liderada de forma destacada pelos Estados Unidos, que dedicam 3,50% do PIB a despesas militares, e insistem com os seus aliados que também aumentem as suas contribuições financeiras, até porque Europa e Canadá, juntos, consagram atualmente 1,47% do PIB a despesas em matéria de Defesa, quando em 1998 superavam os 2% (2,01%) .

Em termos proporcionais - em relação ao PIB -, Portugal encontra-se à frente de países como a Holanda (1,35%), Alemanha (1,24%), Canadá (1,23%), Itália (1,15%), Espanha (0,93%) e Bélgica (0,93%), país que acolhe o quartel-general da NATO, onde na quarta e quinta-feira se reunirão os chefes de Estado e de Governo da Aliança, entre os quais o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Portugal, que estará representado na cimeira pelo primeiro-ministro, António Costa, já anunciou, na semana passada, que vai defender na reunião de Bruxelas que o contributo para a paz não depende apenas do reforço da despesa em defesa, mas também da cooperação e ajuda ao desenvolvimento.

"A forma como nós, os europeus, favorecemos o desenvolvimento e a cooperação internacional é uma contribuição muito importante para a paz e segurança, que tem de ser também contabilizada", sustentou Augusto Santos Silva no Parlamento na passada quarta-feira, quando questionado sobre qual será a posição que Portugal iria defender na cimeira.

O chefe de diplomacia disse concordar que "é preciso um aumento do esforço europeu no que diz respeito à despesa com segurança e defesa", como o Presidente norte-americano reclama, mas, sustentou, "é sobretudo preciso um esforço, em países como Portugal, na modernização da estrutura dessa despesa".

A fatura de Trump

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou em junho mensagens aos aliados da NATO, incluindo Portugal, queixando-se das contribuições insuficientes dos respetivos países junto da Aliança Atlântica.

Nas cartas, Trump refere que em 2017 formulou queixas em privado e em público para pressionar os países da NATO a contribuírem com 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para a defesa comum.

Desde que foi eleito Presidente dos Estados Unidos, Trump queixa-se de que Washington gasta demasiados recursos com a Aliança Atlântica e tem criticado a situação, de forma reiterada, aos líderes dos vários países.

Esta terça-feira , o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, aconselhou Trump a lembrar-se de quem tem sido "o melhor aliado dos Estados Unidos" e a dar-lhe valor, até porque "a América não tem assim tantos".

Numa conferência de imprensa em Bruxelas por ocasião da assinatura da declaração conjunta sobre a cooperação UE-NATO, na véspera de uma cimeira da Aliança Atlântica que decorrerá entre quarta e quinta-feira na capital belga, Tusk fez questão de se "dirigir diretamente ao Presidente Trump, que há muito tempo tem criticado a Europa, quase diariamente, pelo que, do seu ponto de vista, tem sido uma contribuição insuficiente para as capacidades comuns de defesa e por viver à conta dos EUA".

"Caro presidente Trump, a América não tem e não terá melhor aliado do que a Europa. Hoje, os europeus gastam em Defesa muito mais do que a Rússia e tanto quanto a China. E penso que não pode ter dúvidas, Presidente, de que este é um investimento na defesa e segurança comum norte-americana e europeia, o que não pode ser dito relativamente à despesa (em Defesa) russa ou chinesa", observou.

Aconselhando a administração norte-americana a dar o devido valor aos seus aliados, "até porque não tem tantos assim", Tusk prosseguiu num tom muito crítico, comentando que "o dinheiro é importante, mas a solidariedade genuína é ainda mais importante".

"E por falar em solidariedade, também refuto os argumentos do Presidente (Trump) quando diz que os Estados Unidos, sozinhos, protegem a Europa dos seus inimigos e que os EUA estão quase sozinhos nesta luta", disse, lembrando o que sucedeu depois dos atentados terroristas do 11 de setembro de 2001, quando "a Europa foi a primeira a responder em grande escala quando os EUA foram atacados e pediram solidariedade".

"Soldados europeus lutaram ombro a ombro com soldados norte-americanos no Afeganistão. 870 bravos homens e mulheres sacrificaram as suas vidas, incluindo 40 soldados do meu país, a Polónia. Caro presidente, por favor lembre-se disto, amanhã (quarta-feira), quando nos encontrarmos na cimeira da NATO, mas acima de tudo quando se encontrar com o presidente (russo, Vladimir) Putin, em Helsínquia. É sempre bom saber qual é o seu amigo estratégico e qual é o seu problema estratégico", concluiu.

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  • Anónimo
    10 jul, 2018 17:44
    Já repararam que o que a Sr.ª Merkel e restante corja imperialista exigem em Portugal não têm a coragem de exigir nos seus próprios países? Porque será?